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segunda-feira, 7 de julho de 2014

Introdução à fotografia 1 - Aprendendo o controlar o ISO da câmera

Cusco à noite
(Foto noturna de Cusco, Peru, em ISO 800: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/5614470347/)

O ISO é como se mede a sensibilidade do filme fotográfico, e esta mesma medida foi adaptada para as câmeras digitais também.

Quanto menor o ISO, menos sensível à luz é o filme, quanto maior o ISO, mais sensível à luz.
Isto se reflete na fotografia de duas maneiras: 1 - filme lentos (com ISO menor) são mais nítido, mas necessitam de maior exposição à luz; 2 - filmes rápidos (com ISO maior) tem grânulos maiores, ou mais ruído em câmeras digitais, mas necessitam de menor exposição à luz.

Praia do Gunga
(Foto diurna da praia do Gunga em ISO 100: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/4943835274/)

No começo da fotografia, isto no final do século XIX, a sensibilidade das películas era tão baixa, que para se tirar uma fotografia precisava-se de horas.
Por outro lado, atualmente tem havido uma revolução do ISO, com câmeras digitais com ISO tão alto que são capazes de fotografar quase em escuridão total.

A sequência padrão do ISO começa em 100 (apesar de existir ISO mais baixo) e segue adiante, dobrando de sensibilidade a cada gradação. Segue abaixo a listagem do ISO.

100 - 200 - 400 - 800 - 1600 - 3200 (e assim por diante, dobrando a cada incremento).

Um filme de ISO 200 é duas vezes mais sensível que um de ISO 100, e um de ISO 800 é 8 vezes mais sensível que o mesmo de ISO 100, e exige bem menos luminosidade.

Em condições de boa luminosidade, como num dia ensolarado, você provavelmente optará pelo ISO mais baixo possível, pois a foto ficará mais nítida e com menos ruído digital.
Já em ambientes com pouca luminosidade, como à noite ou em ambientes internos, você terá de aumentar o ISO, o que fará com que sua câmera seja mais sensível à luz e torne a foto mais clara.

A influência do ISO numa fotografia poderá ser observada abaixo, com o uso de difentes configurações de ISO.

ISO 100
Cala a boca e clica! - ISO 100

ISO 100 (recorte em 100%)
Cala a boca e clica! - ISO 100 crop

ISO 400
Cala a boca e clica! - ISO 400

ISO 400 (recorte em 100%)
Cala a boca e clica! - ISO 400 crop

ISO 1600
Cala a boca e clica! - ISO 1600


ISO 1600 (recorte em 100%)
Cala a boca e clica! - ISO 1600 crop

Em muitas câmeras, o ruído digital (os pontinhos na fotografia) começa a ficar bastante discernível depois de ISO 800. Muitas vezes, o ruído pode ser arrumado parcialmente na pós-edição, mas é algo que se deve pensar na hora de tirar uma foto.

Particularmente, eu prefiro uma foto com ruído digital do que não tirá-la.

As câmeras compactas são, porém, muito mais afetadas pelo ruído de um ISO alto do que as profissionais. Para comparação, abaixo segue o recorte de um foto tirada em ISO 1600 com uma câmera compacta.

ISO 1600 numa câmera compacta (recorte em 100%)
Calaboca e clica - ISO 1600 point-and-shoot crop

Ao contrário de outros controle manuais, geralmente só existentes em câmeras mais sofisticadas, várias câmeras compactas permitem a seleção de diferentes configurações de ISO, o que é ótimo na hora de obter o melhor desempenho de sua câmera.

Para saber como alterar o ISO de sua câmera, recomendo a leitura do manual do fabricante, que o ensinará todas as funções para o modelo e marca da câmera.

Exercícios práticos

1 - descubra onde fica a função ISO em sua câmera e, no modo automático (nas câmeras compactas), ou em Program (P, nas câmeras Reflex), tire uma foto de um mesmo objeto ou paisagem para cada setting de ISO: em 100, 200, 400, 800 e 1600.
Depois, ao passar as fotos para o computador, veja se você percebe alguma diferença entre as fotos.

2 - faça este mesmo experimento com ISO 100, 200, 400, 800 e 1600, em diferentes condições de luminosidade: num dia ensolarado, dentro de casa, à noite.
Confira o resulta e veja se percebe alguma diferença. Não se importe muito, neste momento, com a qualidade da foto, ou se ela está borrada ou não.

