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domingo, 27 de janeiro de 2013

Brincando com as dimensões - técnicas ridículas com sua câmera que muita gente adora

(1/1000 f/5 ISO 100, foto por Denise Nappi: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/8419275671/)

Você já deve ter visto aquelas fotos nas quais a pessoa parece ser maior do que prédios (como a acima), ou nas que pequenos objetos parecem ser maiores que pessoas, ou prédios.

Este é apenas efeito de ótica e, se você se lembrar do artigo sobre lentes e distância focal, saberá que lentes grande-angulares alongam as distâncias, enquanto telefotos encurtam as distâncias.

Para realizar tais brincadeiras, o ideal é uma lente grande-angular, quanto menor a distância focal melhor. Na imagem acima, usamos uma lente de 38mm.


O princípio desta técnica é muito simples. O objeto ou pessoa que você quer que fique grande deve estar próximo da câmera, enquanto o objeto, pessoa ou edifício que você quer que fique pequeno deve estar distante.

Por exemplo, eu estou a uns 2 metros da câmera, enquanto a Torre de Pisa está uns 200 metros para trás. Com uma lente grande-angular, que alonga as distâncias, e também com um ponto de vista com a fotógrafa agachada, tem-se a impressão que eu sou um gigante perto da torre.


Nesta segunda foto, usamos uma garrafa no primeiro plano, bem próxima à lente de uma câmera compacta (talvez uns 30cm) e uma pessoa a uns 5 ou 6 metros da câmera.


Isto dará a impressão que a garrafa é imensa.

Agora, para conseguir ajustar certinho como a pessoa ficará em relação ao edifício (como a Torre de Pisa) ou ao objeto (como a garrafa), você terá de dar uma de flanelinha, orientando a pessoa para se mover de um lado a outro até ficar na posição correta.
"Pra direita! Mais pra esquerda! Levanta a mão"


Nem sempre é possível obter a perfeição, mas como é apenas uma brincadeira, quem se importa?

Esta técnica é muito divertida para se fazer com os amigos nas férias, quando dá aquela bobeira e não se tem mais nada para se fazer. Os resultados sempre causam algumas belas risadas.

Exercícios práticos

1 - com sua câmera com lente grande-angular (a maior parte das compactas já serve), tire uma foto diante de um edifício ou monumento distante, mas com a pessoa bem próxima da câmera;

2 - tire uma foto de um objeto próximo à lente com a pessoa um pouco mais longe.

Como ficaram os resultados?

Compartilhe conosco seus experimentos em nosso grupo do Flickr.
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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Onde está o Wally? - Erros de fotografia que todos nós já cometemos um dia


Olhe bem para esta foto acima.

O que é que está sendo fotografado? Qual é o tema principal dela?

São as ruínas do fóro romano, aquele casal parado no lado direito, as duas meninas do lado esquerdo? O que o fotógrafo quis representar?

Na verdade, este é o tipo de imagem parecido a "Onde está o Wally?", com aquele personagem de camisa listrada de vermelho e branco que quase some em meio a tanta informações e cores.


O tema da imagem sou eu, quase no centro da foto, mas eu estou tão distante (propositalmente) da fotógrafa, utilizando uma lente grande-angular, que dilata o espaço, que quase não posso ser visto.

Volte para a primeira foto e tente me encontrar agora. Conseguiu?

Este é um equívoco comum quando alguém deseja mostrar um cenário muito interessante, ou com muitos elementos distrativos, e quando a pessoa se afasta demais para integrar-se neste cenário.


Nesta foto, é possível saber logo de cara qual é o tema: o casal nesta viela italiana. No entanto, eles estão distantes da câmera, também com uma lente grande-angular, que suas feições mal podem ser discernidas.

Aliás, há um segundo erro nesta fotografia acima (e isto não foi intencional), que é o fato de a imagem estar borrada. Como eu usei uma velocidade do obturador relativamente baixa, qualquer tremidinha com a câmera já faz com que a foto fique borrada. Só fui perceber isto quando já estava em casa, conferindo as fotos no computador.

