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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Fotografando a galera durante as festas

Encontro dos mãos de vaca em NY
(1/250 f/1.8 ISO 400, com flash externo, foto por Gabriel Simão: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6209034839/)

Estão chegando as festas de fim de ano e agora é a hora de reunir a família, toda a parentada e os amigos para celebrar.

Fotografar grupos não é nada fácil, por alguns motivos:

1 - sempre tem alguém que fecha o olho;

2 - sempre tem alguém que está olhando para o outro lado;

3 - como alguém precisar tirar a foto, ou a pessoa tem de:
a) ficar fora da foto, ou;
b) por no timer e sair correndo para entrar no quadro.

4 - geralmente as condições de iluminação não são das melhores, assim é quase obrigatório o uso do flash, que, por si só, já é um pepino à parte.

Quanto mais elementos, neste caso, pessoas, você tiver de prestar atenção, maior será a possibilidade de que alguma coisa não saia bem, mas, mesmo assim, se você não estiver fotografando profissionalmente estes grupos, você pode se dar um desconto.
Agora, se você estiver sendo pago para isto, tudo precisa sair perfeito!

O dois erros básicos ao se fotografar grupos

Tudo no mesmo plano

Fotografando grupos 4
(1/40 f/4.5 ISO 400, com flash embutido: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6560189933/)

Este é um equívoco em qualquer tipo de foto, seja de objetos, seja de paisagens, seja de casais, seja de grupos.
Numa imagem, você precisar criar uma hierarquia de interesse, conduzindo o olhar o espectador através da foto, obrigando-o a prestar atenção em cada um dos elementos.
A fórmula de uma foto sem graça é deixar tudo no mesmo plano, tudo quadradinho, tudo alinhado.
Veja a foto acima, não é uma foto mal tirada, a exposição está correta, o flash não ficou estourado, mas não é uma imagem interessante. Todas as pessoas estão no mesmo plano, não existe uma ordem de atenção.

Fotografando grupos 7

Neste segundo caso, a própria diferença de altura entre as pessoas já serviu para criar uma distribuição mais atraente para a foto (que é o mesmo caso da primeiro foto no começo).
Se você se lembrar do artigo sobre linhas e formas, verá que, se uníssemos as cabeças das pessoas na imagem, formaríamos uma espécie de triângulo, compondo uma forma reconhecível e interessante.

Uso incorreto do flash

Fotografando grupos 5
(1/36 f/3.7 ISO 183, com flash embutido: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6560186563/)

O uso adequado do flash da câmera é, na minha opinião, um dos aspectos mais avançados da fotografia. Ao incluirmos um iluminação artificial, criamos sombras, reflexos e efeitos que raramente temos como prever antes de tirarmos a foto.

A imagem acima, por exemplo, não está exatamente mal enquadrada (provavelmente, seu fosse o fotógrafo, teria esperado a garçonete no canto superior direito sair do quadro), porém, como era um ambiente interno com pouca iluminação, foi necessário o uso do flash embutido da câmera.

O que aconteceu?

A luz do flash primeiro atingiu a toalha da mesa, que ficou branquíssima. A medição da câmera determinou que o que era importante de se ver eram as duas primeiras pessoas na mesa, por isto, a potência do flash só expos corretamente estes dois primeiros elementos. A medida em que as pessoas se afastam do luz do flash, temos menos iluminação, e elas ficam subexpostas (escuras).
Por fim, temos um reflexo do flash no vidro lá no fundo, que é bastante comum em fotos amadoras com flash (às vezes, é quase inevitável e imperceptível).

No entanto, nesta situação, utilizando o mesmo ponto de vista, a única solução seria um flash externo, que pudesse ser rebatido no teto, iluminando todas as pessoas da mesa. Uma outra opção seria elevar o ISO da câmera ao máximo, porém, por se tratar de uma câmera compacta, o ruído digital seria muito grande e indesejável.

Fotografando grupos 2
(1/60 f/4 ISO 400, com flash embutido: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6560222133/)

Nesta segunda foto, temos um ponto de vista bastante parecido, mas a imagem ficou muito mais natural.
O uso do flash embutido ainda criou certos efeitos indesejáveis, como as fortes sombras, mas, mesmo assim, com um ISO mais alto e uma iluminação ambiente melhor, foi possível obter uma foto mais agradável.
Além disto, existe uma ordem na imagem que conduz o olhar, começando com a pizza no canto inferior esquerdo e seguindo pela extensão da mesa até o fim. Já é uma foto muito mais interessante.

