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quarta-feira, 13 de junho de 2012

O que é Bokeh e como eu faço isto?

(1/30 f/4.5 ISO 400, por Denise Nappi: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6380090057/)

Bokeh é um nome bonitinho para designar aquele desfocado nas fotos, geralmente no primeiro ou segundo-plano de retratos.


Este é um efeito poderoso para realçar a tridimensionalidade da imagem, além de ser particularmente charmoso.

Como faço um Bokeh?

Como você já leu no artigo sobre profundidade de campo, a quantidade de elementos em foco numa imagem dependem de quatro fatores principais:

1 - da abertura de diafragma máxima da lente,
2 - da distância focal da lente,
3 - da distância entre o fotógrafo e o primeiro plano e
4 - da distância do primeiro para o segundo plano.

1 - A abertura de diafragma e o bokeh


Quanto maior for a abertura de diafragma da lente, menos elementos estarão em foco e mais acentuado será o bokeh.
Na imagem acima, foi utilizada uma lente bastante rápida, com abertura de f/1.4. Você pode perceber que apenas uma pequena seção da foto está em foco, todo o resto está com um suave desfocado.

2 - A distância focal e o bokeh


Comumente, você obterá um bokeh muito mais bonito com lentes longas, como telefotos, mesmo com aberturas de diafragma menores, como no caso acima, com uma lente de zoom em 75mm e abertura de diafragma em f/5.6.
Observe como somente o setor central da foto está em foco, e todo o restante com um agradável desfocado.


Este é exatamente o mesmo caso desta outra foto, numa distância focal de 176mm, na qual apenas uma pequena parte da imagem está em foco, e todo o restante está borrado.


É muito difícil de se obter um bokeh satisfatório usando uma lente grande-angular ou com aberturas pequenas, como no caso da foto acima, com uma lente de 24mm e uma abertura de f/9.

Você pode reparar que, ao contrário das outras fotos, tanto o primeiro plano quanto o segundo estão bastante nítidos e em foco.
Infelizmente, não há como burlar as leis da ótica, a não ser usando o Photoshop.

3 - A distância do fotógrafo para o primeiro plano e o bokeh



Quanto mais próximo você estiver do primeiro plano, maior será o desfocado do segundo plano, principalmente se este segundo plano estiver distante.
Na imagem acima, utilizamos uma abertura de diafragma mediana, de f/3.5, mas, em compensação, estávamos bem próximos da cabeça do Jesus morto. Isto permitiu um leve bokeh no segundo plano, no qual ainda podemos distinguir os traços de Maria, mas sem muita nitidez.


Este outro exemplo parte do mesmo princípio, com a câmera bastante próxima do primeiro plano e, consequentemente, com o segundo plano um pouco (ou bastante) desfocado.



Todavia, se o fotógrafo estiver distante do primeiro plano, mesmo que esteja usando uma telefoto com a abertura máxima, como na situação acima, na qual fotografamos este morro com uma lente em 163mm e abertura de f/4, o bokeh não será tão satisfatório.

Você pode constatar que o segundo plano, com as outras colinas e montanhas, ainda estão bastante em foco, mas isto porque o primeiro plano está muito distante da câmera.

4 - A distância entre o primeiro e o segundo plano e o bokeh


Neste autorretrato, apesar de estar com uma abertura pequena de f/11, por ser uma lente telefoto em 135mm, próxima do primeiro plano e bastante longe do segundo, temos um bokeh muito evidente.


Já nesta outra situação, estávamos distantes do primeiro plano, mas o segundo plano estava mais longe ainda, além de termos usado uma telefoto com a abertura máxima, por isto o desfocado perceptível.

Juntando tudo

O bokeh ideal é quando você consegue reunir estes quatro fatores. Em ordem de relevância, eu diria que em primeiro lugar vem a abertura de diafragma, depois uma lente telefoto, depois a distância entre o primeiro e o segundo plano e, por fim, a distância entre o fotógrafo e o primeiro plano.

Nos quatro exemplos abaixo, você poderá perceber algumas diferenças.