A Solução


Para o complexo de "Onde está o Wally?", a solução é bastante simples: peça para o sujeito retratado se aproximar da câmera, ou dê zoom.
Na imagem acima, foi feito um pouco dos dois. Eu me aproximei da fotógrafa, e ela também deu um pouco de zoom.
Apesar de eu estar cercado por outras pessoas, com as ruínas atrás, é possível perceber claramente o quem é o tema da imagem, principalmente porque sou o único olhando para a câmera.


O mesmo ocorreu nesta segunda foto. Além de eu ter me aproximado do casal retrado, ainda dei um zoom na lente (e, melhor do que isto, estava segurando bem a câmera, por isto a foto não ficou tremida).

Ainda é possível visualizar a viela atrás deles, mas tivemos de escolher entre retratar o casal, ou mostrar a bela arcada sobre nós.
Nem sempre se pode capturar tudo numa única imagem e, frequentemente, menos é mais.


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sábado, 7 de abril de 2012

Lente Fisheye, capturando o ângulo máximo de visão

(1/15 f/4 ISO 640, lente fisheye 13mm: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/7023292403/)

Não sou um grande fã de lentes fisheye (ou olho-de-peixe), lentes grande-angulares capazes de capturar ângulos de 180º ou mais, e que distorcem violentamente a imagem.

Vejo esta lente sendo utilizada bastante por fotógrafos de casamento, especialmente para retratar as festas de recepção. Enquanto que podem ser interessantes para certas circunstâncias, o efeito é muito limitador, na minha opinião. Por isto, jamais me interessei em comprar uma fisheye para compor o meu set de lentes.

Contudo, alguns dias atrás, enquanto eu fotografava a Basílica de São Pedro, no Vaticano, um fotógrafo americano parou do meu lado e começamos a conversar sobre câmeras e lentes. Ele me perguntou se eu queria fotografar com a fisheye que ele estava utilizando, uma Canon 8-15mm f/4 L, desta série de lentes excepcionais da marca. É óbvio que não hesitei.

Na foto no topo, você pode perceber algumas características bastante evidentes de uma lente fisheye, como o grande-ângulo de captura (isto porque eu nem estava usando a distância focal mínima de 8mm) e a grande distorção, como se fosse realmente um olho de peixe, isto porque eu reduzi um pouco a distorção no pós-processamento.
Você pode conferir a foto original abaixo.


Para que você tenha um parâmetro de comparação entre lentes com diferentes distâncias focais, seguem outros exemplos de grande-angulares, normal e telefoto.

17mm

50mm

70mm

Como você pode perceber, estas são 4 fotos muito diferentes e, neste caso particular, o uso da fisheye acabou sendo muito interessante.

Você tem alguma experiência com lentes fisheye ou fotos com este tipo de lente para compartilhar conosco?

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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Lente melhor: foto melhor?

East Village
(foto tirada com uma lente Canon 70-200mm f/4 L: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/4079252358/)

Sem dúvida, você já deve ter ouvido muito que o que faz uma boa foto não é uma câmera boa, mas sim uma lente boa.
Antes de tudo, o que faz uma foto ser boa ou não é o fotógrafo, o equipamento apenas o ajuda a expressar melhor a visão dele e, neste sentido, um equipamento melhor poderá significar uma qualidade de imagem superior.

Em grande parte, a recomendação de muitos fotógrafos para investir em lentes, e não no corpo da câmera, deve-se a um fator muito pragmático: as câmeras se tornam obsoletas rapidamente, enquanto as lentes durarão por muito mais tempo. Além disto, uma lente de altíssima qualidade poderá fazer a diferença na hora de capturar os detalhes e as cores daquilo que você está vendo.

Por que comprar lentes melhores?

Astor Place
(foto tirada com uma lente Canon 70-200mm f/4 L: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/4078499507/)

1 - qualidade ótica incomparável
Você ficará surpreso com a riqueza de detalhes que uma boa lente pode registrar.

2 - autofoco mais rápido
Isto pode representar a diferença quando se trata de fotografar alguma coisa em movimento. Se o autofoco for muito lento, ou impreciso, você poderá perder a imagem ou focar em algum outro elemento que não o desejado.

