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domingo, 21 de julho de 2013

Então você decidiu comprar uma câmera Reflex?

Câmera Reflex

Quer dizer que agora você resolveu comprar uma câmera Reflex?

Antes de tudo, você precisa se perguntar: para que preciso de uma câmera como esta?

E segue uma lista de possíveis motivos:

1 - porque um dia quero me tornar um fotógrafo profissional;

2 - porque adoro fotografia e quero aprender a fotografar pra valer;

3 - porque não estou satisfeito com as fotos que obtenho com minha câmera compacta;

4 - porque quero me exibir para os meus amigos;

5 - porque é legal!

Vai nessa!
Se você respondeu 1 ou 2, já é meio caminho andado.
Realmente, você não será um fotógrafo profissional se tiver apenas uma câmera compacta, pois elas são bastante limitadas em comparação a uma câmera Reflex e dificilmente você será levado a sério se aparecer com uma camerazinha que cabe na palma da mão.
E para aprender fotografia, nada melhor do que uma câmera que lhe permite controle total sobre suas funções, como ajustes de velocidade do obturador, abertura de diafragma e ISO.
Várias câmeras compactas avançadas possuem controles manuais e são uma opção se você não quiser ou não pude gastar muito, mas, com uma Reflex, você terá opções de lentes e uma versatilidade muito maior.

Reflita
Agora, se você respondeu 3, pode estar ocorrendo duas possibilidades: a - sua câmera compacta é uma porcaria mesmo, ou b - você não sabe como utilizá-la.
Como já explicamos no artigo Tirando fotos melhores com sua câmera compacta, existem muitas camerazinhas boas por aí, basta você saber extrair o que elas tem de melhor.
Sem dúvida, algumas coisas não podem ser mudadas, a profundidade de campo e a redução de ruído digital das Reflex são muito mais agradáveis do que nas compactas, mas se você tiver uma compacta boa, como vários modelos da Panasonic, da Nikon, da Canon e da Olympus, você pode aplicar todos os princípios de composição e obter belas fotos.
O segredo de uma boa fotografia é, na maioria dos casos, um bom fotógrafo.

Não se iluda, se você não souber utilizar sua câmera compacta, há grandes chances que você tenha dificuldades maiores ainda para utilizar uma Reflex e a qualidade de suas fotos poderá ser ainda pior.
É necessário estudar e aprender como usar uma Reflex para se tirar belas fotos.

Cartão vermelho
No entanto, se você respondeu 4 ou 5, pense melhor antes de gastar sua grana numa Reflex.

Elas impressionam mesmo, e quanto maior for sua Reflex, mais atenção ela chamará na rua. Isto poderá atrair ladrõezinhos, curiosos ou, se você for do tipo que gosta de fotografar pessoas na rua, poderá fazer com que você perca belos momentos espontâneos porque sua câmera é muito chamativa.
Além disto, uma Reflex pode ser pesada e se você não quiser ficar carregando um chumbo nas costas por horas durante sua viagem, é melhor reconsiderar.
É um investimento muito grande para quem quer apenas se exibir.

Nem todo o mundo tem disposição para aprender como utilizar uma Reflex e depois sai reclamando que a câmera/marca/modelo é ruim.

Como escolher uma Reflex?

Câmera Reflex

Mas o que é uma Reflex?

Uma Reflex ou SLR (Single Lens Reflex) é uma câmera com um espelhinho dentro que reflete a imagem que passa através da lente e chega até o visor ótico. Quando você aperta o botão, o espelhinho se ergue, a cortina do obturador se abre e o filme ou o sensor digital captura a imagem.
A grande vantagem de uma câmera Reflex é o fato de você estar vendo exatamente a imagem que você obterá.
No entanto, uma das desvantagens é que, quando o espelho se levanta, o visor ótico fica todo escuro por uma fração de tempo, que é o tempo para capturar a foto e a câmera retornar a seu estado inicial. Se for uma velocidade do obturador rápida, isto será quase imperceptível, mas se for uma velocidade lenta, poderão ser vários segundos sem ver nada pelo visor ótico.

Existem várias marcas e modelos de câmeras Reflex por aí, mas você provalvemente comprará - e é o que eu recomendo - uma Reflex da Canon ou da Nikon.

- E a Sony, ou a Pentax, ou a Olympus, ou sei lá o quê? - você me pergunta.

Até podem existir modelos bons destas outras marcas, mas, repito, vá de Canon ou Nikon que não haverá erro. São as melhores marcas do mercado, com a maior variedade de lentes e acessórios, e são as marcas usadas por uns 90% dos fotógrafos profissionais, chutando por baixo.

O fator crucial na hora de escolher um modelo de Reflex é quanto você pode ou quer gastar.

Uma Reflex manufaturada de um modelo anterior, com a lente do kit, pode custar a partir de uns 400 dólares e é um preço justo para quem está entrando neste mundo.
Os modelos mais recentes podem custar o dobro, mas não se deslumbre com os lançamentos. Comprar uma câmera usada ou remanufaturada é uma ótima maneira para investir seu dinheiro e ainda sobrar um pouquinho para comprar lentes.
No caso de câmeras usadas, atente para o número de cliques, pois a câmera tem uma vida útil média que varia de modelo para modelo. As Reflex introdutórias costumam ter uma vida útil de 100 mil cliques, o que é bastante, mas, se você tiver o dedo nervoso, é um prazo de uns 4 ou 5 anos de uso.

Para mim, por exemplo, não interessa se uma Reflex faz vídeos ou se pode ser usada como telefone celular. O que importa é que tire fotos e só. Se eu quiser uma câmera de vídeo, comprarei uma câmera de vídeo, não uma Reflex.

Como escolher as lentes?

Canon lenses (and a Sigma one)

Se você comprar uma Reflex Introdutória, ela provavelmente virá com a lente do kit, que não será a melhor lente do mundo, mas dará um baile nas lentes de qualquer câmera compacta no mercado.
Estas lentes do kit são lentes de zoom que partem de grande angular até uma telefoto curta, e geralmente não tem aberturas muito grandes.

