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segunda-feira, 7 de julho de 2014

Introdução à fotografia 1 - Aprendendo o controlar o ISO da câmera

Cusco à noite
(Foto noturna de Cusco, Peru, em ISO 800: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/5614470347/)

O ISO é como se mede a sensibilidade do filme fotográfico, e esta mesma medida foi adaptada para as câmeras digitais também.

Quanto menor o ISO, menos sensível à luz é o filme, quanto maior o ISO, mais sensível à luz.
Isto se reflete na fotografia de duas maneiras: 1 - filme lentos (com ISO menor) são mais nítido, mas necessitam de maior exposição à luz; 2 - filmes rápidos (com ISO maior) tem grânulos maiores, ou mais ruído em câmeras digitais, mas necessitam de menor exposição à luz.

Praia do Gunga
(Foto diurna da praia do Gunga em ISO 100: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/4943835274/)

No começo da fotografia, isto no final do século XIX, a sensibilidade das películas era tão baixa, que para se tirar uma fotografia precisava-se de horas.
Por outro lado, atualmente tem havido uma revolução do ISO, com câmeras digitais com ISO tão alto que são capazes de fotografar quase em escuridão total.

A sequência padrão do ISO começa em 100 (apesar de existir ISO mais baixo) e segue adiante, dobrando de sensibilidade a cada gradação. Segue abaixo a listagem do ISO.

100 - 200 - 400 - 800 - 1600 - 3200 (e assim por diante, dobrando a cada incremento).

Um filme de ISO 200 é duas vezes mais sensível que um de ISO 100, e um de ISO 800 é 8 vezes mais sensível que o mesmo de ISO 100, e exige bem menos luminosidade.

Em condições de boa luminosidade, como num dia ensolarado, você provavelmente optará pelo ISO mais baixo possível, pois a foto ficará mais nítida e com menos ruído digital.
Já em ambientes com pouca luminosidade, como à noite ou em ambientes internos, você terá de aumentar o ISO, o que fará com que sua câmera seja mais sensível à luz e torne a foto mais clara.

A influência do ISO numa fotografia poderá ser observada abaixo, com o uso de difentes configurações de ISO.

ISO 100
Cala a boca e clica! - ISO 100

ISO 100 (recorte em 100%)
Cala a boca e clica! - ISO 100 crop

ISO 400
Cala a boca e clica! - ISO 400

ISO 400 (recorte em 100%)
Cala a boca e clica! - ISO 400 crop

ISO 1600
Cala a boca e clica! - ISO 1600


ISO 1600 (recorte em 100%)
Cala a boca e clica! - ISO 1600 crop

Em muitas câmeras, o ruído digital (os pontinhos na fotografia) começa a ficar bastante discernível depois de ISO 800. Muitas vezes, o ruído pode ser arrumado parcialmente na pós-edição, mas é algo que se deve pensar na hora de tirar uma foto.

Particularmente, eu prefiro uma foto com ruído digital do que não tirá-la.

As câmeras compactas são, porém, muito mais afetadas pelo ruído de um ISO alto do que as profissionais. Para comparação, abaixo segue o recorte de um foto tirada em ISO 1600 com uma câmera compacta.

ISO 1600 numa câmera compacta (recorte em 100%)
Calaboca e clica - ISO 1600 point-and-shoot crop

Ao contrário de outros controle manuais, geralmente só existentes em câmeras mais sofisticadas, várias câmeras compactas permitem a seleção de diferentes configurações de ISO, o que é ótimo na hora de obter o melhor desempenho de sua câmera.

Para saber como alterar o ISO de sua câmera, recomendo a leitura do manual do fabricante, que o ensinará todas as funções para o modelo e marca da câmera.

Exercícios práticos

1 - descubra onde fica a função ISO em sua câmera e, no modo automático (nas câmeras compactas), ou em Program (P, nas câmeras Reflex), tire uma foto de um mesmo objeto ou paisagem para cada setting de ISO: em 100, 200, 400, 800 e 1600.
Depois, ao passar as fotos para o computador, veja se você percebe alguma diferença entre as fotos.