3 - maior durabilidade
Comumente, as lentes melhores possuem uma construção mais reforçada, algumas são à prova de clima, como chuva, neve, frio ou calor extremos. Para quem usa bastante o equipamento, ou está sempre se enfiando em mato, montanha ou praia, uma lente mais reforçada ajuda.

4 - bokeh mais agradável
As lentes melhores costumam proporcionar um bokeh (aquele desfocado no fundo) mais bonito.

5 - maior precisão
Os controles das lentes melhores, como de foco manual ou zoom, são mais precisos e suaves de se manusear. Em lentes mais baratas, o controle pode ser difícil ou impreciso.

6 - menos aberração cromática e flare
Aberração cromática é uma distorção causada por uma falha da lente em fazer as cores da luz convergirem no mesmo ponto, isto causa uma aura púrpura ou azulada ao redor de contornos, principalmente em situações de grande constraste. Chega a ser bastante problemática em lentes grande-angulares.
Flare é quando aparecem aqueles círculos de luz causado por reflexos nos elementos internos da lente. Lentes mais bem construídas tendem a ter um controle maior tanto de aberração cromática quanto de flare.

Lentes mais cara são melhores?

Via de regra sim. Infelizmente. Você deve pensar que não é à toa que algumas lentes custam 5 ou 10 mil dólares. Qualidade tem um preço, e custa caro!

Mesmo assim, é possível encontrar lentes incríveis em praticamente todas as faixas de preço. Entre as mais baratas estão as lentes 50mm, com grandes aberturas, como f/1.8, com qualidade ótica comparável a linhas melhores.
Na série L da Canon é possível encontrar boas lentes a partir de 600 dólares, ou menos se você comprar usada, como a extraordinária lente 70-200mm f/4 L, com uma qualidade ótica de cair o queixo.

Comparação de algumas lentes

Canon lenses (and a Sigma one)

Para você ter uma noção, fiz uma comparação com algumas lentes que possuo, algumas terríveis e outras excelentes, comparando-as em suas respectivas distâncias focais.
As lentes utilizadas foram: Canon 17-40mm f/4 L, Sigma 28-70mm f/2.8-4 DG, Canon 50mm f/1.4, Canon 70-200mm f/4 L, Canon 75-300mm f/4-5.6 II.

Nestas fotos que se seguem, foram utilizadas exatamente as mesmas configurações da câmera, 1/500 f/8 ISO 100. Não houve retoque digital.

28mm
Começamos o teste em 28mm, a distância focal mínima da Sigma 28-70mm f/2.8-4 DG, para compararmos com a Canon 17-40mm f/4 L, uma grande angular extraordinária da série L.

sigma vs canon 28mm

À primeira vista, as duas fotos são bastante parecidas, excetuando que a segunda, com a lente Canon, parece ser um pouco mais clara.

No entanto, quando fazemos um recorte de 100% na foto, podemos notar maiores diferenças.

sigma vs canon 28mm crop

Repare como há perda de detalhes na foto tirada com a lente Sigma, parece que a foto é até um pouco nevoenta. Se você ampliar a foto e se aproximar da porta do prédio, verá na imagem com a Sigma algumas linhas diagonais púrpura, que é causa pela aberração cromática da lente. O mesmo não ocorre com a lente da Canon.

50mm
As fotos que se seguem foram tiradas ainda com a Sigma 28-70mm f/2.8-4 DG, e comparada com uma lente Canon 50mm f/1.4, uma das melhores lentes da Canon dentro de sua faixa de preço, na minha opinião.

sigma vs canon 50mm

Novamente, à primeira vista, as fotos são bastante parecidas, mas quando fazemos um recorte de 100%, as diferenças são gritantes.

sigma vs canon 50mm crop

Neste segundo recorte, você pode perceber muito mais claramente a aberração cromática na porta da foto tirada com a Sigma, enquanto os detalhes estão melhor preservados com a 50mm da Canon.