Foto tirada com telefoto, próximo do primeiro plano, distante do segundo plano com abertura pequena em f/8.
O fundo está completamente desfocado.


Foto tirada com grande-angular, próximo ao primeiro plano, distante do segundo com abertura do diafragma máxima em f/4.
Fundo parcialmente desfocado.



Foto tirada com grande-angular, próximo a primeiro plano, distante do segundo com abertura do diafragma pequena em f/8.
Fundo quase nítido.



Foto tirada com telefoto, um pouco distante do primeiro plano, bastante distante do segundo plano com abertura do diafragma máxima em f/4.
O fundo está bastante desfocado.

Conclusão

O bokeh é uma excelente técnica composicional da fotografia, que deixará suas fotos muito mais interessantes.
Ele depende de quatro fatores básicos e, com o tempo, a realização de um bom bokeh se tornará natural, já identificando em quais situações ou com que tipo de equipamento ficará mais agradável.

Exercícios práticos

1 - com uma lente telefoto (51mm ou mais longa) tire as seguintes fotos:

a - com abertura máxima, próximo do primeiro plano e com segundo plano distante;
b - com abertura máxima, distante tanto do primeiro quanto do segundo plano;
c - com uma abertura pequena (por exemplo, f/11),  próximo do primeiro plano e com segundo plano distante; e
d - com uma abertura pequena (por exemplo, f/11), distante tanto do primeiro quanto do segundo plano.



2 - repita estes mesmos exercícios com uma lente grande-angular (49mm ou mais curta).

Em quais destas fotos você reparou que o bokeh ficou mais aparente?

Por fim, compartilhe conosco seus resultados em nosso grupo do Flickr
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sábado, 5 de maio de 2012

Hoje é noite de fotografar a Lua!

(1/60 f/10 ISO 100, Superlua de 5 de maio de 2012http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/7146061117/)

Estão todos os jornais falando que, neste mês de maio (ou, melhor, na noite de 5 de maio), teremos a mais bela Lua cheia do ano de 2012.

E o óbvio é que todo o mundo, de astrônomos e amadores, estarão apontando suas câmeras para a Lua, querendo capturar a melhor imagem possível deste astro.

Os três equipamentos básicos para tirar uma boa foto da Lua são:

1 - uma câmera fotográfica (dãããã!) com Modo Manual;
2 - uma lente telefoto; e
3 - um tripé.

Além disto, é evidente que o céu tem de estar limpo para você conseguir tirar uma boa foto da Lua.

Escolhendo a melhor velocidade do obturador


Se você já tentou fotografar a Lua anteriormente, principalmente com câmeras compactas automáticas, imagino que deva ter obtido um resultado semelhante a este acima.

Por quê?

Como está de noite, o fotômetro da câmera faz uma medição de todo o quadro, avaliando as partes claras e escuras, e recomenda uma exposição intermediária.
Se você já se arriscou a fazer fotografias noturnas, já deve saber que, às vezes, necessitamos de longas exposições, de 1 segundo ou muito mais, para obter uma bela imagem à noite.

Na imagem acima (recorte), com a velocidade do obturador em 1 segundo e usando tripé, temos um disco branco sem nenhum detalhe. É isto que sua câmera pensa que é a melhor exposição neste caso.


Então, aceleramos bastante a velocidade do obturador, para 1/60 e obtivemos a imagem acima (recorte), ainda de um disco branco, mas com alguns detalhes no interior. Agora já está começando a se parecer com a Lua, mas ainda não é a foto que gostaríamos.


Para isto, deixamos o obturador mais rápido, em 1/160 e foi como obtivemos a imagem acima (recorte), já com bastantes detalhes, na qual podemos ver as crateras e mares da Lua.

A Lua e a Distância Focal de sua Lente


Na hora de fotografar a Lua, você desejará utilizar, a princípio, a lente telefoto com a maior distância focal possível.

Quanto mais longa, melhor, não é?

Mais ou menos, eu digo...

Eu tenho duas lentes telefoto longas no meu kit: uma Canon 70-200mm f/4 L, que é uma lente excepcional, e uma Canon 70-300mm f/4-5.6, que é uma lente excepcionalmente ruim.