Autorretratando o seu grupo

Grupo Boneco de Neve
(1/500 f/4.5 ISO 100, com tripé: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6560363665/)

Se você é do tipo que não pode ficar fora da foto, mas também costuma ser o fotógrafo das confraternizações, você provavelmente abusará do timer de sua câmera.

Praticamente todas as câmeras compactas e Reflex possuem uma função de timer, geralmente com duas opções: de 2 e de 10 segundos.

Se você estiver fotografando um grupo e quer aparecer também na foto, acredito que, na maioria das circunstâncias, terá de programar para 10 segundos, assim você terá tempo de correr e mesclar-se com as demais pessoas.

Nestes casos, você precisará de um tripé para apoiar a câmera, ou posicioná-la em alguma superfície plana, como uma mesa, uma estante, cadeira ou até mesmo no chão, em último caso.

Fotografando grupos 6
(1/40 f/4 ISO 400, com flash externo e tripé: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6560176509/)

Ao autorretratar o seu grupo, você precisa ajustar a sua câmera previamente e já compondo a imagem pensando onde você ficará na foto. Além disto, uma alternativa é fazer o ajuste do foco manualmente, pois assim você evita que, na hora de pressionar o botão do obturador, a câmera focalize em algum outro elemento que não as pessoas.

Fotografando grupos 1
(1/200 f/4 ISO 200, com flash embutido: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6560231791/)

Nem sempre será possível tirar autorretratos extraordinários de grupos, ainda mais se você não tiver um tripé e/ou um flash externo, pois, neste caso, você dependerá do ambiente no qual você está.

Na imagem acima, por exemplo, tive de apoiar a câmera sobre o balcão da cozinha e, por isto, apareceu aquela coisa (que não sei o que é) no canto inferior esquerdo que, para mim, é uma grande distração na imagem. Além disto, se houvesse a possibilidade, também teria tirado a foto de costas para aquela janela ao fundo, pois isto facilitaria a exposição e deixaria a foto mais bonita.

E, como você deve ter percebido nas imagens mostradas, um flash externo faz bastante diferença na qualidade da iluminação.

Considerações finais

Megaencontro dos Mãos-de-Vaca em São Paulo
(1/60 f/4.5 ISO 200, com flash embutido: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/4828614991/)

E não se esqueça que, nestas festas e confraternizações, você está lá para se divertir, rever a família e os amigos. Não precisa ficar tão histérico tirando fotos de tudo. Nestas situações, a fotografia é apenas uma maneira de registrar estes momentos juntos, para relembrarem no futuro.

A não ser que você esteja trabalhando, então é outra conversa!

Fotografando grupos 3
(1/200 f/4 ISO 400, com flash externo: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6560205467/)

E só um lembrete: se você pedir para alguém, o tio, a prima ou o cunhado, tirar uma foto do grupo com sua câmera ultramodernosa, faça um favor para ele: ponha no Modo Automático.
A foto até pode não ficar das melhores, mas ninguém é obrigado a saber mexer no seu equipamento, só você mesmo.

Um feliz Natal e que o próximo ano seja ainda melhor do que este!


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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Acabei de comprar uma Reflex, mas as minhas fotos pioraram. O que estou fazendo de errado?

Henry
(Foto por: Denise Nappi)

Você comprou aquela baita câmera, com lentes da hora e tudo mais, certo de que agora iria arrasar na fotografia, não é?

No entanto, para sua surpresa, com o trambolhão que custou uma grana você está tirando fotos piores do que nunca, bem piores do que aqueles com a câmera compacta? O que pode estar acontecendo?

Eu já disse anteriormente aqui que o grande mistério por detrás de uma boa fotografia é um bom fotógrafo, e jamais me cansarei de repetir isto.

Você pode pegar a melhor câmera do mundo, que custa 30 mil dólares e por na mão de um leigo, tenha certeza que as imagens serão imprestáveis.

Isto ocorre por uma razão muito simples: a câmera só registra a imagem, quem realiza a composição, ajusta as configurações da câmera e trabalha a foto posteriormente é o fotógrafo, que precisa conhecer bem seu equipamento e saber utilizá-lo.

henry1
(Foto por: Denise Nappi)

Sempre espere uma queda na qualidade de suas fotos quando você adquirir um equipamento muito diferente do que você está habituado. São necessárias muitas horas de prática até se acostumar com uma máquina diferente, até que o ajuste das funções seja natural.