2 - faça este mesmo experimento com ISO 100, 200, 400, 800 e 1600, em diferentes condições de luminosidade: num dia ensolarado, dentro de casa, à noite.
Confira o resulta e veja se percebe alguma diferença. Não se importe muito, neste momento, com a qualidade da foto, ou se ela está borrada ou não.

E não deixe de compartilhar suas dúvidas, constatações ou comentários conosco.

http://www.flickr.com/groups/calabocaeclica/


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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Tudo borrado - Erros de fotografia que todos nós já cometemos um dia


Duas das situações mais desafiadoras para um fotógrafo são: 1 - fotografar bem à noite e 2 - fotografar bem pessoas, animais ou objetos em movimento.

Se você reunir estas duas condições, isto é, fotografar à noite algo em movimento, então você estará diante de uma missão quase impossível.

Todos nós tiramos fotos borradas, por isto, você não deve se martirizar. Com câmeras compactas, é extremamente complicado obter boas imagens em condições de pouca luminosidade, ou em cenas com movimento.
No entanto, mesmo com uma Reflex, ainda mais se estiver em Modo Manual, você terá de ajustar as configurações de velocidade do obturador, abertura de diafragma e ISO até conseguir a exposição correta, e isto pode implicar em alguns quadros de teste.

O que faz com que uma foto fique borrada?

Velocidade do obturador lenta demais


A velocidade do obturador será a função que o permitirá congelar o movimento. Quanto mais lenta ela for, maior serão as possibilidades de sua foto ficar borrada, seja por causa do movimento do sujeito fotografado, como na imagem acima, seja por causa do movimento do próprio fotógrafo, como na imagem abaixo.


Para objetos ou sujeitos estáticos, a velocidade do obturador mínima recomendável caso você esteja segurando a câmera (isto é, sem tripé) é de 1/15.
É possível obter imagens nítidas com velocidades mais lentas, mesmo sem um tripé, no entanto, você precisará de pulso firme.

Além disto, quanto maior for a distância focal da sua lente, maior será a velocidade mínima recomendável para obter uma foto nítida. Por exemplo, com uma lente de 50mm, a velocidade mínima deveria ser 1/50; já para uma lente de 300mm, a velocidade mínina seria de 1/300.

Fora de foco


Outras vezes, mesmo com uma velocidade do obturador bastante rápida, ainda assim você acabará com uma foto borrada.
Nem sempre é culpa da velocidade. Em alguns casos, o problema pode ser o foco.

Repare na imagem acima.
Apesar de ser uma foto de dois cães em movimento, que já poderia estar borrada pelo próprio deslocamento dos animais, mesmo usando uma velocidade alta de 1/400, os dois cachorros estão borrados.
No entanto, se você observar bem o segundo plano, verá que está tudo nítido. O que ocorreu é que o foco ficou no segundo plano, assim, o primeiro plano ficou ligeiramente borrado.

Velocidade lenta + fora de foco


Quando fotografamos à noite, ou em situações com pouca iluminação, sua câmera terá uma dificuldade natural de obter o foco, demorando muito mais do que o habitual.

Além disto, em situações com movimento, também existirá uma dificuldade normal de se obter o foco, pois, às vezes, o sujeito retratado estará mais próximo da câmera, em outras, mais distante.


Agora reúna estas duas situações. Com pouca iluminação, a velocidade do obturador terá de ser mais lenta e será mais demorado obter o foco. Com objeto em movimento, você terá dificuldades para focar corretamente.
Esta é a fórmula para a desgraça.


Sob estas condições, há grandes chances que você obtenha uma foto:

a - borrada, por causa da velocidade lenta do obturador;
b - desfocada; ou
c - borrada e desfocada.

As Soluções

A primeira solução básica para obter uma foto nítida em condições de pouca luminosidade e/ou em movimento é subir o ISO, abrir a abertura de diafragma e tentar manter uma velocidade do obturador mínima equilavente à da distância focal da lente (por exemplo, para uma lente 100mm, velocidade mínima de 1/100, e não se esqueça do crop factor!).