Uma ótima aquisição, que pode ser feita logo assim que você comprar a câmera, é de uma lente 50mm com uma grande abertura, como f/1.8. Tanto a Canon quanto a Nikon possuem modelos acessíveis, na faixa de 100 dólares, e estas lentes são excepcionais, essenciais para muitos fotógrafos.

Durante anos, eu fotografei apenas com uma lente Canon 50mm f/1.8 e obtive imagens extraordinárias. São ótimas para situações com pouca luminosidade e a pouca profundidade de campo é impressionante.

Posteriormente, é muito possível que você sinta a vontade de comprar lentes melhores para complementar o seu equipamento, talvez uma grande-angular, uma telefoto ou até uma lente de zoom com maior qualidade. Prepare-se para pagar o preço por um upgrade como este, pois as lentes são caras, às vezes muito mais caras do que a própria câmera.

Só lembrando que lentes com distância focal fixa, isto é, sem zoom, costumam ser mais baratas e com qualidade ótica melhor do que boas lentes de zoom. Além disto, estas lentes fixas são ótimas para treinar o olhar, já que você se acostuma com aquela distância focal e é obrigado a se mover para se aproximar ou se afastar do sujeito fotografado, explorando as possibilidades e os diferentes ângulos, ao contrário das lentes de zoom, que basta girá-las para fazer a aproximação.

E depois?

Bem, depois você estará condenado!

Assim que você comprar a primeira Reflex, você vai querer lentes, trocar a Reflex por uma outra melhor, comprar flashes, comprar mais lentes, e todos os tipos de equipamentos disponíveis.

É um vício que se justificará nas fotos que você tirar.

Não lhe diga que eu não avisei.

E, para concluir, não se esqueça de ler o manual da sua câmera! Do começo ao fim...



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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Canon 6D e Nikon D600, câmeras full frame que talvez caibam em seu bolso


O sonho de muitos fotógrafos entusiastas é de um dia poderem comprar uma Reflex digital full frame, isto é, com sensores com a área de imagem da mesma proporção das câmeras 35mm.

Recomendo a leitura do artigo O que é crop factor e qual é o efeito dele em suas fotos?, para uma explicação mais detalhada sobre isto.

O fato é que câmeras digitals full frame sempre estiveram distantes do alcance da maioria dos fotógrafos amadores, principalmente por causa do preço. Uma Canon 5D Mark III ou uma Nikon D800 estão na faixa dos 3 mil dólares, sem lentes, ou seja, é grana pra caramba para desembolsar por um hobby.
Se você for profissional, a câmera se pagará com trabalhos, evidentemente.

No entanto, dois lançamentos destas duas marcas prometem revolucionar o mercado, lançando pela primeira vez câmeras full frame para usuários semiprofissionais.

A Nikon apareceu com a D600, enquanto a Canon respondeu com a 6D, ambas direcionadas para um fotógrafo intermediário, que deseja entrar neste mundo das full frame, mas que não tem tanta grana para investir. Ambas as câmeras custam em torno de 2 mil dólares, o que já as tornam bastante mais acessíveis para uma categoria de compradores.

Vejamos então o que cada uma delas oferece.

Canon 6D

Esta Reflex possui um sensor com resolução de 20.2 megapixels, com o novo processador Digic5+ (o mesmo que vai nas 5D Mark III e na 1DX), ISO máximo de 102400 e com um inovador sistema de focagem com pouca luminosidade que tem deixado os fotógrafos de queixo caído.
Tira até 4,5 fotos por segundo, filma em HD e o seu grande diferencial é que possui wifi e GPS embutidos. Isto permite controlar a câmera através de smartphones, tablets ou computadores, além de ser possível fazer uploads diretamente da câmera para a internet. É a primeira câmera digital profissional com esta tecnologia de fábrica.
Além disto, há um novo modo de obturador silencioso, que pode ser muito útil quando é preciso ser discreto.

As desvantagens são a construção, que não possui um bom isolamento ao clima, não é possível fotografar HDR em formato .RAW, somente em .JPEG, nem tem flash embutido e o display digital não é articulado (para mim, isto é até uma vantagem, mas para quem filme, pode ser ruim).

Nikon D600

Esta marca criou uma câmera que tem impressionado muita gente, sem deixar a desejar para modelos mais avançados e mais caros.
São 24.3 megapixels de resolução, ISO máximo de 25600, 39 pontos de foco e flash embutido que permite o controle sem fio de flashes remotos.
A qualidade de construção desta câmera é excepcional.

Filma em HD, com grande qualidade ótica e sem alguns problemas que ocorrem da Canon 6D.

No geral, a Nikon D600 é considerada como uma câmera ligeiramente melhor do que a rival da Canon, apesar de esta ter suas vantagens.

Qual devo comprar?

Se você já possui equipamentos de uma destas marcas, a decisão é óbvia: você provavelmente continuará usando Canon ou Nikon.
Agora, se você for alguém que está entrando neste meio agora e está em dúvida, todos os especialistas apontam para a Nikon neste momento, com um equipamento mais bem construído e com melhores especificações.
A Canon pode convencer muita gente com o wifi e GPS embutidos, além de ser uma grande câmera para quem fotografa bastante com pouca luminosidade, mas a Nikon venceu este round.

Veremos o que o futuro próximo nos reserva.

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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O que são as câmeras sem espelho (mirrorless system cameras)?


Até alguns poucos anos atrás, as câmeras fotográficas digitais se dividiam em três categorias básicas: compactas, compactas avançadas e Reflex (ou SLR).

No entanto, uma nova geração de câmeras nasceu, e tem prosperado e atraído a atenção de fotógrafos entusiastas e até de alguns profissionais, no que se conhece como câmeras sem espelho, ou mirrorless system.

