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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Filtro UV: usar ou não usar na lente?


Este é um dos pequenos debates polêmicos entre os fotógrafos e que pode até causar inimizades: usar ou não usar o filtro UV em suas lentes?

Tradicionalmente, os filtros UV eram usados para reduzir a incidência de raios ultravioletas, que podiam causar efeitos indesejados em filmes fotográficos.

No entanto, atualmente, apesar de as câmeras digitais não serem afetadas pelos raios UV, muitos fotógrafos ainda utilizam estes filtros com um único propósito: de protegerem suas lentes contra arranhões ou demais danos causados pelo uso.

Quando utilizar o filtro UV?


É difícil julgar pela cabeça do outro, mas desde que comprei minha primeira câmera Reflex e passei a estudar fotografia, praticamente em todas as fotos que tirei o filtro UV estava nas lentes.

Possuo um filtro UV para cada lente minha, de diferentes tamanhos de acordo com o diâmetro de cada lente específica. O ideal é sempre comprar o filtro na mesma loja e no mesmo instante em que você compra a lente e/ou a câmera. Algumas das melhores marcas são Hoya e Tiffen.

A minha lógica, ao usar um filtro, é a seguinte: as boas lentes custam caro, filtros bons são baratos. Se eu riscar uma lente, são algumas centenas ou até milhares de dólares para comprar uma nova. Se eu riscar um filtro, com 30 ou 40 dólares compro um outro.


Particularmente, não percebo nenhuma perda de qualidade ótica que me estimule a me arriscar a fotografar sem os filtros, e como sou um fotógrafo de viagens, sempre em movimento, com a câmera dentro da mochila, na praia, em ruas movimentadas, subindo e descendo escadas, e assim por diante, para mim os filtros são essenciais.

No entanto, sei de vários fotógrafos que não usam e não recomendam o uso.

Mas eu recomendo!

Quando não usar os filtros UV?


Por mais eficaz que um filtro seja na hora de proteger sua lente, em algumas situações ele poderá atrapalhar.
A partir do momento que você adiciona mais um elemento diante de sua lente, você estará sujeito a interferências desagradáveis em sua foto. Por causa de reflexos internos, sua imagem poderá ficar com flare, isto é, alguns círculos luminosos em pontos da foto.

Observe a imagem acima e tente perceber se há alguma coisa de errada com ela.

Está vendo quatro círculos verdes na parte superior direita da foto?


Estes círculos e outros dois reflexos marcados em vermelho nesta segunda imagem demostram o efeito que o filtro UV pode causar em suas fotos, principalmente em fotos noturnas, quando há vários focos de luz, como luzes de postes, faróis de carros, lâmpadas, etc.

Nestas circunstâncias, você terá duas escolhas: 1 - retirar o filtro e fotografar sem ele por alguns instantes, ou 2 - fotografar com o filtro e depois tentar corrigir as imagens no pós-processamento.

No primeiro caso, você estará expondo a sua lente a arranhões (e, não se engane, todo cuidado é pouco!), no segundo, você terá o trabalho de tentar arrumar a foto depois, o que nem sempre é possível.


Quando estou em situações controladas, usando um tripé e/ou sem muita gente por perto (como na imagem acima), não tenho nenhum receio em remover o filtro para fotografias noturnas, mas se for num show ou num ambiente muito movimentado, prefiro tentar corrigir a foto depois.

E você, fotografa com ou sem filtro em suas lentes?


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sábado, 5 de maio de 2012

Hoje é noite de fotografar a Lua!

(1/60 f/10 ISO 100, Superlua de 5 de maio de 2012http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/7146061117/)

Estão todos os jornais falando que, neste mês de maio (ou, melhor, na noite de 5 de maio), teremos a mais bela Lua cheia do ano de 2012.

E o óbvio é que todo o mundo, de astrônomos e amadores, estarão apontando suas câmeras para a Lua, querendo capturar a melhor imagem possível deste astro.

Os três equipamentos básicos para tirar uma boa foto da Lua são:

1 - uma câmera fotográfica (dãããã!) com Modo Manual;
2 - uma lente telefoto; e
3 - um tripé.

Além disto, é evidente que o céu tem de estar limpo para você conseguir tirar uma boa foto da Lua.

Escolhendo a melhor velocidade do obturador


Se você já tentou fotografar a Lua anteriormente, principalmente com câmeras compactas automáticas, imagino que deva ter obtido um resultado semelhante a este acima.

Por quê?

Como está de noite, o fotômetro da câmera faz uma medição de todo o quadro, avaliando as partes claras e escuras, e recomenda uma exposição intermediária.
Se você já se arriscou a fazer fotografias noturnas, já deve saber que, às vezes, necessitamos de longas exposições, de 1 segundo ou muito mais, para obter uma bela imagem à noite.

Na imagem acima (recorte), com a velocidade do obturador em 1 segundo e usando tripé, temos um disco branco sem nenhum detalhe. É isto que sua câmera pensa que é a melhor exposição neste caso.