Olhando na comparação acima, com as fotos originais, vemos que a lente de 300mm aproximou muito mais a Lua, no entanto, o problema está nos detalhes.


Quando recortamos as duas fotos, mesmo após a edição delas, podemos perceber claramente quão rica de detalhes é a imagem da Lua com a lente melhor (200mm), enquanto na telefoto mais longa (300mm) a imagem ficou um pouco menos nítida.

Apesar de ter recortado mais a foto com a lente de 200mm, ainda prefiro ela por causa dos detalhes mais nítidos.

Só lembrando que o uso do tripé é quase imprescindível, pois com uma distância focal longa, à noite, qualquer tremidinha já deixará sua foto bastante borrada.
A opção seria subir o ISO ao máximo, mas isto implicaria em perda de nitidez e, consequentemente, de detalhes.

Já ouvi alguns fotógrafos falando que usam telescópios em combinação com a câmera, mas não tenho ideia de como isto funciona, nem tenho um telescópio para testar.

Pós-processamento


Esta é a foto original da Lua tirada com uma lente 70-200mm, na distância focal máxima. Como você pode reparar, a Lua está bastante nítida, mas um pouco distante para podermos analisar a riqueza de detalhes do satélite.


Nesta situação, pós-processamento digital da foto é inevitável, primeiro recortando a foto.

Contudo, ainda não estamos muito satisfeitos com esta imagem. Ela não tem muito contraste, apesar de já podermos visualizar relativamente bem os acidentes na superfície lunar.


Por fim, no Adobe Lightroom, eu fiz algumas correções reduzindo o brilho (brightness) e aumentando o contraste (contrast) para acentuar as crateras, mares e outros acidentes. Além disto, aumentei o vibrance e também a nitidez (sharpness).

O único problema é que, por ser um recorte grande da imagem original, não podemos ampliá-la muito, senão haverá perda de resolução.

Fotografando a Lua de dia


Às vezes, mesmo durante o dia, a Lua dá as caras e para fotografá-la nestas situações não há segredo algum.

A única coisa que você deve realmente prestar atenção é, sempre ao usar lentes telefoto, manter uma velocidade do obturador mínima igual à distância focal. Por exemplo, se você estiver usando uma lente de 200mm, a velocidade do obturador mínima deve ser 1/200, preferencialmente mais se você estiver usando uma câmera que não seja full frame.
Esta é a sua garantia que a foto não ficará tremida.

De resto, basta expor a imagem de acordo com o fotômetro de sua câmera e correr pra galera!

Paisagens iluminadas pela Lua


Agora, se você deseja fotografar um cenário iluminado pela Lua, entraremos numa foto de longa exposição convencional, na qual você precisará de uma velocidade obturador mais lenta para capturar a iluminação ambiente.

Uma vez mais, você precisará de um tripé, ou de uma superfície plana para apoiar a câmera e, frequentemente, usar um disparador remoto ou o timer da câmera, pois o mero ato de clicar a câmera já pode fazer com que a foto fique tremida.

No entanto, já adianto, é impossível obter uma imagem nítida da Lua e, ao mesmo tempo, fazer uma foto de longa exposição. Você terá de escolher uma ou outra, ou usar o Photoshop para fazer uma montagem.

Sem filtros

Só lembrando que, ao se fotografar a Lua, o recomendável é retirar todos os filtros da lente, incluindo o UV, para evitar reflexos internos que criam um efeito indesejável na foto.

Mas, logo em seguida, recoloque o filtro.

Exercícios práticos


1 - usando uma lente telefoto (ou superzoom) e um tripé, tire três fotos da Lua, na abertura máxima da lente e ISO 100:

a - com uma velocidade lenta (de 1 segundo ou mais);
b - com uma velocidade intermediária (entre 1/30 e 1/60);
c - com uma velocidade rápida (acima de 1/160).

Conseguiu obter a exposição correta em qual destas velocidades?

Lembrando que, se você optar por uma abertura menor, terá de fazer os ajustes na velocidade.