Antes de tudo, a comparação com as Reflex, ou seja, as câmeras com espelho dentro, que permite que o fotógrafo veja a imagem através da própria lente, é imediata.
Basicamente, a proposta por detrás das câmeras sem espelho é a de uma grande qualidade ótica, por causa de sensores maiores, e lentes intercambiáveis, o que permitiria uma maior versatilidade ao fotógrafo.

As qualidades das câmeras sem espelho

1 - como não é necessário o espelho para o visor ótico, estas câmeras são menores, com lentes de tamanhos reduzidos também;
2 - um sensor maior influencia numa qualidade superior de imagem;
3 - são câmeras silenciosas em comparação às Reflex.

As desvantagens das câmeras sem espelho

1 - apesar de serem menores que as Reflex, ainda são câmeras relativamente grandes, ainda mais se estiverem com uma lente de zoom;
2 - há uma opção limitada de lentes, ou é necessário utilizar adaptadores para poder usar as lentes de câmeras Reflex;
3 - são câmeras caras, geralmente com preços mais altos do que muitos modelos introdutórios de Reflex;
4 - a maioria dos modelos não possui visor ótico.

Comprar ou não uma câmera sem espelho?


Todos os grandes fabricantes de câmeras já entraram neste mercado, ou estão para lançar suas versões das câmeras sem espelho (mirrorless system).
Isto é um indício claro que é uma categoria que chegou para ficar e que tem seu público cativo.

Não acredito que estas câmeras sem espelho encham os olhos da maioria dos fotógrafos profissionais, que optarão, caso desejem câmeras menores e mais leves, por compactas confiáveis, ao invés de um mini-trambolho.
Se é para carregar peso e chamar atenção, penso que quase todos votariam por uma Reflex introdutória.

E se pensarmos no quesito preço, basta dar uma olhada em alguns modelos para ver que o preço, por enquanto, é abusivo.
Em 2012, a Reflex da Nikon mais barata, a D3100, está custando nos EUA U$ 496, enquanto a mirrorless mais barata do mesmo fabricante, a Nikon 1 J1, está custando os mesmos U$ 496.

Lembrando que, com uma Reflex, você terá a opção de comprar quase qualquer uma das extraordinárias lentes disponíveis tanto da Nikon quanto de outros fabricantes, já com a mirrorless, há uma meia dúzia de opções, quando muito, além de várias outras limitações próprias da categoria.

Agora, se estas camerazinhas o seduziram, a minha recomendação é conferir os modelos de algumas das marcas mais tradicionais, como as da Nikon, da Canon (que lançará seu primeiro modelo de mirrorless ainda este ano), da Oympus e da Panasonic.

Existem também as câmeras da Leica e da Fuji, mas estas estão em outro patamar de fotografia e preço. Para uso amador, estão fora de cogitação para a maioria dos fotógrafos.

Você possui uma câmera sem espelho (mirrorless system)? Como tem sido fotografar com ela?
Por que então não compartilha alguma de suas fotos em nosso grupo do flickr?

http://www.flickr.com/groups/calabocaeclica/


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sexta-feira, 2 de março de 2012

Canon 5D Mark III, o novo objeto de desejo dos fotógrafos profissionais


A Canon está decidida a entrar este ano de 2012 derrubando os queixos dos fotógrafos profissionais. Primeiro, foi o anúncio da 1D X, a maior aberração tecnológica do mundo da fotografia destes últimos anos, e agora é o lançamento oficial da 5D Mark III, consagrando esta câmera que já é o xodó de muitos fotógrafos e que também se tornou de muitos cinegrafistas por sua estupenda qualidade de vídeo.


A 5D Mark III é uma maravilha com 22.3 megapixels de resolução, full frame, com o novo processador DIGIC 5+ e o incrível ISO máximo de 102400 (nem tanto como a 1D X, mas que já é bastante), fotografando em .RAW e .JPEG, filmes em HD com até 29 minutos de duração.
A novidade é um novo modo para fotografar em HDR, com até 7 exposições diferentes que são processadas pela própria câmera.

A câmera é protegida contra o clima e poeira e é um dos equipamentos mais fenomenais que você poderá encontrar no mercado atual.

Custará a bagatela de 3500 dólares, sem lente, e a pré-venda já começou. Ainda pode demorar um pouquinho para chegar às mãos dos fotógrafos, mas é sem dúvida o novo objeto de desejo.

5D Mark III no site oficial da Canon
http://www.usa.canon.com/cusa/consumer/products/cameras/slr_cameras/eos_5d_mark_iii


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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Qual é a vida útil de uma câmera fotográfica?

Imagino que uma das suas preocupações, na hora de meter a mão no bolso e pagar uma cacetada numa câmera nova, deve ser: quanto tempo esta câmera vai durar? E se esta porcaria estraga, o que faço da minha vida?

A segunda pergunta é fácil de responder, se a câmera estiver na garantia (geralmente de 1 ano para o corpo da câmera, mas você pode comprar garantia extendida), é só mandar para a assistência, mas você precisa ter registrado a câmera online logo após comprá-la e é bom guardar também o recibo da compra.
Muitas das principais marcas possuem garantia com cobertura internacional.

No entanto, se a garantia já houver expirado e a câmera der pau, então compensa fazer um orçamento de quanto sai o reparo, e ver se não compensa comprar uma câmera nova. Em modelos mais caros, comumente o conserto compensará, mas em modelos introdutórios, pode ser que acabe dando quase na mesma que comprar uma câmera nova.

Qual é a vida útil de uma câmera fotográfica?

Antes de tudo, vale ressaltar que os números que se seguem não são uma ciência exata, isto é, você pode ser um daqueles desgraçados azarados que depois de tirar umas 10 fotos a câmera já vai para as cucuias, ou você pode comprar uma câmera com um trilhão de cliques e ainda usá-la por anos a fio. Simplesmente, não existe regra, apenas uma estimativa.