A segunda solução, que nem sempre poderá ser utilizada, é fotografar com flash. Todavia, de nada adianta usar o flash para fotografar um show, por exemplo, se você estiver 50 metros longe do palco.
O alcance do flash é limitado a poucos metros, por isto, é patético ficar fotografando um sujeito lá do outro lado do planeta com flash.


A terceira solução implica em gastar um pouco para comprar uma lente rápida, isto é, com uma grande abertura de diafragma. As lentes 50mm f/1.8 ou f/1.4 são ótimas para quem precisa fotografar em ambientes escuros.
Com uma grande abertura, você poderá jogar a velocidade do obturador lá para cima, garantindo uma foto nítida.

Por fim, às vezes não conseguimos perceber se a foto ficou completamente nítida no visor da câmera e só descobrimos depois, no computador, que ela está um pouco borrada.
Nestes casos, o pós-processamento não ajuda muito, então só resta deixar estas fotos de lado e selecionar as que ficaram boas.
Além disto, algumas fotos borradas até acabam ficando artísticas, apesar de isto não ser o usual.


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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Como fotografar raios e relâmpagos?


Na minha opinião, fotografar relâmpagos e raios, principalmente raios, é uma das coisas mais difíceis na fotografia.

Não porque a técnica para isto seja muito complicada, mas porque você não tem como prever quando haverá as condições propícias para este tipo de fotografia.
Você nunca terá 100% de certeza que trovejará e relampejará num dia de chuva e, o que é pior, que você estará num ângulo bom para tirar as fotos.

Tudo dependerá da natureza.

Ajustando sua câmera para fotografar raios e relâmpagos


Os princípios básicos para se fotografar numa situação com relâmpagos e raios são exatamente os mesmos para a fotografia de longa exposição.

Quanto mais tempo você deixar o obturador aberto, mais luz o sensor da câmera capturará, e quanto mais alto estiver o ISO, mais ruído digital aparecerá em sua foto. Tenha sempre em mente estes dois fatores, velocidade do obturador e ISO, numa fotografia noturna.

Além disto, você necessitará de um tripé (ou uma superfície plana para apoiar a câmera) e, se possível, de um disparador remoto.


O disparador remoto é um acessório como o da foto acima, que é encaixado na câmera e com o qual você pode disparar o obturador sem precisar pressionar o botão na câmera.
Além disto, o disparador possui uma trava, assim você pode deixar o obturador aberto por quanto tempo desejar, até horas de for o caso.

Um acessório como este custa baratinho no Ebay, basta fazer a busca por "shutter release" e a marca de sua câmera. No entanto, certifique-se que sua câmera possui uma entrada específica para o disparador, pois nem todos os modelos tem esta entrada.

Além disto, você precisará de lentes específicas para as condições e para a distância da tempestade. Nestas fotos, usei uma lente 200mm, pois a chuva estava bem longe, para lá das montanhas.


Assim como com qualquer outra fotografia de longa exposição, os primeiros quadros serão para testar as configurações da câmera e ter uma noção se a foto ficou com a exposição correta.

Por exemplo, nesta imagem acima, em ISO 100, abertura de diafragma de f/8 e 19 segundos de exposição, uma das primeiras que tirei durante a tempestade, a imagem ficou bastante subexposta.


Já nesta segunda imagem, reduzimos ainda mais a velocidade do obturador, para 30 segundos, aumentamos a abertura para f/4 e subimos o ISO para 400, e a foto ficou bastante superexposta.

Conclusão: a exposição correta estaria em algum meio termo.


Mantendo o ISO e a abertura na mesma configuração, só alteramos a velocidade do obturador para 10 segundos e obtivemos a exposição desejada.