E não deixe de compartilhar suas dúvidas, constatações ou comentários conosco.

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domingo, 21 de julho de 2013

Então você decidiu comprar uma câmera Reflex?

Câmera Reflex

Quer dizer que agora você resolveu comprar uma câmera Reflex?

Antes de tudo, você precisa se perguntar: para que preciso de uma câmera como esta?

E segue uma lista de possíveis motivos:

1 - porque um dia quero me tornar um fotógrafo profissional;

2 - porque adoro fotografia e quero aprender a fotografar pra valer;

3 - porque não estou satisfeito com as fotos que obtenho com minha câmera compacta;

4 - porque quero me exibir para os meus amigos;

5 - porque é legal!

Vai nessa!
Se você respondeu 1 ou 2, já é meio caminho andado.
Realmente, você não será um fotógrafo profissional se tiver apenas uma câmera compacta, pois elas são bastante limitadas em comparação a uma câmera Reflex e dificilmente você será levado a sério se aparecer com uma camerazinha que cabe na palma da mão.
E para aprender fotografia, nada melhor do que uma câmera que lhe permite controle total sobre suas funções, como ajustes de velocidade do obturador, abertura de diafragma e ISO.
Várias câmeras compactas avançadas possuem controles manuais e são uma opção se você não quiser ou não pude gastar muito, mas, com uma Reflex, você terá opções de lentes e uma versatilidade muito maior.

Reflita
Agora, se você respondeu 3, pode estar ocorrendo duas possibilidades: a - sua câmera compacta é uma porcaria mesmo, ou b - você não sabe como utilizá-la.
Como já explicamos no artigo Tirando fotos melhores com sua câmera compacta, existem muitas camerazinhas boas por aí, basta você saber extrair o que elas tem de melhor.
Sem dúvida, algumas coisas não podem ser mudadas, a profundidade de campo e a redução de ruído digital das Reflex são muito mais agradáveis do que nas compactas, mas se você tiver uma compacta boa, como vários modelos da Panasonic, da Nikon, da Canon e da Olympus, você pode aplicar todos os princípios de composição e obter belas fotos.
O segredo de uma boa fotografia é, na maioria dos casos, um bom fotógrafo.

Não se iluda, se você não souber utilizar sua câmera compacta, há grandes chances que você tenha dificuldades maiores ainda para utilizar uma Reflex e a qualidade de suas fotos poderá ser ainda pior.
É necessário estudar e aprender como usar uma Reflex para se tirar belas fotos.

Cartão vermelho
No entanto, se você respondeu 4 ou 5, pense melhor antes de gastar sua grana numa Reflex.

Elas impressionam mesmo, e quanto maior for sua Reflex, mais atenção ela chamará na rua. Isto poderá atrair ladrõezinhos, curiosos ou, se você for do tipo que gosta de fotografar pessoas na rua, poderá fazer com que você perca belos momentos espontâneos porque sua câmera é muito chamativa.
Além disto, uma Reflex pode ser pesada e se você não quiser ficar carregando um chumbo nas costas por horas durante sua viagem, é melhor reconsiderar.
É um investimento muito grande para quem quer apenas se exibir.

Nem todo o mundo tem disposição para aprender como utilizar uma Reflex e depois sai reclamando que a câmera/marca/modelo é ruim.

Como escolher uma Reflex?

Câmera Reflex

Mas o que é uma Reflex?

Uma Reflex ou SLR (Single Lens Reflex) é uma câmera com um espelhinho dentro que reflete a imagem que passa através da lente e chega até o visor ótico. Quando você aperta o botão, o espelhinho se ergue, a cortina do obturador se abre e o filme ou o sensor digital captura a imagem.
A grande vantagem de uma câmera Reflex é o fato de você estar vendo exatamente a imagem que você obterá.
No entanto, uma das desvantagens é que, quando o espelho se levanta, o visor ótico fica todo escuro por uma fração de tempo, que é o tempo para capturar a foto e a câmera retornar a seu estado inicial. Se for uma velocidade do obturador rápida, isto será quase imperceptível, mas se for uma velocidade lenta, poderão ser vários segundos sem ver nada pelo visor ótico.