Falaremos da expectativa de vida de câmeras Reflex da Canon, mas estes dados devem ser equivalentes para modelos semelhantes da Nikon.

Reflex introdutória (XT, XSI, XS, T1, T2, T3 e similares)
50.000 cliques

Reflex semiprofissional (40D, 50D, 60D)
100.000 cliques

Reflex profissional (5D, 5D Mark II)
150.000 cliques

Reflex profissional top (1D Mark II, 1D Mark III, 1D Mark IV)
200.000+ cliques

Você pode encontrar mais destes dados no site http://www.olegkikin.com/shutterlife/, que indica o número de cliques de alguns modelos de câmeras de várias marcas fornecidos pelos próprios usuários.

Quer dizer que a minha Reflex introdutória vai pifar quando eu apertar o botão 50 mil vezes?

Repito, isto não é uma regra. Pode ser que estrague antes, pode ser que dure muito mais.

Além disto, o tempo de vida de sua câmera dependerá muito de como você cuida dela, pois umidade, areia, exposição demasiada ao sol, pode encurtar bastante a durabilidade de seu equipamento.

Os cliques podem ajudá-lo a comprar uma câmera usada

Estas informações são muito úteis na hora de comprar uma câmera usada, pois deveria ser obrigação do vendedor oferecer-lhe uma estimativa de quantos cliques já foram tirados.

Só para você ter uma ideia, tirando cem fotos por dia (o que é bastante para um fotógrafo amador), a estimativa de vida útil de uma Reflex profissional é de quase 6 anos, mas isto quer dizer que você estará tirando umas 36.000 fotos ao ano.

Para você ter uma noção, em 2010, morando em Nova York e viajando pelo Brasil, Argentina, Chile e Peru, com 2 câmeras diferentes, e fotografando praticamente todos os dias do ano, eu tirei 21 mil fotos, ou seja, numa média de umas 10500 fotos por câmera. Com uma Reflex introdutória, isto é um ano inteiro de uso razoável.

E para câmeras compactas?

Não tenho dados exatos para câmeras compactas, mas algumas camerazinhas podem durar bastante, principalmente porque os fotógrafos de final de semana não costumam fazer uso pesado destes equipamentos, nem tiram tantas fotos quanto um usuário habitual de uma Reflex.

Mas acredito que a maioria das compactas podem resistir entre 3 e 5 anos sem muitos problemas, a não ser que, como eu disse, você seja azarado.

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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Dominando o fotômetro de sua câmera, ou como expor melhor suas fotos


Se você já leu o artigo sobre como obter a melhor exposição, então você sabe o que é um fotômetro e como você o utiliza para medir a iluminação e ajustar a sua câmera.

Basicamente, o fotômetro é um acessório, que pode estar embutido em sua câmera ou pode ser um aparelho à parte, para maior precisão, que avalia a iluminação que entra na câmera (fotômetro de luz refletida), ou que atinge o sujeito retratado (fotômetro de luz incidente).

Não sou professor de Física e tampouco sei explicar cientificamente quais são as propriedades da luz, mas ela viaja em linha reta, seja a luz do sol ou de luzes artificiais, incide sobre as pessoas, objetos, animais ou paisagem (luz incidente) e é refletida, que é o que os nossos olhos veem: a luz refletida nas coisas. O fotômetro embutido de nossas câmeras funcionam exatamente como os nossos olhos, analisando a luz refletida.


Como já dissemos, a medição da luz poderá ser vista em sua câmera (esta função existe em todas as Reflex digitais e em algumas compactas) através de uma linha pontilhada, com os indicadores de exposição (sobrexposição +/ subexposição -). Em tese, uma foto bem exposta é quando o indicador está no meio desta linha, mas, como vimos, este nem sempre é o caso.

Mesmo assim, você pode mandar a sua câmera medir corretamente a luz, pois, em vários modelos, inclusive de câmeras mais simples, há diferentes modos de medição de luz, conhecidos como metering. Veremos como cada um deles funciona.

Evaluative metering


Está vendo aquele retângulo no canto interior esquerdo, logo acima do indicador da bateria?
Aquele ali é o indicador de qual medição você está utilizando.

Um retângulo com uma bolinha preta no meio de dois semicírculos é o símbolo de evaluative metering (Canon e Sony) ou matrix (Nikon).
Esta é a medição padrão de várias câmeras atuais e foi utilizada na primeira foto acima, da entrada da Grand Central Station. Com esta medição, o fotômetro trabalha exatamente como os nossos olhos, avaliando a iluminação em vários pontos do quadro, tentando ajustar para a melhor exposição possível.

Se você tem uma câmera compacta sem Modo Manual, é provavelmente a medição que você utiliza sem saber.

Com iluminação natural, funciona muito bem na maioria das situações, mas alguns fotógrafos preferem não utilizar esta medição, já que os resultados podem ser um pouco imprevisíveis, sem muito controle do fotógrafo.

Center weighted metering


Este é o modo que mais uso, pois ele concentra a medição da luz em entre 80% e 60% na região central do enquadramento, dando menos importância à iluminação nos cantos. Isto evita que sombras periféricas, ou a luz do sol num dos cantos afetem a medição.
O símbolo do center weighted metering é um retângulo em branco.

Spot meter


O símbolo do spot meter é uma bolinha preta dentro de um retângulo, e é a medição mais precisa possível para uma câmera fotográfica.
Nesta configuração, o fotômetro só avaliará a exposição de um ponto bastante específico no centro do quadro (1% a 5% do enquadramento) e é ótimo para situações de altíssimo contraste, nas quais você sabe exatamente qual região da imagem você quer que esteja exposta corretamente.

Para esta medição, você primeiro aponta para a região que você deseja medir, centralizando-a, ajusta as funções da câmera, e recompõe a imagem como você a deseja.

Apesar de muito útil e confiável, não é a melhor medição para o dia a dia, somente para situações bastante específicas.