A minha técnica principal para fotografar os raios foi a seguinte:

1 - realizo o foco automático em alguma seção distante e iluminada da imagem, travando o foco em manual, assim a câmera não tentará refocar depois.
2 - em modo Bulb, isto é com o obturador aberto pelo tempo que eu desejar (para isto, tem a trava do disparador remoto), eu disparo a câmera, aguardando os relâmpagos e os raios.
3 - destravo o disparador, fechando o obturador.

Nesta tempestade fotografada, o tempo médio entre os relâmpagos era entre quinze e trinta segundos, ou seja, era o intervalo que eu tinha para abrir o obturador e aguardar.

Eu até recomendaria alguns exercícios práticos, mas raios e relâmpagos são condições tão particulares que não há como prever. Precisar ter sorte (ou azar, na opinião de alguns).

Ah, por favor, se sua câmera não for à prova de d'água, não fique esperando o pé d'água alcançá-lo!

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terça-feira, 31 de julho de 2012

O Milagre da Longa Exposição


Se você já tentou fotografar à noite, deve ter descoberto que existem dificuldades particulares quando há pouca luminosidade, e que pode ser muito complicado obter fotos que não estejam tremidas.

Você se lembra da tríade velocidade do obturador/abertura de diafragma/ISO?

Então sabe que, quanto menor for a iluminação ambiente, mais lenta terá de ser a velocidade, maior a abertura e mais alto o ISO, caso desejemos uma fotografia bem exposta.

O que veremos agora é um caso muito especial de fotografia, conhecida como Longa Exposição.

Basicamente ela consiste numa imagem criada com velocidades do obturador bastante lentas, que faz com que o sensor da câmera capture mais luz por muito mais tempo.

O que eu necessito para uma fotografia de longa exposição?


Velocidade do obturador
Antes de tudo, você necessita de uma câmera que possua Modo Manual e que o permita a menor velocidade do obturador possível (por exemplo, 30 segundos), ou com a opção "bulb", quando o obturador fica aberto pelo tempo que você desejar.
A maioria das câmeras Reflex pode ser programada para fotografar em longa exposição, e várias compactas avançadas também.

Tripé
O segundo acessório essencial é um tripé, ou uma superfícia plana onde você possa apoiar sua câmera. Se suas fotos noturnas ficam sempre borradas é porque você não tem respeitado a seguinte regrinha básica: para se fotografar segurando a câmera, a velocidade do obturador mínima deve ser igual ou superior à distância focal de sua lente para se obter uma foto nítida.
Isto quer dizer que, se você estiver fotografando com uma lente de 100mm, a velocidade mínima para a foto não ficar tremida será 1/100 ou superior. 1/50 para uma lente 50mm, ou 1/30 para uma lente 35mm.
No entanto, à noite pode ser difícil encontrar as condições necessárias para uma velocidade do obturador rápida.

Isto não significa que será impossível fotografar uma foto nítida segurando a câmera com velocidades mais lentas, pois alguns fotógrafos tem pulso firme e cada um tem uma técnica própria para que a foto não fique tremida. No entanto, será MUITO difícil que você consiga uma foto nítida numa exposição de 5 segundos, por exemplo.

Existem tripés de todos os tamanhos e preços. Tome cuidado: quando for procurar um tripé, compre um que seja específico para máquinas fotográficas, pois os que são para filmadoras não permitem o ajuste para modo retrato, somente para paisagem. Também evite comprar tripés muito frágeis e que talvez quebrem com facilidade, para não ter de ficar comprando um atrás do outro.

Disparador remoto
Quando se trata de longas exposições, qualquer vibração, mesmo do vento ou a de apertar o botão da câmera, pode fazer com que a imagem fique ligeiramente tremida.
Para evitar isto, um disparador remoto é bastante útil, principalmente porque você pode travá-lo e, em bulb, você pode deixar o obturador aberto por quanto tempo desejar, até por horas, se for o caso.
Agora, se você não possui um disparador remoto, o ideal é usar o timer da câmera para 10 segundos. Assim, você aperta o botão e, depois de 10 segundos, a câmera já terá parado de vibrar.