2 - usando uma lente grande-angular ou normal e um tripé, tire fotos de um cenário iluminado pela Lua. Qual foi a configuração necessária para obter uma boa exposição?

3 - compartilhe conosco suas fotos da Lua no nosso grupo do Flickr.
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sábado, 7 de abril de 2012

Lente Fisheye, capturando o ângulo máximo de visão

(1/15 f/4 ISO 640, lente fisheye 13mm: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/7023292403/)

Não sou um grande fã de lentes fisheye (ou olho-de-peixe), lentes grande-angulares capazes de capturar ângulos de 180º ou mais, e que distorcem violentamente a imagem.

Vejo esta lente sendo utilizada bastante por fotógrafos de casamento, especialmente para retratar as festas de recepção. Enquanto que podem ser interessantes para certas circunstâncias, o efeito é muito limitador, na minha opinião. Por isto, jamais me interessei em comprar uma fisheye para compor o meu set de lentes.

Contudo, alguns dias atrás, enquanto eu fotografava a Basílica de São Pedro, no Vaticano, um fotógrafo americano parou do meu lado e começamos a conversar sobre câmeras e lentes. Ele me perguntou se eu queria fotografar com a fisheye que ele estava utilizando, uma Canon 8-15mm f/4 L, desta série de lentes excepcionais da marca. É óbvio que não hesitei.

Na foto no topo, você pode perceber algumas características bastante evidentes de uma lente fisheye, como o grande-ângulo de captura (isto porque eu nem estava usando a distância focal mínima de 8mm) e a grande distorção, como se fosse realmente um olho de peixe, isto porque eu reduzi um pouco a distorção no pós-processamento.
Você pode conferir a foto original abaixo.


Para que você tenha um parâmetro de comparação entre lentes com diferentes distâncias focais, seguem outros exemplos de grande-angulares, normal e telefoto.

17mm

50mm

70mm

Como você pode perceber, estas são 4 fotos muito diferentes e, neste caso particular, o uso da fisheye acabou sendo muito interessante.

Você tem alguma experiência com lentes fisheye ou fotos com este tipo de lente para compartilhar conosco?

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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Lente melhor: foto melhor?

East Village
(foto tirada com uma lente Canon 70-200mm f/4 L: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/4079252358/)

Sem dúvida, você já deve ter ouvido muito que o que faz uma boa foto não é uma câmera boa, mas sim uma lente boa.
Antes de tudo, o que faz uma foto ser boa ou não é o fotógrafo, o equipamento apenas o ajuda a expressar melhor a visão dele e, neste sentido, um equipamento melhor poderá significar uma qualidade de imagem superior.

Em grande parte, a recomendação de muitos fotógrafos para investir em lentes, e não no corpo da câmera, deve-se a um fator muito pragmático: as câmeras se tornam obsoletas rapidamente, enquanto as lentes durarão por muito mais tempo. Além disto, uma lente de altíssima qualidade poderá fazer a diferença na hora de capturar os detalhes e as cores daquilo que você está vendo.

Por que comprar lentes melhores?

Astor Place
(foto tirada com uma lente Canon 70-200mm f/4 L: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/4078499507/)

1 - qualidade ótica incomparável
Você ficará surpreso com a riqueza de detalhes que uma boa lente pode registrar.

2 - autofoco mais rápido
Isto pode representar a diferença quando se trata de fotografar alguma coisa em movimento. Se o autofoco for muito lento, ou impreciso, você poderá perder a imagem ou focar em algum outro elemento que não o desejado.

3 - maior durabilidade
Comumente, as lentes melhores possuem uma construção mais reforçada, algumas são à prova de clima, como chuva, neve, frio ou calor extremos. Para quem usa bastante o equipamento, ou está sempre se enfiando em mato, montanha ou praia, uma lente mais reforçada ajuda.

4 - bokeh mais agradável
As lentes melhores costumam proporcionar um bokeh (aquele desfocado no fundo) mais bonito.

5 - maior precisão
Os controles das lentes melhores, como de foco manual ou zoom, são mais precisos e suaves de se manusear. Em lentes mais baratas, o controle pode ser difícil ou impreciso.