200mm

É até deslealdade comparar uma das melhores telefotos (e das mais acessíveis) da série L da Canon, 70-200mm f/4 L, com esta outra telefoto também da Canon, barata, mal construída e com qualidade ótica que deixa a desejar, a 75-300mm f/4-5.6 II.

canon 200mm vs 300mm

Logo de cara já da para notar os detalhes melhor preservados pela Canon 70-200. Compare as texturas do prédio e você perceberá.
No entanto, quando fazemos um recorte de 100%, as diferenças chegam a ser ridículas de evidente.

canon 200mm vs 300mm crop

Quando ampliadas, a foto tirada com a lente 75-300mm parece meio borrada, quase como se estivesse um pouco fora de foco, também é possível perceber a aberração cromática nos contornos, uma tênue aura púrpura; já na da 70-200mm, os detalhes estão minuciosamente preservados, isto porque esta foto foi tirada a uma distância de quase 60 metros do prédio, talvez até um pouco mais longe.

Comparação de Bokeh

Por fim, fiz uma comparação de bokeh com duas lentes, a Sigma 28-70mm f/2.8-4 DG e a Canon 50mm f/1.4, com a mesma abertura f/4 (que era a máxima da Sigma na distância focal de 50mm).

bokeh comparison

Logo, é possível perceber sutis difereças de uma foto para outra, principalmente em se tratando de detalhes, mas que ficam evidentes quando ampliamos em 100%.

bokeh comparison crop

Repare na riqueza de detalhes e na textura que foram preservadas pela Canon 50mm. Na verdade, com esta abertura de f/4, não pudemos notar grandes diferenças no bokeh (no desfocado), mas, como a Canon 50mm chega até a f/1.4, esta é uma profundidade de campo bastante rasa e que permite uma grande uso criativo desta lente.

Conclusão

Para muita gente, isto pode parecer detalhes que farão pouca diferença para um leigo que veja as fotos. No fundo, é verdade.
No entanto, são os detalhes e as sutilezas que, às vezes, podem transformar uma foto boa numa imagem memorável.
Uma boa lente e uma boa câmera não farão milagres por si só, não se engane. Todavia, um bom equipamento nas mãos da pessoa certa é capaz de capturar fotos extraordinárias, que expressam todas as maravilhas da natureza e das pessoas.

Vale a pena gastar um pouquinho mais e comprar uma lente legal?

Vale! Se você gosta de fotografia, interesssa-se pelo assunto e deseja se aperfeiçoar, não vejo porque se contentar com lentes inferiores.
Mas, se fotografia for apenas um passatempo e usada para retratar as festas da família e suas viagens, não comprometa seu orçamento com um equipamento caro e que não terá tanto uso: utilize a lente do kit de sua Reflex e divirta-se.

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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Por que saio tão feio nas fotos?

Henry - retrato em grande-angular
(1/250 f/3.5 ISO 200, foto tirada por Denise Nappi com distância focal de 18mm: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6324374216/)

Se você é do tipo que odeia aparecer em fotos porque sempre fica feio, você está em boa companhia. Não é o único!

Podem existir algumas razões para que isto ocorra:

1 - você não é muito fotogênico;
2 - a iluminação não o privilegiou;
3 - o fotógrafo não era bom;
ou
4 - você é realmente feio pra burro!

No entanto, um dos fatores que mais podem influenciar na hora de se tirar um retrato é a distância focal da lente da câmera.
Você se lembra disto?

Recapitulando, distância focal é uma convenção utilizada para indicar o tipo de uma lente, começando com a grande-angular (uma lente com um ângulo de visão superior ao da visão humana), a normal (semelhante à visão humana) e telefoto (com ângulo de visão inferior ao da visão humana).
Uma das características das diferentes distâncias focais das lentes é que as lentes grande-angulares dilatam o espaço, enquanto as telefoto comprimem o espaço.

O que isto quer dizer?

Se você for fotografar uma paisagem com uma lente grande-angular, os elementos parecerão que estão mais longe do que realmente estão, as distâncias serão alongadas; se você fotografar a mesma paisagem com uma telefoto, as distâncias parecerão menores, com os elementos mais próximos uns dos outros.

E o que ocorre se fotografamos uma pessoa?

Henry - retrato em grande-angular

Aplicando a mesma lógica anterior, se fotografarmos uma pessoa com uma grande-angular, dilataremos o espaço, quer dizer, o nariz e a boca parecerão maior, haverá uma grande distorção do rosto, assim como ocorre num espelho convexo de um circo dos horrores.