Existem várias marcas e modelos de câmeras Reflex por aí, mas você provalvemente comprará - e é o que eu recomendo - uma Reflex da Canon ou da Nikon.

- E a Sony, ou a Pentax, ou a Olympus, ou sei lá o quê? - você me pergunta.

Até podem existir modelos bons destas outras marcas, mas, repito, vá de Canon ou Nikon que não haverá erro. São as melhores marcas do mercado, com a maior variedade de lentes e acessórios, e são as marcas usadas por uns 90% dos fotógrafos profissionais, chutando por baixo.

O fator crucial na hora de escolher um modelo de Reflex é quanto você pode ou quer gastar.

Uma Reflex manufaturada de um modelo anterior, com a lente do kit, pode custar a partir de uns 400 dólares e é um preço justo para quem está entrando neste mundo.
Os modelos mais recentes podem custar o dobro, mas não se deslumbre com os lançamentos. Comprar uma câmera usada ou remanufaturada é uma ótima maneira para investir seu dinheiro e ainda sobrar um pouquinho para comprar lentes.
No caso de câmeras usadas, atente para o número de cliques, pois a câmera tem uma vida útil média que varia de modelo para modelo. As Reflex introdutórias costumam ter uma vida útil de 100 mil cliques, o que é bastante, mas, se você tiver o dedo nervoso, é um prazo de uns 4 ou 5 anos de uso.

Para mim, por exemplo, não interessa se uma Reflex faz vídeos ou se pode ser usada como telefone celular. O que importa é que tire fotos e só. Se eu quiser uma câmera de vídeo, comprarei uma câmera de vídeo, não uma Reflex.

Como escolher as lentes?

Canon lenses (and a Sigma one)

Se você comprar uma Reflex Introdutória, ela provavelmente virá com a lente do kit, que não será a melhor lente do mundo, mas dará um baile nas lentes de qualquer câmera compacta no mercado.
Estas lentes do kit são lentes de zoom que partem de grande angular até uma telefoto curta, e geralmente não tem aberturas muito grandes.

Uma ótima aquisição, que pode ser feita logo assim que você comprar a câmera, é de uma lente 50mm com uma grande abertura, como f/1.8. Tanto a Canon quanto a Nikon possuem modelos acessíveis, na faixa de 100 dólares, e estas lentes são excepcionais, essenciais para muitos fotógrafos.

Durante anos, eu fotografei apenas com uma lente Canon 50mm f/1.8 e obtive imagens extraordinárias. São ótimas para situações com pouca luminosidade e a pouca profundidade de campo é impressionante.

Posteriormente, é muito possível que você sinta a vontade de comprar lentes melhores para complementar o seu equipamento, talvez uma grande-angular, uma telefoto ou até uma lente de zoom com maior qualidade. Prepare-se para pagar o preço por um upgrade como este, pois as lentes são caras, às vezes muito mais caras do que a própria câmera.

Só lembrando que lentes com distância focal fixa, isto é, sem zoom, costumam ser mais baratas e com qualidade ótica melhor do que boas lentes de zoom. Além disto, estas lentes fixas são ótimas para treinar o olhar, já que você se acostuma com aquela distância focal e é obrigado a se mover para se aproximar ou se afastar do sujeito fotografado, explorando as possibilidades e os diferentes ângulos, ao contrário das lentes de zoom, que basta girá-las para fazer a aproximação.

E depois?

Bem, depois você estará condenado!

Assim que você comprar a primeira Reflex, você vai querer lentes, trocar a Reflex por uma outra melhor, comprar flashes, comprar mais lentes, e todos os tipos de equipamentos disponíveis.

É um vício que se justificará nas fotos que você tirar.

Não lhe diga que eu não avisei.

E, para concluir, não se esqueça de ler o manual da sua câmera! Do começo ao fim...



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sábado, 11 de agosto de 2012

As câmeras do sonho de (quase) qualquer fotógrafo


Fotografar nunca foi tão popular quanto em nossos dias. E também nunca foi tão fácil comprar uma câmera fotográfica legal.
No entanto, mesmo com a popularização das câmeras compactas avançadas, mirrorless systems e das Reflex, com preços mais acessíveis e de fácil utilização, ainda existem algumas câmeras tão particulares (e caras!) que fazem muitos fotógrafos suspirarem pelo dia em que poderão ter uma.