Entendendo a fotografa de longa exposição


Enquanto houver luz é possível fotografar, mesmo que leve horas para a câmera capturar a exposição correta.
Veja estas duas imagens acima, da vista de minha varanda à noite.
Ambas as fotos foram tiradas em ISO 100 e abertura em f/8.
A primeira, com velocidade do obturador de 1.3 segundos é exatamente como a paisagem se parece ao olhar humano, é aquilo que vemos.
Já na segunda foto, com velocidade do obturador de 918 segundos (ou seja, mais de 15 minutos de exposição), temos uma paisagem tão iluminada que parece como se fosse pouco antes do pôr do sol.
Se você ampliar as imagens, verá uns riscos brancos no céu da segundo foto: aquilo ali são as estrelas em movimento, pois com o obturador aberto por tanto tempo, o sensor capturou o rastro das estrelas em seu percurso, assim como na foto no topo capturamos as luzes dos carros na rua.

Nas duas fotos acima, tiradas com ISO 100 e f/4, temos o mesmo cenário com duas velocidades do obturador diferentes.
Na primeira, que é como o olho humano enxerga, em velocidade de 1.3", só vemos alguns pontinhos luminosos num breu quase total.
Na segunda imagem, em velocidade de 90 segundos, todos aqueles pontinhos luminosos se tornaram casas, postes de rua e carros em movimento.


Nesta terceira sequência, todas tiradas em ISO 100 e f/4, temos três fotos tiradas em longa exposição. A primeira em 77 segundos, a segundo em 365 segundos e a última em 619 segundos.
Perceba a diferença de luminosidade entre as fotos e quão clara a última ficou.

A dificuldade da longa exposição é que você não tem como prever como a foto ficará enquanto não houver aguardado todos os segundos ou minutos de exposição, pois o fotômetro da câmera é de pouca serventia em condições de baixa luminosidade.
Além disto, você geralmente optará por fotografar em ISO 100 ou o menor ISO possível, pois terá fotos com pouco ou nenhum ruído digital, extremamente nítidas e belas.

Alguns exemplos de fotografia de longa exposição


Esta imagem do panorama urbano de Nova York foi obtida com uma velocidade de 1 segundo, que já é uma exposição longa, mas, como se tratava de um cenário bastante iluminado, não havia necessidade de um tempo muito prolongado.
Foi usado um tripé e um disparador remoto.


Foto da Ponte do Brooklyn tirada em 1.3 segundos, com tripé e disparador remoto.


Paisagem noturna da Perúgia, na Itália, em 20 segundos, com tripé e disparador remoto. Tempo o suficiente para capturar o brilho das estrelas, mas sem deixar aquele rastro delas.


Foto tirada num lago em Taiwan, em 5 segundos.
Este foi um cenário problemático, pois eu estava sem tripé e tiver de apoiar a câmera numa mureta. Para que os barcos não ficassem borrados por causa do movimento da água, nem que o restante do cenário ficasse tremido pelo meu movimento do braço segurando a câmera sobre a mureta, tive de optar por um ISO alto e uma velocidade do obturador mais rápida.


Torre de uma igreja em Santiago do Chile, tirada em 30". Como eu não tinha tripé, apoiei a câmera numa grade que havia na janela e usei o timer da câmera para dispará-la.

Exercícios práticos

1 - utilizando sua câmera em Modo Manual, ISO 100 e abertura de f/8, usando um tripé ou apoiando sua câmera sobre uma superfície plana, tire três fotos noturnas:

a - em velocidade do obturador em 1 segundo;
b - em velocidade do obturador em 15 segundos; e
c - em velocidade do obturador em 30 segundos.

Qual delas ficou melhor?

2 - se possível, encontre um cenário urbano, com prédios e com ruas movimentadas, e tire três fotos:

a - em velocidade do obturador em 1 segundo;
b - em velocidade do obturador em 15 segundos; e
c - em velocidade do obturador em 30 segundos.

Qual delas ficou melhor? Alguma delas ficou clara de demais? Conseguiu capturar os rastros de luzes dos carros passando?