Henry - retrato em telefoto
(1/250 f/3.5 ISO 200, foto tirada por Denise Nappi com distância focal de 55mm: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6324387356/)

No entanto, se fotografarmos esta mesma pessoa com uma lente telefoto, comprimiremos o espaço e reduziremos as proporções, tornando o nariz e os demais traços faciais mais harmônicos.

Veja os dois retratos meus acima. Na primeira foto, foi utilizada uma lente grande-angular com distância focal de 18mm. Repare como meu nariz, minha boca e os meus dentes ficaram enormes, e o rosto arrendondado.
Juro que não sou tão feio assim!

Na segunda foto, foi usada uma lente telefoto curta de 55mm. As proporções já são muito mais harmônicas e próximas da realidade.

Se usássemos uma lente mais longa, como uma de 100mm ou 200mm, obteríamos resultados ainda melhores.

Henry - montagem de retratos

Mas é somente quando colocamos uma foto ao lado da outra que reparamos como a distância focal pode influenciar num retrato. Até parece que são pessoas completamente diferentes!

O Perigo do Autorretrato

O que ocorre bastante, principalmente quando vemos as fotos dos perfis das pessoas na internet, no Facebook ou no Orkut, é um autorretrato tirado com uma câmera compacta.

Geralmente, as câmeras compactas possuem lentes com distâncias focais muito pequenas, ou seja, grande-angulares, que distorcem as imagens, como vimos acima.

Nestes casos, se fossemos responder à pergunta: Por que saio tão feio nas fotos?
Eu diria: Porque você tem os braços curtos demais.

Como as pessoas tiram fotos de si mesmas e não podem afastar muito a câmera para poderem utilizar uma distância focal longa (telefoto), elas são obrigadas a tirar em grande-angular e ficarem todas distorcidas e feias.

O ideal seria que outra pessoa tirasse o retrato, ou que o retratado apoiasse a câmera sobre alguma superfície plana, desse o zoom, pusesse no timer e tirasse a foto. Quanto mais zoom, melhor!

Autorretrato num avião
(1/6 f /4 ISO 640, autorretrato com distância focal de 17mm: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6324397830/)

Contudo, um autorretrato com uma grande angular também pode criar imagens interessantes, principalmente em algumas situações nas quais você não tem mais ninguém em quem contar.

Mesmo assim, o ideal é sempre utilizar o maior zoom (distância focal) possível.

Quando fotografar com uma telefoto, ou com uma grande-angular?

Henry - Retrato
(1/200 f/10 ISO 320. Retrato tirado por William Mantovani com distância focal 78mm: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6324407890/)

Na maioria das situações, você optará por uma telefoto para retratos, pois criará fotos mais bonitas e deixará as proporções do retratado mais harmoniosas.
Telefoto também são ótimas para fotografias de paisagens, pois comprimem o espaço e criam imagens muito interessantes.

Crianças de Kinmen, Taiwan
(1/80 f/9 ISO 100, com distância focal de 17mm: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6324405492/)

Por outro lado, fotojornalistas e fotógrafos de rua muitas vezes preferem lentes grande-angulares, pois podem ficar mais próximos da ação e capturar um maior ângulo de visão.
Algumas das fotografias mais extraordinárias em zonas de conflito ou em situações de tumulto foram obtidas com lentes grande-angulares, pois criam imagens dramáticas e poderosas, mesmo que não privilegiem as proporções dos retratados.

Além disto, lentes grande-angulares são ótimas para espaços fechados ou apertados, quando você precisa fotografar grandes grupos a uma curta distância, ou em cidades com edifícios altos.

Particularmente, eu adoro fotografar com uma grande-angular, pois é possível obter fotos únicas e impressionantes.

Se você não gosta dos retratos que tira, ou daqueles nos quais você aparece, as sugestões são:

1 - afaste-se;
2 - dê zoom (maior distância focal)
3 - tire a foto.

Eu lhe garanto que seus retratos ficarão muito melhores de hoje em diante.

Exercícios práticos

1 - tire duas fotos de alguém, ou de si mesmo, com a mesma configuração da câmera:
a - com uma lente grande angular (ou com pouco zoom), isto é, menor do que 50mm, bem próximo do rosto da pessoa;
b - com uma lente telefoto (ou com muito zoom), isto é, maior do que 50mm, afastando-se da pessoa retratada.