A primeira desta listagem não poderia ser nada menos que...

Leica

A reputação das câmeras Leica (foto no topo) não vem de hoje.
Esta marca alemã foi a primeira a utilizar o formato 35mm de filme em suas câmeras e se estabeleceu na década de 1930 ao produzir algumas das melhores lentes jamais fabricadas pelo ser humano.


Mas foi na década de 50, com o lançamento da rangefinder Leica M3 que estas câmeras realmente entraram para a História.
Algumas das mais belas imagens já feitas foram tiradas com câmeras Leicas, que contavam com Henri Cartier-Bresson, Sebastião Salgado, Alexandr Rodchenko, Manuel Alvarez Bravo e vários outros entre seus adeptos.

O culto à Leica é quase uma religião, no entanto, os preços extraordinários das câmeras acabam afastando vários fotógrafos profissionais deste tipo de equipamento, já que não são todos que podem arcar com 7 mil dólares para o último modelo digital (só o corpo da câmera) e mais uns mil dólares para uma boa lente.

(Foto de Cartier-Bresson, tirada com uma Leica)

É um equipamento incrível para fotojornalismo e street photography, pois é uma câmera discreta, silenciosa e relativamente pequena em comparação à maioria das Reflex.

Se alguém um dia quiser me presentar com uma destas, já sabe onde me encontrar...

Hasselblad


Quando se trata de fotografia profissional de estúdio, seja para revistas ou anúncios publicitários, é difícil competir com as câmeras da Hasselblad, tanto em qualidade ótica e resolução quanto com o preço.

Uma câmera digital de último modelo da Hasselblad está custando em torno de 14 mil dólares, um produto tão caro que muitos fotógrafos são obrigados a fazer um leasing, ou simplesmente alugá-las por um dia ou dois, somente para fazer o ensaio fotográfico.


Outra alternativa são as antigas câmeras de filme que utilizam um fundo digital de altíssima resolução. A transição entre filme e digital também é cara, mesmo assim o fotógrafo pode continuar utilizando um equipamento confiável e de qualidade incomparável.


Só para você ter uma noção, desde 1969, a NASA utilizou câmeras Hasselblad adaptadas para fotografar as operações em solo lunar.

Se a NASA considera uma boa câmera, quem somos nós para duvidarmos?

Mamiya


Folheie qualquer revista famosa de moda e tenha a certeza que boa parte das fotos nelas foram tiradas com uma Hasselblad ou com uma Mamiya, duas marcas rivais quando se trata de imagens de alta resolução.



(foto tirada por Annie Leibovitz para a revista Vogue)


Assim como a rival, a Mamiya também se enveredou pelo mundo digital, produzindo grandes câmeras com preços salgadíssimos, mas também não deixou os antigos usuários de suas câmeras de filme na mão, lançando uma série de fundos digitais que podem ser utilizados em modelos antigos.

Inclusive, a tendência hoje em dia entre fotógrafos que desejam ingressar no mundo da fotografia de formato médio é comprar uma Mamiya usada (é possível encontrar ótimas câmeras de filme por volta de 300 dólares) e, quando for possível, comprar um fundo digital usado ou alugá-lo um por alguns dias.

Todavia, é preciso ser um bom fotógrafo para acertar nas fotos com uma câmera de filme como esta.

Rollei


Entre os fotógrafos de retratos, as queridinhas são as câmeras Rollei TLR (twins lens reflex, ou seja, reflex com duas lentes).

Elas se consagraram como lentes de filme, apesar de também ter disponíveis fundos digitais para quem puder pagar os 8 mil dólares ou mais para um equipamento destes.

(Retrato de Marylin Monroe, por Richard Avedon)

Um dos grandes fotógrafos que levam o nome da Rollei é Richard Avedon, um sujeito quase capaz de capturar a alma das pessoas em suas imagens e que se converteu num dos mais revolucionários retratistas das últimas décadas.

(James Dean com uma Rollei)

Assim como acontece com a Leica, há toda uma aura em torno das câmeras Rollei, quase uma idolatria.