Partial metering


Esta é uma medição encontrada principalmente nas câmeras Canon e é uma medição intermediária, entre spot meter e center weighted, analisando uma região entre 10% e 15% do quadro.

É também bastante útil para situações de alto contraste.

Exemplos


Na imagem acima, segue uma sequência de quadro fotos tiradas com quatro medições diferentes: partial, evaluative, center weighted e stop meter.
Todas as fotos foram tiradas em ISO 100 e abertura de diafragma em f/5.6, medindo a luz centralizando o teclado do computador, no entanto, dá para perceber que em evaluative e em spot meter estão ligeiramente mais claras do que as outras, enquanto que em partial mais escura.
Segue a configuração de velocidade de obturador para cada uma delas:

partial - 1/25
evaluative - 1/15
center weighted - 1/20
spot meter - 1/15

Você pode notar que entre algumas destas medições há uma diferença de quase um stop de iluminação, ou seja, quase o dobro da iluminação.

Enquanto que isto pode parecer tecnicalidades dispensáveis para alguns, é sempre bom saber quais são as funções de sua câmera e como utilizá-las. São estes detalhes que às vezes podem fazer bastante diferença no resultado final de sua foto.

Exercícios práticos

1 - descubra onde fica o controle do fotômetro de sua câmera (ler o manual sempre ajuda, procure por metering ou light meter) e tire diferentes fotos apontando para o mesmo tema, em Modo Manual se sua câmera possuir, com a mesma configuração de ISO e abertura de diafragma, só ajustando a velocidade do obturador, em:
a - evaluative
b - center weighted
c - spot meter (se possuir)
d - partial (se possuir)

Compare os resultados finais. Percebe alguma diferença na exposição destas fotos? Alguma delas está mais clara?

2 - faça este mesmo teste em situações de alto contraste, como silhuetas, pôr do sol ou com cenas com muitas sombras e sol forte.

E nestes casos, notou alguma diferença entre as diferentes medições?



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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Lente melhor: foto melhor?

East Village
(foto tirada com uma lente Canon 70-200mm f/4 L: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/4079252358/)

Sem dúvida, você já deve ter ouvido muito que o que faz uma boa foto não é uma câmera boa, mas sim uma lente boa.
Antes de tudo, o que faz uma foto ser boa ou não é o fotógrafo, o equipamento apenas o ajuda a expressar melhor a visão dele e, neste sentido, um equipamento melhor poderá significar uma qualidade de imagem superior.

Em grande parte, a recomendação de muitos fotógrafos para investir em lentes, e não no corpo da câmera, deve-se a um fator muito pragmático: as câmeras se tornam obsoletas rapidamente, enquanto as lentes durarão por muito mais tempo. Além disto, uma lente de altíssima qualidade poderá fazer a diferença na hora de capturar os detalhes e as cores daquilo que você está vendo.

Por que comprar lentes melhores?

Astor Place
(foto tirada com uma lente Canon 70-200mm f/4 L: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/4078499507/)

1 - qualidade ótica incomparável
Você ficará surpreso com a riqueza de detalhes que uma boa lente pode registrar.

2 - autofoco mais rápido
Isto pode representar a diferença quando se trata de fotografar alguma coisa em movimento. Se o autofoco for muito lento, ou impreciso, você poderá perder a imagem ou focar em algum outro elemento que não o desejado.

3 - maior durabilidade
Comumente, as lentes melhores possuem uma construção mais reforçada, algumas são à prova de clima, como chuva, neve, frio ou calor extremos. Para quem usa bastante o equipamento, ou está sempre se enfiando em mato, montanha ou praia, uma lente mais reforçada ajuda.

4 - bokeh mais agradável
As lentes melhores costumam proporcionar um bokeh (aquele desfocado no fundo) mais bonito.

5 - maior precisão
Os controles das lentes melhores, como de foco manual ou zoom, são mais precisos e suaves de se manusear. Em lentes mais baratas, o controle pode ser difícil ou impreciso.

6 - menos aberração cromática e flare
Aberração cromática é uma distorção causada por uma falha da lente em fazer as cores da luz convergirem no mesmo ponto, isto causa uma aura púrpura ou azulada ao redor de contornos, principalmente em situações de grande constraste. Chega a ser bastante problemática em lentes grande-angulares.
Flare é quando aparecem aqueles círculos de luz causado por reflexos nos elementos internos da lente. Lentes mais bem construídas tendem a ter um controle maior tanto de aberração cromática quanto de flare.

Lentes mais cara são melhores?

Via de regra sim. Infelizmente. Você deve pensar que não é à toa que algumas lentes custam 5 ou 10 mil dólares. Qualidade tem um preço, e custa caro!

Mesmo assim, é possível encontrar lentes incríveis em praticamente todas as faixas de preço. Entre as mais baratas estão as lentes 50mm, com grandes aberturas, como f/1.8, com qualidade ótica comparável a linhas melhores.
Na série L da Canon é possível encontrar boas lentes a partir de 600 dólares, ou menos se você comprar usada, como a extraordinária lente 70-200mm f/4 L, com uma qualidade ótica de cair o queixo.

Comparação de algumas lentes

Canon lenses (and a Sigma one)

Para você ter uma noção, fiz uma comparação com algumas lentes que possuo, algumas terríveis e outras excelentes, comparando-as em suas respectivas distâncias focais.
As lentes utilizadas foram: Canon 17-40mm f/4 L, Sigma 28-70mm f/2.8-4 DG, Canon 50mm f/1.4, Canon 70-200mm f/4 L, Canon 75-300mm f/4-5.6 II.

Nestas fotos que se seguem, foram utilizadas exatamente as mesmas configurações da câmera, 1/500 f/8 ISO 100. Não houve retoque digital.