Qual das duas fotos ficou melhor em sua opinião?



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sexta-feira, 22 de abril de 2011

Introdução à Fotografia 5 - Lentes e distância focal: normal, grande-angular e tele

Canon lenses (and a Sigma one)

Uma boa lente pode fazer muita diferença numa foto.

Lentes com qualidade superior proporcionam fotos mais nítidas, com cores mais fiéis, com menos aberração cromática (do que falaremos em breve), mais resistentes a impacto e ao clima.

O tipo de lente também influenciará muito no resultado final, pois lentes com diferentes distâncias focais criam imagens completamente distintas, e abrem inesgotáveis possibilidades criativas.

Todas as fotos abaixo foram tiradas desde o mesmo ponto, com lentes de diferentes distâncias focais.

Lente normal

Manhattan skyline 50mm
(lente 50mm, 1/50 f/6.3 ISO 100. Foto: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/5625814613/)

Baseado nas câmeras de filme 35mm, uma lente de 50mm é considerada como uma lente normal, pois se aproxima muito da visão do olho humano.
Por criar imagens semelhantes ao que vemos todos os dias, é o tipo de lente favorita de muitos fotógrafos, como de Cartier-Bresson, que fotografou com lentes de 50mm durante quase toda sua carreira.

Grande-angular

Manhattan skyline 17mm
(lente em 17mm, veja como as distâncias parecem imensas. 1/400 f/7.1 ISO 200. Foto: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/5625834511/)

Como o nome sugere, as lentes grande-angulares capturam imagens com ângulos maiores do que a visão humana (e do que as lentes de 50mm).
Uma das características mais marcantes deste tipo de lente é o fato de passar a sensação de dilatar o espaço.
Por exemplo, se você fotografar uma pessoa de perto, com montanhas atrás, parecerá que as montanhas estão longe e bem pequenas, enquanto a pessoa parecerá muito maior.
Há grande distorção do espaço e das formas, que pode ser muito interessante em vários casos, mas não favorece muito para retratos, pois tende a alongar narizes, queixos, bocas, deixando as pessoas um tanto disformes, ainda mais em lentes de 14mm para baixo.
Lentes que capturam em ângulo de 180º são conhecidas como fisheye, pois dão a impressão de ser um olho de peixe, com imagens totalmente distorcidas.

Telefoto

Manhattan Skyline 70mm
(Lente em 70mm, 1/2500 f/4 ISO 125. Foto: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/5625806435/)

Lentes telefoto tem distâncias focais mais longas que 50mm e com ângulos mais reduzidos.
São perfeitas para fotografar pessoas ou objetos distantes, além de comprimirem o espaço, aproximando o segundo-plano ao primeiro. São lentes ótimas para retratos de pessoas, pois diminuem o nariz e deixam as proporções mais harmoniosas.

Manhattan skyline 200mm
(Lente em 200mm, 1/1000 f/4 ISO 100. Foto: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/5626486058/)

Costumam ser lentes caras, principalmente em distâncias focais longas, como 400mm para cima, usadas por fotógrafos esportivos ou paparazzi.

Lentes de Zoom

Manhattan skyline 100mm
(Lente em 100mm, veja como os prédios parecem estar perto uns dos outros. 1/1000 f/4 ISO 100. Foto: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/5626491286/)

As lentes com distância focal fixa, como 50mm, 80mm, 24mm, etc., geralmente tem um custo mais baixo e tiram fotos melhores, além de também permitirem aberturas de diafragma maiores.

No entanto, existem no mercado lentes de zoom, que possuem várias distâncias focais, muitas vezes partindo de grande-angular até telefoto. Estas lentes de zoom indicam em seu corpo da distância focal menor até a maior, por exemplo, 24-105mm, quer dizer, esta lente pode fotografar em várias distâncias focais, começando em grande-angular (de 24mm até 49mm), passando por normal (50mm), até telefoto (de 51mm até 105mm).