Hubble


Desde 1990, o telescópio espacial Hubble, que custou 2,5 bilhões de dólares, tem revelado ao mundo as cenas mais belas e inacreditáveis do universo profundo.


Através de suas lentes superpotentes, pudemos ver galáxias, nebulosas, estrelas, planetas, sóis e tudo o mais que está a milhões de anos-luz do nosso planetinha Terra.


O consolo é que nenhum fotógrafo teria bala na agulha para comprar um Hubble, que é sem dúvida a câmera fotográfica mais poderosa e cara fabricada até o momento...

Por fim, não custa lembrar que o grande segredo por detrás de uma bela foto é um fotógrafo competente, mesmo assim, um equipamento de qualidade sempre ajuda.


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domingo, 4 de dezembro de 2011

Fotografar em formato .JPEG ou em .RAW?

JPEG vs RAW

Antes de tudo, se você fotografa com câmeras compactas, provavelmente você nem terá a opção de escolher entre diferentes formatos de arquivo para salvar suas imagens, apenas diferentes tamanhos de .JPEG.

A possibilidade de se fotografar em .RAW existe em praticamente todas as câmeras Reflex e em algumas compactas avançadas e é muito importante saber a diferença, as vantagens e desvantagens deste formato.

O que é .JPEG?

A extensão .JPEG é um formato comprimido de imagem que descarta certas informações consideradas desnecessárias durante o processamento da foto na câmera.
É um formato usado por inúmeros fabricantes de câmeras e é muito prático para divulgação de imagens pela internet, pois são arquivos pequenos e com qualidade bastante sastisfatória.

O que é .RAW?

Chamado por muitos fotógrafos de "negativo digital", o formato .RAW é arquivo fotográfico sem compressão e que preserva todas as informações obtidas pelo sensor fotográfico no momento em que a foto foi tirada.
São arquivos grandes e que necessitam de pós-processamento antes se tornarem imagens utilizáveis e compartilháveis.
Cada marca de câmera (e às vezes modelos dentro de mesma marca) possui seu próprio formato .RAW, não compatível com outras marcas.
Permite maior controle sobre a imagem final, porém é mais trabalhoso.

Fotografar em .JPEG ou em .RAW?

Esta é uma discussão que tem se tornado mais frequente entre os fotógrafos, principalmente quando algumas versões anteriores do formato .RAW se tornam inutilizáveis com o passar dos anos.

Pentax em .JPEG
(Fotografia tirada em .JPEG. Foto: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6454465275/)

As vantagens de se fotografar em .JPEG:
- arquivos pequenos e prontos para usar;
- universalmente utilizado pelos diferentes fabricantes de câmeras;
- exige pouco ou nenhum pós-processamento.

As desvantagens de se fotografar em .JPEG:
- perda de informações no processo de compressão;
- o fotógrafo precisa ajustar a função de controle de branco antes de obter a foto;
- permite poucas correções de exposição no pós-processamento.

Pentax em .RAW
(Fotografia tirada em .RAW. Foto: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6454480699/)

As vantagens de se fotografar em .RAW:
- a certeza de estar trabalhando com a imagem exatamente como ela foi obtida;
- poder alterar certas características da foto (como controle de branco, saturação, nitidez...) antes de convertê-la para outro formato;
- maior controle de correção de exposição sem perda de qualidade.

As desvantagens de se fotografar em .RAW:
- exige maior trabalho do fotógrafo;
- arquivos grandes e que necessitam de pós-processamento;
- cada marca possui sua própria extensão .RAW, não compatível com outras marcas;
- ocupam espaço maior no cartão de memória;
- necessitam de conversão para outro formato (.JPEG ou .TIFF) para compartilhamento.

Conclusão

A primeira vista, as duas fotos acima, em .JPEG e em .RAW, não são tão diferentes, mas o processo para trabalhar com elas é bastante diferente.
A imagem em .JPEG sai praticamente pronta da câmera. Você pode passar a foto para seu computador e publicá-la na internet sem nenhum drama.

Já a imagem em .RAW precisa ser trabalhada previamente num programa próprio da marca de sua câmera, ou em algum editor de imagens, como o Adobe Lightroom ou Photoshop.