28mm
Começamos o teste em 28mm, a distância focal mínima da Sigma 28-70mm f/2.8-4 DG, para compararmos com a Canon 17-40mm f/4 L, uma grande angular extraordinária da série L.

sigma vs canon 28mm

À primeira vista, as duas fotos são bastante parecidas, excetuando que a segunda, com a lente Canon, parece ser um pouco mais clara.

No entanto, quando fazemos um recorte de 100% na foto, podemos notar maiores diferenças.

sigma vs canon 28mm crop

Repare como há perda de detalhes na foto tirada com a lente Sigma, parece que a foto é até um pouco nevoenta. Se você ampliar a foto e se aproximar da porta do prédio, verá na imagem com a Sigma algumas linhas diagonais púrpura, que é causa pela aberração cromática da lente. O mesmo não ocorre com a lente da Canon.

50mm
As fotos que se seguem foram tiradas ainda com a Sigma 28-70mm f/2.8-4 DG, e comparada com uma lente Canon 50mm f/1.4, uma das melhores lentes da Canon dentro de sua faixa de preço, na minha opinião.

sigma vs canon 50mm

Novamente, à primeira vista, as fotos são bastante parecidas, mas quando fazemos um recorte de 100%, as diferenças são gritantes.

sigma vs canon 50mm crop

Neste segundo recorte, você pode perceber muito mais claramente a aberração cromática na porta da foto tirada com a Sigma, enquanto os detalhes estão melhor preservados com a 50mm da Canon.

200mm

É até deslealdade comparar uma das melhores telefotos (e das mais acessíveis) da série L da Canon, 70-200mm f/4 L, com esta outra telefoto também da Canon, barata, mal construída e com qualidade ótica que deixa a desejar, a 75-300mm f/4-5.6 II.

canon 200mm vs 300mm

Logo de cara já da para notar os detalhes melhor preservados pela Canon 70-200. Compare as texturas do prédio e você perceberá.
No entanto, quando fazemos um recorte de 100%, as diferenças chegam a ser ridículas de evidente.

canon 200mm vs 300mm crop

Quando ampliadas, a foto tirada com a lente 75-300mm parece meio borrada, quase como se estivesse um pouco fora de foco, também é possível perceber a aberração cromática nos contornos, uma tênue aura púrpura; já na da 70-200mm, os detalhes estão minuciosamente preservados, isto porque esta foto foi tirada a uma distância de quase 60 metros do prédio, talvez até um pouco mais longe.

Comparação de Bokeh

Por fim, fiz uma comparação de bokeh com duas lentes, a Sigma 28-70mm f/2.8-4 DG e a Canon 50mm f/1.4, com a mesma abertura f/4 (que era a máxima da Sigma na distância focal de 50mm).

bokeh comparison

Logo, é possível perceber sutis difereças de uma foto para outra, principalmente em se tratando de detalhes, mas que ficam evidentes quando ampliamos em 100%.

bokeh comparison crop

Repare na riqueza de detalhes e na textura que foram preservadas pela Canon 50mm. Na verdade, com esta abertura de f/4, não pudemos notar grandes diferenças no bokeh (no desfocado), mas, como a Canon 50mm chega até a f/1.4, esta é uma profundidade de campo bastante rasa e que permite uma grande uso criativo desta lente.

Conclusão

Para muita gente, isto pode parecer detalhes que farão pouca diferença para um leigo que veja as fotos. No fundo, é verdade.
No entanto, são os detalhes e as sutilezas que, às vezes, podem transformar uma foto boa numa imagem memorável.
Uma boa lente e uma boa câmera não farão milagres por si só, não se engane. Todavia, um bom equipamento nas mãos da pessoa certa é capaz de capturar fotos extraordinárias, que expressam todas as maravilhas da natureza e das pessoas.

Vale a pena gastar um pouquinho mais e comprar uma lente legal?

Vale! Se você gosta de fotografia, interesssa-se pelo assunto e deseja se aperfeiçoar, não vejo porque se contentar com lentes inferiores.
Mas, se fotografia for apenas um passatempo e usada para retratar as festas da família e suas viagens, não comprometa seu orçamento com um equipamento caro e que não terá tanto uso: utilize a lente do kit de sua Reflex e divirta-se.

E junte-se ao nosso grupo do Cala a boca e Clica! no Flickr.



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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Nikon versus Canon: qual é a melhor marca de câmeras Reflex?


Os usuários destas duas marcas, Nikon e Canon, discutem há décadas sobre qual é a melhor e tentarão convencê-lo de que a que eles utilizam é qual você deve comprar.

Nikon e Canon são as duas principais fabricantes de câmeras fotográficas Reflex e empreendem uma batalha tecnológica ano a ano, numa corrida por inovações, por mais megapixels, por maior ISO e menor ruído digital, por uma melhor resolução de vídeo, por maior ergonomia, para fabricarem melhores lentes e assim por diante. Num ano, a Canon sai na frente e, por ligeira vantagem, ganha da Nikon, mas num ano seguinte, a Nikon chega na liderança, e assim por todo o sempre.

Não se engane, as duas marcas não são tão diferentes assim quanto se pensa e os modelos equivalentes, dentro de suas respectivas categorias, são muito semelhantes uns aos outros. Uma reflex introdutória da Nikon será praticamente tão boa quanto uma da Canon, e o mesmo vale para os modelos semiprofissionais e para os profissionais. As diferenças são tão sutis que nem mesmo um fotógrafo profissional saberia distinguir uma foto tirada por uma Canon de uma tirada por uma Nikon.

Quem deve ser o juiz desta disputa é apenas uma pessoa: você!

Na hora de comprar uma câmera Reflex, seja da Canon ou da Nikon, a palavra final deve ser sua. Se possível, vá numa loja onde você possa olhar as câmeras de perto e testá-las. Sinta como elas ficam em sua mão, se você gosta da sensação, como é o clique dela, se você consegue entender como funcionam os botões ou a lente numa primeira olhada.
Os modelos equivalentes das duas marcas costumam ter preços semelhantes, por isto, não dá para comparar diferentes categorias: uma câmera profissional da Canon será, sem dúvida, muito, mas muito melhor mesmo, do que uma Reflex introdutória da Nikon, mas também será, obviamente, muito melhor do que uma Reflex introdutória da própria Canon.
Saiba quais são suas necessidades e pesquise dentro da faixa de preço que você pode ou quer pagar.