Então, aceleramos bastante a velocidade do obturador, para 1/60 e obtivemos a imagem acima (recorte), ainda de um disco branco, mas com alguns detalhes no interior. Agora já está começando a se parecer com a Lua, mas ainda não é a foto que gostaríamos.


Para isto, deixamos o obturador mais rápido, em 1/160 e foi como obtivemos a imagem acima (recorte), já com bastantes detalhes, na qual podemos ver as crateras e mares da Lua.

A Lua e a Distância Focal de sua Lente


Na hora de fotografar a Lua, você desejará utilizar, a princípio, a lente telefoto com a maior distância focal possível.

Quanto mais longa, melhor, não é?

Mais ou menos, eu digo...

Eu tenho duas lentes telefoto longas no meu kit: uma Canon 70-200mm f/4 L, que é uma lente excepcional, e uma Canon 70-300mm f/4-5.6, que é uma lente excepcionalmente ruim.

Olhando na comparação acima, com as fotos originais, vemos que a lente de 300mm aproximou muito mais a Lua, no entanto, o problema está nos detalhes.


Quando recortamos as duas fotos, mesmo após a edição delas, podemos perceber claramente quão rica de detalhes é a imagem da Lua com a lente melhor (200mm), enquanto na telefoto mais longa (300mm) a imagem ficou um pouco menos nítida.

Apesar de ter recortado mais a foto com a lente de 200mm, ainda prefiro ela por causa dos detalhes mais nítidos.

Só lembrando que o uso do tripé é quase imprescindível, pois com uma distância focal longa, à noite, qualquer tremidinha já deixará sua foto bastante borrada.
A opção seria subir o ISO ao máximo, mas isto implicaria em perda de nitidez e, consequentemente, de detalhes.

Já ouvi alguns fotógrafos falando que usam telescópios em combinação com a câmera, mas não tenho ideia de como isto funciona, nem tenho um telescópio para testar.

Pós-processamento


Esta é a foto original da Lua tirada com uma lente 70-200mm, na distância focal máxima. Como você pode reparar, a Lua está bastante nítida, mas um pouco distante para podermos analisar a riqueza de detalhes do satélite.


Nesta situação, pós-processamento digital da foto é inevitável, primeiro recortando a foto.

Contudo, ainda não estamos muito satisfeitos com esta imagem. Ela não tem muito contraste, apesar de já podermos visualizar relativamente bem os acidentes na superfície lunar.


Por fim, no Adobe Lightroom, eu fiz algumas correções reduzindo o brilho (brightness) e aumentando o contraste (contrast) para acentuar as crateras, mares e outros acidentes. Além disto, aumentei o vibrance e também a nitidez (sharpness).

O único problema é que, por ser um recorte grande da imagem original, não podemos ampliá-la muito, senão haverá perda de resolução.

Fotografando a Lua de dia


Às vezes, mesmo durante o dia, a Lua dá as caras e para fotografá-la nestas situações não há segredo algum.

A única coisa que você deve realmente prestar atenção é, sempre ao usar lentes telefoto, manter uma velocidade do obturador mínima igual à distância focal. Por exemplo, se você estiver usando uma lente de 200mm, a velocidade do obturador mínima deve ser 1/200, preferencialmente mais se você estiver usando uma câmera que não seja full frame.
Esta é a sua garantia que a foto não ficará tremida.

De resto, basta expor a imagem de acordo com o fotômetro de sua câmera e correr pra galera!

Paisagens iluminadas pela Lua


Agora, se você deseja fotografar um cenário iluminado pela Lua, entraremos numa foto de longa exposição convencional, na qual você precisará de uma velocidade obturador mais lenta para capturar a iluminação ambiente.

Uma vez mais, você precisará de um tripé, ou de uma superfície plana para apoiar a câmera e, frequentemente, usar um disparador remoto ou o timer da câmera, pois o mero ato de clicar a câmera já pode fazer com que a foto fique tremida.

No entanto, já adianto, é impossível obter uma imagem nítida da Lua e, ao mesmo tempo, fazer uma foto de longa exposição. Você terá de escolher uma ou outra, ou usar o Photoshop para fazer uma montagem.

Sem filtros

Só lembrando que, ao se fotografar a Lua, o recomendável é retirar todos os filtros da lente, incluindo o UV, para evitar reflexos internos que criam um efeito indesejável na foto.

Mas, logo em seguida, recoloque o filtro.

Exercícios práticos


1 - usando uma lente telefoto (ou superzoom) e um tripé, tire três fotos da Lua, na abertura máxima da lente e ISO 100:

a - com uma velocidade lenta (de 1 segundo ou mais);
b - com uma velocidade intermediária (entre 1/30 e 1/60);
c - com uma velocidade rápida (acima de 1/160).

Conseguiu obter a exposição correta em qual destas velocidades?

Lembrando que, se você optar por uma abertura menor, terá de fazer os ajustes na velocidade.

2 - usando uma lente grande-angular ou normal e um tripé, tire fotos de um cenário iluminado pela Lua. Qual foi a configuração necessária para obter uma boa exposição?

3 - compartilhe conosco suas fotos da Lua no nosso grupo do Flickr.
http://www.flickr.com/groups/calabocaeclica/


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