Eu só fotografo em .RAW, fazendo uma triagem no Lightroom de quais são as melhores fotos, fazendo correções de exposição, nitidez, saturação, controle de branco, redução de ruído digital, contraste, tudo antes de converter a imagem para .JPEG.
É muito mais trabalhoso, mas, para mim, o resultado final da foto fica melhor do que com a imagem em .JPEG saindo direto da câmera.

A decisão sobre qual formato utilizar na câmera, .JPEG ou .RAW, dependerá exclusivamente de você e de quão dedicado você está em trabalhar sobre suas fotos.

Resultado final da pós-produção da imagem a partir de arquivo .RAW
Pentax K-1000 em P/B
(Foto: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6456044201/)




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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Introdução à fotografia 20 - Recorte (Cropping)

Statue of Liberty

A fotografia se assenta sobre alguns dos mesmos princípios das demais formas de Arte e, além dos princípios técnicos sobre os quais já falamos - ISO, velocidade do obturador, abertura de diafragma, distância focal -, um dos maiores segredos de uma boa foto é como os elementos de um quadro estão dispostos, o que chamamos de composição.

Existem várias técnicas de composição, e mais de uma pode estar presente numa foto.

Recorte (Cropping)

Uma imagem poderosa é aquela que nos capta desde o primeiro instante e nos obriga a examiná-la melhor.
No entanto, às vezes, uma fotografia pode conter tantos elementos, tanta coisa para se ver, que o espectador acaba se distraindo e não prestando atenção ao que é mais importante.
É nestas horas que o fotógrafo deve decidir, conscientemente, como recortar a imagem e determinar o que é o mais importante.

Veja estas duas imagens abaixo:

Chrysler Building

Aqui temos o Chrysler Building, em Nova York, cercado por outros prédios e, abaixo, a movimentada avenida cheia de carros. O Chrysler é um dos elementos da foto, em meio a vários outros elementos. Pode até ser o que mais chama atenção na foto, mas o conjunto é que nos dá a sensação dos arranhas-céus e da agitação urbana.

Chrysler Building

Já nesta outra, temos de perto o topo do Chyrsler Building, podemos ver suas janelas triangulares, a superfície reflexiva, podemos até ver as antenas. São vários detalhes que não podíamos visualizar na primeira foto, além disto, ao isolarmos o topo do prédio, deixamos muito claro qual é o tema.

Veja outros dois exemplos:

NY Gay Pride 2010

Esta foto, tirada durante a parada do orgulho gay em Nova York, mostra-nos duas pessoas em primeiro plano com um poodlezinho, eles desfilam na parada, já no segundo plano, há os espectadores do desfile. São vários elementos, mas que transmitem a ideia de uma parada colorida e cheia de pessoas.

NY Gay Pride 2010

Apesar de nesta segundo foto ainda termos vários elementos, como sujeitos no primeiro e no segundo plano, o recorte nos permite visualizarmos detalhes que haviam passado despercebidos na primeira foto, como a rosa na mão e a pomba sobre a cabeça do homem com barba e a riqueza de suas expressões, além disto, o desfocado no segundo-plano ressalta ainda mais os personagens adiante.

Como realizar um bom recorte (cropping)?

Um bom recsorte dependerá muito do seu bom senso e do que você deseja ressaltar numa imagem. Quanto mais elementos houver numa fotografia, mais disperso será o seu tema.
Devemos insistir que uma foto não é melhor do que a outra, são apenas duas maneiras diferentes de abordar um tema e apresentá-lo visualmente aos espectadores.

A primeira opção para realizar um recorte é utilizando uma lente com distância focal longa (telefoto) ou uma lente de zoom. Só lembrando que as diferentes distâncias focais proporcionam diferentes sensações espaciais numa fotografia e criam diferentes tipos de imagens.
A desvantagem de se usar uma lente para realizar o recorte é que você não terá a opção de desfazê-lo posteriormente: a imagem criada é definitiva, você não poderá ampliar os limites dela, poderá apenas recortá-la ainda mais.

A segunda opção é recortar uma imagem num software de edição de imagens, como o Photoshop ou o Lightroom, nos quais você poderá, após ter tirado a foto, alterá-la e recortá-la como desejar.
A desvantagem neste caso é a perda de resolução para recortes de seções muito pequenas de uma fotografia, e isto dependerá principalmente da resolução da câmera (megapixels) e também da qualidade da imagens. Câmeras melhores costumam ter imagens mais nítidas e com resolução melhor, que permitem recortes mais aproximados. Fotos de câmeras compactas nem sempre permitem grandes recortes.