E também não se esqueça que uma boa lente pode fazer toda a diferença na hora de se capturar uma bela imagem.
A Canon fabrica as lentes da série L, que possuem qualidade ótica excepcional e ótima construção, muitas à prova de clima, como chuva, neve ou areia. São lentes para a vida toda e são reconhecidas pelo aro vermelho. As mais baratas custam a partir de 600 dólares e as mais caras podem chegar a algumas dezenas de milhares de dólares. A lente Canon 24-70mm f/2.8L é considerada a melhor desta linha e custa 1400 dólares (só a lente!), ou seja, mais cara do que muita câmera por aí.

Já a Nikon possui as lentes Nikkor da série G, que incluem algumas das melhores lentes feitas pelo homem. Tem um anel dourado ao redor da lente e os preços variam bastante, mas o céu também é o limite. Muita gente concorda que a melhor lente já feita pela Nikon é a Nikkor 105mm f/2.8G, que custa a bagatela de 900 dólares (nos EUA).

O que você precisa ter em mente quando for escolher uma destas duas marcas é que, depois que você começa a comprar equipamento, seja câmeras, lentes, flashes e assim por diante, você está quase casando com aquele sistema.
Após você investir uma quantidade considerável de dinheiro fazendo upgrades ou comprando lentes, será muito difícil você trocar de marca no futuro. Além disto, você acaba se acostumando com as funções e com o design da câmera de cada uma destas marcas, e não é tão natural na hora de fotografar com uma câmera da outra marca.

E jamais se esqueça de que o maior segredinho de uma boa foto é quem está atrás da câmera. Não adianta nada você ter a melhor câmera do mundo com a melhor lente se você não souber como usá-la nem como fazer uma bela composição.

Só para constar: sou um fotógrafo Canon e adoro as minhas câmeras e lentes!




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domingo, 10 de abril de 2011

Qual é a melhor câmera fotográfica? - Parte 3 (Câmeras de filme)

3D Photo Fail

Já falamos dos tipos de câmeras digitais amadoras e profissionais, mas agora veremos algo que pode parecer inusitado em pleno século XXI: câmeras de filme.

- Mas alguém ainda fotografa com filme? - você pode me perguntar, e a resposta não é exatamente tão simples.
Profissionalmente, filme tem se tornado cada dia mais inviável. Os custos são altos, tanto para filmes de qualidade quanto para revelação, não há o benefício de se acompanhar em tempo real um ensaio fotográfico através do visor da câmera ou de um computador, sem contar o risco de se perder um filme inteiro por mal exposição, ou queimá-lo ao abrir incorretamente a câmera.
Ainda existem os puristas, geralmente fotógrafos pré-era digital, que utilizam suas Leicas com 30 anos de fabricação para fotodocumentários na África, ou ainda utilizam Mamiyas ou Hasselblads de filme para ensaios em estúdio, mas quase a totalidade dos profissionais já migrou para câmeras digitais.
É muito mais simples, rápido e, em muitos casos, mais barato também.

The Go Getter

Por que então comprar uma câmera de filme?

Consigo pensar em algumas razões:

1 - porque é a certeza de estar realmente aprendendo fotografia.
Não entraremos na discussão tola de "verdadeira fotografia", estou apenas falando que, com uma câmera de filme, você não tem todas as facilidades que uma câmera digital proporciona. Você só saberá se tirou fotos boas dias ou semanas depois, quando houver revelado o rolo fotográfico.
Por isto, você tem de saber muito bem qual é a configuração adequada, a melhor exposição e o melhor enquadramento, antes de apertar o botão.
Enquanto que na era digital o lema é "cala a boca e clica!", na era do filme deveria ser "cala a boca, presta atenção, pensa e clica!", pois, num filme, você tem 24 ou 36 chances de acertar, depois disto, tem de trocar para outro rolo e prosseguir.
Não é à toa que nas escolas de fotografia dos EUA, muitos professores recomendam comprar, além de uma câmera digital, também uma de filme, para que os alunos descubram como a fotografia pode ser tão simples e complexa ao mesmo tempo, e aprender todas as estapas da fotografia até a revelação.

2 - porque são câmeras que durarão por toda a sua vida.
Como já disse anteriormente, as câmeras digitais tem uma vida útil muito breve, de poucos anos. No entanto, câmeras de filme são extremamente duradouras e dificilmente se tornam obsoletas. Há câmeras por aí com mais de 100 anos e que funcionam perfeitamente. Algumas das melhores tem mais de 50 anos e ainda dão um baile em câmeras digitais profissionais fabricadas ontem!
Sem contar que possuem algumas das lentes mais perfeitas jamais fabricadas.
Uma Leica M3, símbolo da fotografia de rua de Cartier-Bresson, ainda pode obter fotografias magníficas nas mãos de alguém que entenda do assunto.
São equipamentos atemporais e, por mais que um dia não exista mais filme para se comprar ou onde revelá-los, serão relíquias e itens de colecionadores e poderão valer uma fortuna!

3 - porque é divertido!
Em nossa época tudo é tão rápido e instantâneo que deixamos de dar valor ao que demanda tempo e concentração. A fotografia de filme exige que paremos e pensemos, que esperemos, e que voltemos a uma outra época sem computadores, photoshop, ou internet.
É muito divertido sair com uma câmera de filme no pescoço e ver a reação das pessoas, assim como é gratificante checar o negativo e ver que obteve boas fotos.
Somente assim é que presenciamos o milagre da fotografia, da escrita com a luz, da simplicidade que com o tempo se perdeu... É lindo!