6 - menos aberração cromática e flare
Aberração cromática é uma distorção causada por uma falha da lente em fazer as cores da luz convergirem no mesmo ponto, isto causa uma aura púrpura ou azulada ao redor de contornos, principalmente em situações de grande constraste. Chega a ser bastante problemática em lentes grande-angulares.
Flare é quando aparecem aqueles círculos de luz causado por reflexos nos elementos internos da lente. Lentes mais bem construídas tendem a ter um controle maior tanto de aberração cromática quanto de flare.

Lentes mais cara são melhores?

Via de regra sim. Infelizmente. Você deve pensar que não é à toa que algumas lentes custam 5 ou 10 mil dólares. Qualidade tem um preço, e custa caro!

Mesmo assim, é possível encontrar lentes incríveis em praticamente todas as faixas de preço. Entre as mais baratas estão as lentes 50mm, com grandes aberturas, como f/1.8, com qualidade ótica comparável a linhas melhores.
Na série L da Canon é possível encontrar boas lentes a partir de 600 dólares, ou menos se você comprar usada, como a extraordinária lente 70-200mm f/4 L, com uma qualidade ótica de cair o queixo.

Comparação de algumas lentes

Canon lenses (and a Sigma one)

Para você ter uma noção, fiz uma comparação com algumas lentes que possuo, algumas terríveis e outras excelentes, comparando-as em suas respectivas distâncias focais.
As lentes utilizadas foram: Canon 17-40mm f/4 L, Sigma 28-70mm f/2.8-4 DG, Canon 50mm f/1.4, Canon 70-200mm f/4 L, Canon 75-300mm f/4-5.6 II.

Nestas fotos que se seguem, foram utilizadas exatamente as mesmas configurações da câmera, 1/500 f/8 ISO 100. Não houve retoque digital.

28mm
Começamos o teste em 28mm, a distância focal mínima da Sigma 28-70mm f/2.8-4 DG, para compararmos com a Canon 17-40mm f/4 L, uma grande angular extraordinária da série L.

sigma vs canon 28mm

À primeira vista, as duas fotos são bastante parecidas, excetuando que a segunda, com a lente Canon, parece ser um pouco mais clara.

No entanto, quando fazemos um recorte de 100% na foto, podemos notar maiores diferenças.

sigma vs canon 28mm crop

Repare como há perda de detalhes na foto tirada com a lente Sigma, parece que a foto é até um pouco nevoenta. Se você ampliar a foto e se aproximar da porta do prédio, verá na imagem com a Sigma algumas linhas diagonais púrpura, que é causa pela aberração cromática da lente. O mesmo não ocorre com a lente da Canon.

50mm
As fotos que se seguem foram tiradas ainda com a Sigma 28-70mm f/2.8-4 DG, e comparada com uma lente Canon 50mm f/1.4, uma das melhores lentes da Canon dentro de sua faixa de preço, na minha opinião.

sigma vs canon 50mm

Novamente, à primeira vista, as fotos são bastante parecidas, mas quando fazemos um recorte de 100%, as diferenças são gritantes.

sigma vs canon 50mm crop

Neste segundo recorte, você pode perceber muito mais claramente a aberração cromática na porta da foto tirada com a Sigma, enquanto os detalhes estão melhor preservados com a 50mm da Canon.

200mm

É até deslealdade comparar uma das melhores telefotos (e das mais acessíveis) da série L da Canon, 70-200mm f/4 L, com esta outra telefoto também da Canon, barata, mal construída e com qualidade ótica que deixa a desejar, a 75-300mm f/4-5.6 II.

canon 200mm vs 300mm

Logo de cara já da para notar os detalhes melhor preservados pela Canon 70-200. Compare as texturas do prédio e você perceberá.
No entanto, quando fazemos um recorte de 100%, as diferenças chegam a ser ridículas de evidente.

canon 200mm vs 300mm crop

Quando ampliadas, a foto tirada com a lente 75-300mm parece meio borrada, quase como se estivesse um pouco fora de foco, também é possível perceber a aberração cromática nos contornos, uma tênue aura púrpura; já na da 70-200mm, os detalhes estão minuciosamente preservados, isto porque esta foto foi tirada a uma distância de quase 60 metros do prédio, talvez até um pouco mais longe.