Exercícios práticos

1 - Utilizando uma lente de zoom, ou duas lentes com distâncias focais diferentes (preferencialmente uma grande-angular e outra telefoto), tire duas fotos:

a - uma incluindo vários elementos em uma imagem;
b- outra recortando apenas um dos elementos.

Qual das duas ficou mais interessante na sua opinião?

2 - utilizando um programa de edição de imagens de sua preferência, escolha uma foto que você já tenha tirado que contenha vários elementos, como pessoas, animais ou objetos, e faça o recorte de apenas um destes elementos e salve num outro arquivo.

Como ficou o resultado final? O recorte é mais interessante do que a imagem original? A resolução da imagem final é boa ou houve perda perceptível de qualidade?

E não deixe de compartilhar conosco suas dúvidas, comentários ou o resultado de seus exercícios.

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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Tirando fotos melhores com sua câmera compacta

Camera compacta

Então você não é um profissional de fotografia nem pretende ser, tudo que você quer é uma câmera pequena, discreta e que tire boas fotos?

A boa notícia é que você não precisar ter uma Reflex nem trambolhos para obter boas fotos.
A má notícia é que quem tira boas fotos é o fotógrafo e não a câmera, ou seja, se você tiver uma baita câmera e não souber utilizá-la, as fotos serão ruins, mas se você souber como utilizar sua camerazinha, seus problemas estarão resolvidos.

Câmera Compacta - Central Park
(Foto tirada com uma compacta avançada da Panasonic)

Hoje em dia, existem trilhões de modelos e marcas de câmeras compactas, algumas são simples, baratas e com poucas funções, outras são caras, complexas e com mais funções do que você um dia conseguirá aprender a utilizar. Algumas câmeras compactas podem custar até mais caro do que Reflex introdutórias e, muitas delas, nem são tão pequenas assim. E se você estiver em dúvida se sua câmera é uma Reflex ou uma compacta, é quase certeza de que seja uma compacta.

A seguir, veremos algumas vantagens e desvantagens das câmeras compactas, para que você saiba quais são seus potenciais e limitações.

Vantagens
- as câmeras compactas costumam ser muito menores do que as Reflex, por isto, são mais discretas, fáceis de se carregar, cabem até no bolso e não fazem barulho na hora do clique.
Se você pretende fotografar dentro do metrô, ou em algum lugar que exija silêncio e discrição, uma compacta é uma ótima alternativa;

- costumam ser fáceis de usar, qualquer leigo pode apertar o botão e tirar uma foto. Se você está viajando e quer que alguém tire uma foto sua com uma bela paisagem atrás, será muito mais fácil encontrar alguém que saiba usar uma compacta do que alguém que use uma Reflex.

Câmera Compacta - Maragogi
(Foto tirada com uma câmera compacta à prova d'água da Panasonic, por: Denise Nappi)

- muitas tem qualidade de imagem satistatória e algumas chegam a ser excelentes. Além disto, existem modelos à prova de choque, ou à prova d'água, ou com funções especiais. Enquanto que comprar uma proteção para tirar fotos subaquáticas pode custar alguns milhares de dólares, com pouco dinheiro você tem uma alternativa razoável para se divertir.

Henry Bugalho
(Foto tirada em estúdio com uma câmera compacta avançada da Canon, por Denise Nappi)

- alguns modelos avançados podem ser tão bons que servem como câmera de backup para alguns professionais. Modelos top da Canon e Nikon não deixam nada a desejar a câmeras Reflex introdutórias, dentro de suas limitações. Se sua câmera tiver Modo Manual, você poderá aprender bastante e aperfeiçoar sua técnica fotográfica.

- como a maioria só fotografa em formato .JPEG, é ideal para quem quer clicar e pôr na internet para os amigos e parentes verem.

Desvantagens

- as câmeras compactas costumam ser lentas e dificilmente capturam bem movimentos rápidos. Em ambientes com pouca luminosidade pode ser um sofrimento obter uma foto que não esteja borrada.

- fotos tiradas com ISO alto costumam ter qualidade muito inferior (muito ruído digital) à câmeras Reflex.