Depois de todo este saudosismo (vale ressaltar que sou um fotógrafo digital 99% do tempo!), vejamos os tipos de câmeras de filme que talvez possam interessá-lo.

Pinhole

Cookie Tin Pinhole

Este é o princípio mais rudimentar da fotografia: uma caixa, que serve de câmara escura, um pedaço de filme fotográfico, um pequeno furo para entrar a luz e uma fita adesiva como obturador (veremos em breve do que se trata, mas, a grosso modo, para tapar a luz).

Pinhole Self Portrait in a Cafe

Comumente, estas câmeras pinhole, que em bom português quer dizer "buraco de agulha", são câmeras caseiras, que qualquer um pode construir a sua própria com uma caixa de sapatos.
Existem tutoriais na internet para quem um dia quiser se arriscar a montar uma, mas vale lembrar que você terá de revelar o filme por si próprio, sem levar a um laboratório.

Pinhole: dinosaur

Já adianto que as fotos não ficam lá grande coisa, mas existem fotógrafos artísticos que utilizam apenas câmeas pinhole de fabricação própria.

Rangefinders

Leica M6 with Summilux 50/1.4 @ Samsung EX1

A primeira grande câmera rangefinder foi a Leica, que revolucionou o mundo da fotografia ao utilizar filme 35mm, que tornou as câmeras menores, mais discretas e mais populares.

Grand Central
(foto com um cópia russa de Leica: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/3926825827/)

Muitas outras marcas copiaram o layout simples e eficaz das Leicas, inclusive no bloco soviético, que produziu algumas das melhores réplicas de Leicas do mundo, e outra marca bastante reconhecida é a Voigtlander.

Behind Saint-Lazare Station - Paris 1932 by Henri Cartier-Bresson

(foto de Cartier-Bresson com Leica M3: http://www.flickr.com/photos/monkeyc/95207629/)

Uma Leica usada ainda é um equipamento caro, muitas vezes custando mais de 3 mil dólares.
Já as réplicas soviéticas (FED e Zorki) podem ser encontradas por uns 40 dólares no Ebay (e entregam no Brasil desde a Ucrânia).

Reflex de filme

Pentax K1000

Até hoje, marcas importantes com Canon e Nikon fabricam câmeras de filme. Alguns modelos são tão caros quanto câmeras digitais, mas existem opções ótimas e bastante em conta.
Utilizam filme 35mm, que podem ser relevados em qualquer laboratório fotográfico.

Empire State Building

Estudantes de fotografia apreciam particularmente a Pentax K1000, totalmente manual e mecânica, sem baterias, e muito confiável. É o tipo de câmera que dura a vida inteira e com qualidade consistente. Pode ser encontrada por menos de 100 dólares.
Canons e Nikons de filme custam um pouco mais e ainda tiram fotos inacreditáveis.

Formato Médio de filme

Mamiya C330

Como boa parte das câmeras de formato médio da Mamiya e Hasselblad são câmeras de filme adaptadas para digital, nada o impede de comprar uma e fotografar apenas com filme, o que custaria muito mais barato do que adquirir um fundo digital.

Cold Diffuser #Hasselblad

Só lembrando que estas são algumas das melhores câmeras existentes no planeta e capazes de tirar fotos icônicas.
Destas marcas é possível encontrar câmeras excelentes por 500 dólares, mas existem câmeras de formato médio boas e mais baratas, como das Pentax, ou como as TRL (twin lenses reflex, ou seja, com uma lente para a foto, e outra como visor) Rollei, Yashica, Kodak, Seagull, ou a russa Kiev 88, a partir de uns 100 dólares no Ebay.
Muitas deles usam filme 120, que só são relevados em laboratórios especializados.

Formato Grande

8x10 large-format camera

Estas são câmeras imensas, usadas para fotografar paisagens, como nas fotografias clássicas de Ansel Adams.


Não costumam ser baratas, além de não serem de fácil uso para um fotógrafo sem treinamento e definitivamente não são câmeras portáteis. O negativo fotográfico é imenso, só pode ser revelado em laboratórios especializados ou pelo próprio fotógrafo.

Lomografia

Lomo-Love

Nos últimos anos, tem ocorrido um revival de algumas câmeras de filme de qualidade inferior, com lentes de plástico, com vazamentos de luz e o lema dos usuários é: "clique, não pense!".

Supersampler

O ideal por detrás da Lomografia é usar a câmera quase como um brinquedo, de maneiras inusitadas e soltar a imaginação.
Algumas das câmeras de lomografia mais populares são as de formato médio Diana e Holga (ambas russas) com filme 120, e as de 35mm com múltiplas lentes ou com fisheye (uma lente que captura um ângulo 180º), além disto, eles tem restaurado outras câmeras de filme, como rangefinders russas e vendidas como câmera de lomografia.

supersampler

Um erro comum é confundir fotografia de filme com lomografia, o que é uma grande besteira. Lomografia é um conceito, fotografia de filme é uma tecnologia.

Supersamples in Washington Square

Você verá que os preços na loja oficial são quase absurdos. Se houver algum modelo que o interesse, procure depois no Ebay e peça para entregar em sua casa.

Site oficial da Lomogafia no Brasil
http://www.lomography.com.br/

Considerações finais
Fotografia de filme pode ser muito divertida e o obrigará a aprender técnicas novas. Ninguém é obrigado a fotografar com filme hoje em dia, mas quase todos os fotógrafos podem se beneficiar deste novo "velho" olhar.

Coleção de câmeras

E assim como qualquer coisa relacionada a fotografia, câmeras de filme também se tornam um vício...
O importante, na hora de escolher tanto uma câmera de filme quanto digital, é ir muito por sua intuição, se possível ver a câmera antes e até testá-la, e sentir quão confortável você se sente com ela.
Não adianta nada comprar uma câmera pesada demais para você, ou desconfortável, ou complexa demais.
Na fotografia, damos um passo de cada vez.



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