Comparação de Bokeh

Por fim, fiz uma comparação de bokeh com duas lentes, a Sigma 28-70mm f/2.8-4 DG e a Canon 50mm f/1.4, com a mesma abertura f/4 (que era a máxima da Sigma na distância focal de 50mm).

bokeh comparison

Logo, é possível perceber sutis difereças de uma foto para outra, principalmente em se tratando de detalhes, mas que ficam evidentes quando ampliamos em 100%.

bokeh comparison crop

Repare na riqueza de detalhes e na textura que foram preservadas pela Canon 50mm. Na verdade, com esta abertura de f/4, não pudemos notar grandes diferenças no bokeh (no desfocado), mas, como a Canon 50mm chega até a f/1.4, esta é uma profundidade de campo bastante rasa e que permite uma grande uso criativo desta lente.

Conclusão

Para muita gente, isto pode parecer detalhes que farão pouca diferença para um leigo que veja as fotos. No fundo, é verdade.
No entanto, são os detalhes e as sutilezas que, às vezes, podem transformar uma foto boa numa imagem memorável.
Uma boa lente e uma boa câmera não farão milagres por si só, não se engane. Todavia, um bom equipamento nas mãos da pessoa certa é capaz de capturar fotos extraordinárias, que expressam todas as maravilhas da natureza e das pessoas.

Vale a pena gastar um pouquinho mais e comprar uma lente legal?

Vale! Se você gosta de fotografia, interesssa-se pelo assunto e deseja se aperfeiçoar, não vejo porque se contentar com lentes inferiores.
Mas, se fotografia for apenas um passatempo e usada para retratar as festas da família e suas viagens, não comprometa seu orçamento com um equipamento caro e que não terá tanto uso: utilize a lente do kit de sua Reflex e divirta-se.

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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Por que saio tão feio nas fotos?

Henry - retrato em grande-angular
(1/250 f/3.5 ISO 200, foto tirada por Denise Nappi com distância focal de 18mm: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6324374216/)

Se você é do tipo que odeia aparecer em fotos porque sempre fica feio, você está em boa companhia. Não é o único!

Podem existir algumas razões para que isto ocorra:

1 - você não é muito fotogênico;
2 - a iluminação não o privilegiou;
3 - o fotógrafo não era bom;
ou
4 - você é realmente feio pra burro!

No entanto, um dos fatores que mais podem influenciar na hora de se tirar um retrato é a distância focal da lente da câmera.
Você se lembra disto?

Recapitulando, distância focal é uma convenção utilizada para indicar o tipo de uma lente, começando com a grande-angular (uma lente com um ângulo de visão superior ao da visão humana), a normal (semelhante à visão humana) e telefoto (com ângulo de visão inferior ao da visão humana).
Uma das características das diferentes distâncias focais das lentes é que as lentes grande-angulares dilatam o espaço, enquanto as telefoto comprimem o espaço.

O que isto quer dizer?

Se você for fotografar uma paisagem com uma lente grande-angular, os elementos parecerão que estão mais longe do que realmente estão, as distâncias serão alongadas; se você fotografar a mesma paisagem com uma telefoto, as distâncias parecerão menores, com os elementos mais próximos uns dos outros.

E o que ocorre se fotografamos uma pessoa?

Henry - retrato em grande-angular

Aplicando a mesma lógica anterior, se fotografarmos uma pessoa com uma grande-angular, dilataremos o espaço, quer dizer, o nariz e a boca parecerão maior, haverá uma grande distorção do rosto, assim como ocorre num espelho convexo de um circo dos horrores.

Henry - retrato em telefoto
(1/250 f/3.5 ISO 200, foto tirada por Denise Nappi com distância focal de 55mm: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6324387356/)

No entanto, se fotografarmos esta mesma pessoa com uma lente telefoto, comprimiremos o espaço e reduziremos as proporções, tornando o nariz e os demais traços faciais mais harmônicos.