Se você não quer a dor de cabeça de aprender fotografia para valer, se gosta de tirar fotos no Modo Automático, não há razão para que você compre um Reflex. Estas câmeras não foram feitas para usar o Modo Automático, aliás, eu nem sei porque os fabricantes de Reflex incluem estes modos (talvez para você pedir para o tio ou para a mãe tirar uma foto sua de vez em quando!). Inclusive, nos modelos top, realmente não existe Modo Automático, ou você sabe usar, ou não sabe.

A maior burrada que alguém pode fazer na vida é comprar uma câmera (ou um flash) para fotografar um evento, como um casamento, na semana seguinte. Ninguém domina um novo equipamento em tão pouco tempo.

Você precisa praticar muito (e ler o manual da câmera, de preferência) e em várias circunstâncias diferentes. Tire tantas fotos até que os seus dedos doam e acostume-se aos controles da câmera, onde fica o ajuste da velocidade do obturador (shutter speed), da abertura de diafragma (aperture) e do ISO. Se você não estiver fotografando em .RAW, descubra também onde fica o botão do Controle de Branco (White Balance).

Faça todos os exercícios descritos aqui no Cala a Boca e Clica!, tanto os técnicos quanto os de composição. A prática leva à perfeição, jamais duvide disto!

Suas fotos com um novo equipamento poderão ficar ruins, à princípio, mas com o tempo você notará como elas melhorarão e deixarão os outros boquiabertos. É preciso prática e persistência. Vale à pena, eu garanto, pois também já passei por isto.

Agora que você entrou de cara neste mundo, não vai arregar! Cala a boca e clica!



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domingo, 3 de abril de 2011

Como eu me torno um fotógrafo?

Photography workshop in Central Park

Nunca foi tão fácil, mas, ao mesmo tempo, tão difícil tornar-se um fotógrafo.

Num mundo onde qualquer bocoió pode pegar uma câmera compacta e cobrar 30 reais para fazer um book de modelo, é muito complicado destacar-se e tornar-se um profissional reconhecido.

Via de regra, os leigos não conseguem diferenciar um retrato bem tirado ou não, mas conseguem perceber quando uma foto é extraordinária.

Fotos bem tiradas existem aos milhões. Fotos memoráveis são raras e incrivelmente difíceis de se obter. Mesmo os grandes fotógrafos conseguem tirar poucas dezenas de fotos memoráveis em todas suas carreiras. São necessários incontáveis cliques, anos de estudo e muita dedicação para atingir uma foto extraordinária.

A pergunta não deveria ser como tornar-se um fotógrafo, mas sim: como eu me torno um excelente fotógrafo?

A resposta é simples em teoria, mas na prática o buraco é bem mais embaixo. Para tornar-se um excelente fotógrafo é necessário estudo, prática e sorte.

Estudo e prática depende somente de você, do quanto você está disposto a dedicar-se à fotografia.
Bem, sorte é uma questão de sorte!
Alguns estão no lugar certo e na hora certa, outros se mudam para o lugar certo, mas quase sempre pode-se dar uma mãozinha para o acaso.

Estudo
Fotografia é, antes de tudo, um trabalho técnico, com princípios bastante claros para um bom enquadramento, uma exposição fotográfica correta, poses para os modelos, iluminação, etc.
Se você obteve um resultado satisfatório com uma configuração da câmera e com determinada iluminação, não há porque você não conseguir reproduzir este mesmo resultado com as mesmas configurações.
No entanto, a fotografia também é uma Arte, e, por isto, está em constante transformações e revoluções. As técnicas se aperfeiçoam, as regras são quebradas, e entender este processo ajuda muito na hora de obter fotos interessantes.
Você não precisa ir a uma escola para aprender fotografia, mas algumas horas de estudos são fundamentais, mesmo como autodidata.

Prática
Agora, você pode ter frequentado as melhores escolas do mundo, ter lido todos os livros de fotografia, ter assistido vídeos, mas, se você não sair à rua com sua câmera, ou num estúdio, e tirar muitas, mas muitas fotos mesmo, você jamais aprenderá realmente a fotografar.
A prática o ensinará a conhecer as potencialidades e os limites de sua câmera, ajudará você a perceber quais são os horários ideais do dia para se fotografar e como obter os melhores resultados.
Com a prática, você até poderá prever como ficará sua foto antes mesmo de ter clicado.

Você pode se gabar de entender tudo de teoria da fotografia, mas se você não calar a boca e clicar, jamais será um excelente fotógrafo!



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