- não proporcionam tanto controle ao fotógrafo, as funções são predeterminadas e limitadas.

- muitas são construídas com materiais fracos e não resistem a usos mais intensos, tendo problemas ou defeitos com frequência maior do que câmeras mais bem construídas. Além disto, o tempo de vida delas é inferior e se tornam obsoletas com incrível rapidez.

- A duração da bateria de uma câmera compacta tende a ser menor que uma Reflex.

- câmeras compactas não possuem, geralmente, aberturas de diafragma grandes, por isto é quase impossível obter um bom bokeh (aquele desfocado no segundo plano) com elas.

- Não impressionam os amigos! Ninguém vai pensar que você sabe tirar fotos se sair com uma compacta por aí.

Como tirar fotos melhores com sua câmera compacta

Câmera Compacta - Public Library
(Foto tirada com uma compacta avançada da Panasonic)

Mesmo que você não veja ou não entenda, os princípios por detrás do funcionamento de uma câmera compacta são idênticos aos de todas as demais câmeras: ISO, abertura de diafragma e velocidade do obturador.
Mesmo que sua câmera não tenha Modo Manual e não lhe permita controlar todas estas configurações, boa parte delas possuem as seguintes funcionaliadades.

Exposure Compensation

Camera compacta

Por mais inteligente que sua camerazinha seja, nem sempre ela dá uma bola dentro. Às vezes, com cenas muito escuras ou muito claras, ou com contraste alto, ela tem dificuldades para determinar qual a melhor exposição. No entanto, você pode ajudá-la na função "Exposure" (compensation), deixando a foto mais clara ou mais escura, dependendo do efeito desejado.

Controle de Branco

Camera compacta

Já explicamos que os diferentes tipos de iluminação possuem temperaturas distintas que afetam a tonalidade de suas fotos. Se você perceber que alguma coisa não está legal com as cores das fotos que você está tirando, tente ajustar a função White Balance (controle de branco). O efeito pode ser milagroso.

Macro

Camera compacta

Se você for fotografar um objeto ou pessoa muito perto da lente de sua câmera, como um inseto ou uma flor, por exemplo, ajustar a função Macro pode ajudar a obter uma foto mais interessante (às vezes, câmera nem enfoca objetos muitos próximos se não estiver em Macro), mas não se esqueça de desligá-la quando for fotografar paisagens.

Outras funções

Câmera Compacta
(Foto tirada com uma compacta da Ricoh)

As câmeras compactas comumente possuem Modos Criativos, para diferentes situações, preparando a melhor configuração da câmera para elas. É muito importante testar e aprender a utilizar estes Modos Criativos, pois é o único tipo de controle que você terá neste tipo de câmera.

Algumas também permitem controlar o ISO, que já é um ótimo começo, pois a qualidade da imagem pode se tornar imprestável depois de certo grau (que varia de câmera para câmera).

Conclusão

Câmera Compacta - Maragogi
(Foto tirada com uma câmera compacta à prova d'água da Panasonic. Eu é que não entraria com minha Reflex no mar)

Uma câmera compacta pode ser uma ótima ferramenta, tanto para um fotógrafo amador quanto para um profissional, se você souber como utilizá-la bem.

É impossível falarmos de todas as marcas e modelos do mercado e de suas funções, por isto, é fundamental que você leia o manual do fabricante do começo ao fim e explore sua câmera. Vá para a rua e tire a foto de tudo em diferentes condições de dia ou de noite.

Câmera Compacta
(Foto tirada com uma compacta da Nikon e com pós-processamento "pesado" em Photoshop)

Se você souber usar o Photoshop ou algum outro programa de edição de imagens, muitas fotos de câmeras compactas podem ser melhoradas, tanto em contraste, nitidez, saturação ou reduzir ruído digital no pós-processamento.

As técnicas de composição de uma boa foto são exatamente idênticas às de uma câmera Reflex, ou seja, basta estudar um pouco e praticar.
Com o tempo, você notará uma melhoria considerável em suas fotos e talvez até se interesse em avançar mais um passo e comprar uma câmera melhor, ou simplesmente perceba que uma câmera compacta é o suficiente para suas necessidades.



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A melhor referência para quem deseja aprender a tirar fotos melhores.