3 - Compartilhe conosco o resultado de seus experimentos com longa exposição em nosso grupo do flickr
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sexta-feira, 8 de junho de 2012

Dúvida do leitor - Os ajustes introduzidos (brilho, contraste e saturação) alteram de alguma forma a resolução ou "granulação" da imagem?

No artigo O que é brilho, contraste e saturação?, o leitor Roberto propôs uma série de indagações sobre pós-processamento, então, nos próximos artigos do Cala a Boca e Clica! exploraremos mais a fundo tais questões, começando por:

Os ajustes introduzidos (brilho, contraste e saturação) alteram de alguma forma a resolução ou "granulação" da imagem?

Antes de tudo, temos de fazer uma distinção entre "resolução" e "granulação".

Como já explicamos em Quanto mais megapixels melhor, né?, resolução indica o número de pixels, ou os pontinhos que compõem a imagem.
A princípio, o pós-processamento de uma foto não afeta em nada a resolução da imagem, que depende exclusivamente da resolução da câmera, indicada em megapixels.
Só haverá uma perda de resolução caso haja recortes na foto. Quanto maior for o recorte, maior será a perda da resolução, até um estágio em que a foto começa a ficar pixelada, ou seja, você começa a perceber o pontos.

Já a granulação, ou ruído digital (ler O que é ruído digital e como ele pode afetar minhas fotos?), depende principalmente do ISO utilizado na hora de se fotografar. Quanto maior for o ISO, maior serão os grânulos (se for filme fotográfico) ou mais visível será o ruído digital.

Veja a imagem a seguir, tirada em .JPEG, sem processamento, como saiu diretamente da câmera, tirada em ISO 100.


Como usamos um ISO bastante baixo, mesmo numa situação com pouca luminosidade, o ruído digital é pouco perceptível.

Num recorte em 100% podemos perceber isto melhor.


Se a imagem não parece estar tão nítida, isto se deve a dois fatores: 1 - a lente usada não era das melhores, e 2 - não houve nenhuma correção de nitidez.


Nesta segunda imagem, editada e com pequenos ajustes de contraste, brilho e saturação, podemos perceber que os ponteiros do relógio estão um pouco mais escuros e o lustre mais destacado.


Num recorte em 100%, é evidente que não houve nenhuma perda de resolução, nem alteração na granulação, pois, como foi dito, em ISO 100 o ruído digital é quase imperceptível.
Na comparação, podemos ver as diferenças entre a foto original e a editada após os ajustes de brilho, contraste e saturação.

No entanto, a coisa muda um pouco de figura quando trabalhamos com fotos tiradas com ISO alto, pois o ruído digital pode ser bastante discernível, mesmo quando não realizamos grandes recortes.

Veja a foto abaixo, sem edição, tirada em ISO 800.


Se você prestar bem atenção, poderá reparar, especialmente no metrô em movimento, o ruído digital, mas isto ficará mais claro no recorte em 100%, abaixo.


Como utilizamos um ISO bastante alto, não há como escapar do ruído digital, que pode até ser corrigido um pouco no pós-processamento, quase sempre comprometendo um pouco a nitidez.


Nesta outra foto, fizemos alguns ajustes de brilho, contraste e saturação e você poderá constatar que tanto o trem quanto o pilar da estação ficaram mais destacados.


Na ampliação em 100%, fica muito mais evidente o aumento ruído digital, causado principalmente por causa do ajuste na saturação.


Agora, se puxarmos a barra de saturação ao máximo, obteremos uma imagem como a acima, com as cores bastante artificiais e, por causa do ISO alto, com o ruído digital gritando.


Ao ampliarmos a foto, até se parece com uma pintura moderna e abstrata.


Por fim, fizemos a comparação entre as três fotos: a original, a com processamento leve e a com saturação excessiva.

Então, respondendo a dúvida do Roberto.

Os ajustes de brilho, contraste e saturação não afetam a resolução da foto, mas podem afetar no ruído digital, principalmente em fotos tiradas com ISO alto.


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