São lentes versáteis e usadas bastante por fotógrafos que necessitam de várias distâncias focais sem o inconveniente de trocar de lentes. As lentes de zoom de qualidade superior costumam ser muito mais caras do que as lentes fixas de qualidade superior.

No entanto, na maioria das vezes, não possuem aberturas tão grandes quanto as lentes fixas e, usualmente, tem aberturas máximas diferentes para certas distâncias focais. Uma lente de 18-55mm, como lente do kit da Canon, tem abertura de diafragma máxima em 18mm de f/3.5, enquanto que em 55mm a abertura máxima é de f/5.6 (indicada na lente como 1:3.5-5.6).
Isto pode ser uma grande desvantagem se você precisar de lentes rápidas.

Distância focal e velocidade do obturador
Outro detalhe muito importante é a relação entre distância focal e a velocidade do obturador.
Recomenda-se que a velocidade do obturador mínima seja igual à distância focal da lente, para não correr o risco de a foto ficar borrada, a não ser que se esteja utilizando um tripé.

Por exemplo, se você está utilizando uma lente de 200mm, a velocidade do obturador mínima recomendada é de 1/200. Se você quiser fotografar em velocidade de 1/100 com esta mesma lente, o ideal é montar a câmera num tripé.
Outro caso, com uma lente de 28mm, a velocidade mínima seria de 1/30, em velocidade mais lentas, opte por um tripé.

Isto não quer dizer que você não consiga tirar fotos nítidas com velocidades inferiores ao da distância focal sem tripé, mas é preciso pulso firme, ou apoiar-se em muretas, em postes, ou em qualquer outra coisa que estiver no caminho.

Full frame e crop factor
As distâncias focais padrão indicadas acima foram determinadas a partir das câmeras de filme, porém, na era digital, são poucas as câmeras com sensor full frame, isto é, com o sensores do tamanho exato do quadro de uma câmera de filme 35mm.
A maioria das câmeras digitais contemporâneas tem sensores menores, conhecido como crop factor, o que afeta a distância focal das lentes. Os crop factors mais comuns são de 1.6 e 1.3, valor pelo qual você multiplicará a distância focal de sua lente, caso deseje saber realmente qual será o efeito na foto.
Por exemplo, uma lente de 50mm, normal numa câmera full frame, será uma telefoto de 80mm numa câmera com crop factor de 1.6.
Uma lente de 30mm equivalerá a uma de 50mm, ou seja, a uma lente normal, numa câmera com crop factor de 1.6, e uma grande-angular de 14mm equivalerá a uma de 22mm.
Enquanto que isto é, na maioria dos casos, uma desvantagem, para telefotos pode aumentar bastante o alcance de uma lente, já que uma lente de 300mm equivale, em crop factor 1.6, a uma de 480mm.

Exercícios práticos

1 - Com a lente de zoom que veio com a sua Reflex, ou com diferentes zoom da sua câmera compacta, tire três fotos de um mesmo objeto:

a - com a menor distância focal possível, tire uma foto bem de perto do objeto;
b - com uma distância focal intermediária 35mm ou 50mm, afaste-se um pouco e fotografe o objeto;
c - com a maior distância focal possível, afaste um pouco mais e tire a foto do objeto.

Analise as fotos e veja se percebe alguma diferença, tanto no objeto fotografado quanto no que o circunda. Consegue perceber a compressão e a dilatação do espaço?

2 - Com sua lente de zoom e sem mudar de posição, tire três fotos de um mesmo objeto distante (prédio, pessoa, carro estacionado):

a - com a menor distância focal possível;
b - com uma distância focal intermediária 35mm ou 50mm;
c - com a maior distância focal possível.

Quais são as diferenças que você percebe entre estas três fotos?

3 - Com a maior distância focal possível da sua lente, tire duas fotos em Modo Manual (M), ajustando sua exposição como o fotômetro da câmera indica:

a - uma com a velocidade do obturador mínima (se a lente for de 100mm, a velocidade deverá ser 1/100, por exemplo);
b - uma com a velocidade do obturador bem abaixo do mínimo (se a lente for de 100mm, tire a foto em 1/15, por exemplo).

Conseguiu manter a foto nítida ou ela ficou borrada?

E compartilhe conosco suas fotos, dúvidas ou comentários.

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