Veja os dois retratos meus acima. Na primeira foto, foi utilizada uma lente grande-angular com distância focal de 18mm. Repare como meu nariz, minha boca e os meus dentes ficaram enormes, e o rosto arrendondado.
Juro que não sou tão feio assim!

Na segunda foto, foi usada uma lente telefoto curta de 55mm. As proporções já são muito mais harmônicas e próximas da realidade.

Se usássemos uma lente mais longa, como uma de 100mm ou 200mm, obteríamos resultados ainda melhores.

Henry - montagem de retratos

Mas é somente quando colocamos uma foto ao lado da outra que reparamos como a distância focal pode influenciar num retrato. Até parece que são pessoas completamente diferentes!

O Perigo do Autorretrato

O que ocorre bastante, principalmente quando vemos as fotos dos perfis das pessoas na internet, no Facebook ou no Orkut, é um autorretrato tirado com uma câmera compacta.

Geralmente, as câmeras compactas possuem lentes com distâncias focais muito pequenas, ou seja, grande-angulares, que distorcem as imagens, como vimos acima.

Nestes casos, se fossemos responder à pergunta: Por que saio tão feio nas fotos?
Eu diria: Porque você tem os braços curtos demais.

Como as pessoas tiram fotos de si mesmas e não podem afastar muito a câmera para poderem utilizar uma distância focal longa (telefoto), elas são obrigadas a tirar em grande-angular e ficarem todas distorcidas e feias.

O ideal seria que outra pessoa tirasse o retrato, ou que o retratado apoiasse a câmera sobre alguma superfície plana, desse o zoom, pusesse no timer e tirasse a foto. Quanto mais zoom, melhor!

Autorretrato num avião
(1/6 f /4 ISO 640, autorretrato com distância focal de 17mm: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6324397830/)

Contudo, um autorretrato com uma grande angular também pode criar imagens interessantes, principalmente em algumas situações nas quais você não tem mais ninguém em quem contar.

Mesmo assim, o ideal é sempre utilizar o maior zoom (distância focal) possível.

Quando fotografar com uma telefoto, ou com uma grande-angular?

Henry - Retrato
(1/200 f/10 ISO 320. Retrato tirado por William Mantovani com distância focal 78mm: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6324407890/)

Na maioria das situações, você optará por uma telefoto para retratos, pois criará fotos mais bonitas e deixará as proporções do retratado mais harmoniosas.
Telefoto também são ótimas para fotografias de paisagens, pois comprimem o espaço e criam imagens muito interessantes.

Crianças de Kinmen, Taiwan
(1/80 f/9 ISO 100, com distância focal de 17mm: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6324405492/)

Por outro lado, fotojornalistas e fotógrafos de rua muitas vezes preferem lentes grande-angulares, pois podem ficar mais próximos da ação e capturar um maior ângulo de visão.
Algumas das fotografias mais extraordinárias em zonas de conflito ou em situações de tumulto foram obtidas com lentes grande-angulares, pois criam imagens dramáticas e poderosas, mesmo que não privilegiem as proporções dos retratados.

Além disto, lentes grande-angulares são ótimas para espaços fechados ou apertados, quando você precisa fotografar grandes grupos a uma curta distância, ou em cidades com edifícios altos.

Particularmente, eu adoro fotografar com uma grande-angular, pois é possível obter fotos únicas e impressionantes.

Se você não gosta dos retratos que tira, ou daqueles nos quais você aparece, as sugestões são:

1 - afaste-se;
2 - dê zoom (maior distância focal)
3 - tire a foto.

Eu lhe garanto que seus retratos ficarão muito melhores de hoje em diante.

Exercícios práticos

1 - tire duas fotos de alguém, ou de si mesmo, com a mesma configuração da câmera:
a - com uma lente grande angular (ou com pouco zoom), isto é, menor do que 50mm, bem próximo do rosto da pessoa;
b - com uma lente telefoto (ou com muito zoom), isto é, maior do que 50mm, afastando-se da pessoa retratada.

Qual das duas fotos ficou melhor em sua opinião?



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