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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Tudo borrado - Erros de fotografia que todos nós já cometemos um dia


Duas das situações mais desafiadoras para um fotógrafo são: 1 - fotografar bem à noite e 2 - fotografar bem pessoas, animais ou objetos em movimento.

Se você reunir estas duas condições, isto é, fotografar à noite algo em movimento, então você estará diante de uma missão quase impossível.

Todos nós tiramos fotos borradas, por isto, você não deve se martirizar. Com câmeras compactas, é extremamente complicado obter boas imagens em condições de pouca luminosidade, ou em cenas com movimento.
No entanto, mesmo com uma Reflex, ainda mais se estiver em Modo Manual, você terá de ajustar as configurações de velocidade do obturador, abertura de diafragma e ISO até conseguir a exposição correta, e isto pode implicar em alguns quadros de teste.

O que faz com que uma foto fique borrada?

Velocidade do obturador lenta demais


A velocidade do obturador será a função que o permitirá congelar o movimento. Quanto mais lenta ela for, maior serão as possibilidades de sua foto ficar borrada, seja por causa do movimento do sujeito fotografado, como na imagem acima, seja por causa do movimento do próprio fotógrafo, como na imagem abaixo.


Para objetos ou sujeitos estáticos, a velocidade do obturador mínima recomendável caso você esteja segurando a câmera (isto é, sem tripé) é de 1/15.
É possível obter imagens nítidas com velocidades mais lentas, mesmo sem um tripé, no entanto, você precisará de pulso firme.

Além disto, quanto maior for a distância focal da sua lente, maior será a velocidade mínima recomendável para obter uma foto nítida. Por exemplo, com uma lente de 50mm, a velocidade mínima deveria ser 1/50; já para uma lente de 300mm, a velocidade mínina seria de 1/300.

Fora de foco


Outras vezes, mesmo com uma velocidade do obturador bastante rápida, ainda assim você acabará com uma foto borrada.
Nem sempre é culpa da velocidade. Em alguns casos, o problema pode ser o foco.

Repare na imagem acima.
Apesar de ser uma foto de dois cães em movimento, que já poderia estar borrada pelo próprio deslocamento dos animais, mesmo usando uma velocidade alta de 1/400, os dois cachorros estão borrados.
No entanto, se você observar bem o segundo plano, verá que está tudo nítido. O que ocorreu é que o foco ficou no segundo plano, assim, o primeiro plano ficou ligeiramente borrado.

Velocidade lenta + fora de foco


Quando fotografamos à noite, ou em situações com pouca iluminação, sua câmera terá uma dificuldade natural de obter o foco, demorando muito mais do que o habitual.

Além disto, em situações com movimento, também existirá uma dificuldade normal de se obter o foco, pois, às vezes, o sujeito retratado estará mais próximo da câmera, em outras, mais distante.


Agora reúna estas duas situações. Com pouca iluminação, a velocidade do obturador terá de ser mais lenta e será mais demorado obter o foco. Com objeto em movimento, você terá dificuldades para focar corretamente.
Esta é a fórmula para a desgraça.


Sob estas condições, há grandes chances que você obtenha uma foto:

a - borrada, por causa da velocidade lenta do obturador;
b - desfocada; ou
c - borrada e desfocada.

As Soluções

A primeira solução básica para obter uma foto nítida em condições de pouca luminosidade e/ou em movimento é subir o ISO, abrir a abertura de diafragma e tentar manter uma velocidade do obturador mínima equilavente à da distância focal da lente (por exemplo, para uma lente 100mm, velocidade mínima de 1/100, e não se esqueça do crop factor!).

A segunda solução, que nem sempre poderá ser utilizada, é fotografar com flash. Todavia, de nada adianta usar o flash para fotografar um show, por exemplo, se você estiver 50 metros longe do palco.
O alcance do flash é limitado a poucos metros, por isto, é patético ficar fotografando um sujeito lá do outro lado do planeta com flash.


A terceira solução implica em gastar um pouco para comprar uma lente rápida, isto é, com uma grande abertura de diafragma. As lentes 50mm f/1.8 ou f/1.4 são ótimas para quem precisa fotografar em ambientes escuros.
Com uma grande abertura, você poderá jogar a velocidade do obturador lá para cima, garantindo uma foto nítida.

Por fim, às vezes não conseguimos perceber se a foto ficou completamente nítida no visor da câmera e só descobrimos depois, no computador, que ela está um pouco borrada.
Nestes casos, o pós-processamento não ajuda muito, então só resta deixar estas fotos de lado e selecionar as que ficaram boas.
Além disto, algumas fotos borradas até acabam ficando artísticas, apesar de isto não ser o usual.


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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Conseguindo um bom desfocado (bokeh) com sua câmera compacta


Se eu ganhasse um real para cada vez que ouvi a pergunta - como consigo aquele desfocado legal com a minha câmera? -, eu já estaria milionário.

Se esta for sua dúvida, recomendo antes de tudo a leitura dos seguintes artigos:

1 - Profundidade de Campo e Foco
2 - Composição: Profundidade de Campo
3 - O que é Bokeh e como faço isto?

Neles, você encontrará todos os princípios básicos e exercícios para obter um bom desfocado (bokeh) em suas fotos.
Se você tiver uma câmera Reflex, seus problemas estão resolvidos, basta ajustar corretamente as configurações de sua câmera e pronto.

Porém, se você tiver uma câmera compacta, aí as dificuldades começam a aparecer...

As limitações das câmeras compactas


As camerazinhas compactas podem ser muito úteis quando você precisa de um equipamento leve e prático. São fáceis de carregar e não chamam atenção. São ótimas para aquilo que chamamos de instantâneos, ou seja, fotos casuais de nosso dia a dia.

No entanto, quando se trata de fotografia profissional, elas possuem sérias limitações, ou você aprende a conviver com tais limitações, ou sentirá a necessidade de passar para outro nível de equipamentos.

O fato é que não se pode violar as leis da Física, ou seja, você jamais obterá com uma câmera compacta um desfocado (bokeh) como este aqui abaixo.


E muito menos como este outro abaixo, com um foco tão raso que apenas um parte da imagem está nítida.


Inclusive, mesmo com câmeras Reflex, para obter desfocados como os dos exemplos acima, você precisará de lentes específicas, senão, ainda assim, o desfocado não ficará tão legal.

Via de regra, as câmeras compactas possuem aberturas de diafragma pequenas, o que dificulta bastante a obtenção de um bom desfocado.

Além disto, a maioria das camerazinhas compactas não permitem ao fotógrafo nenhum controle manual de abertura de diafragma e velocidade do obturador (às vezes, é possível regular o ISO), ou seja, você tem de se virar com o seu conhecimento sobre fotografia para compensar estas faltas.

Os princípios do desfocado (bokeh)

Como já falamos por aqui algumas vezes e repetiremos agora, um bom desfocado depende de quatro fatores:

1 - abertura máxima de diafragma da lente;
2 - distância focal da lente;
3 - distância entre a câmera e o sujeito fotografado;
4 - distância entre o sujeito e o segundo-plano.

Portanto, as condições ideais para um bom desfocado são a maior abertura de diafragma possível, uma lente longa, fotógrafo próximo do sujeito fotografado e primeiro-plano distante do segundo-plano.
Se você conseguir reunir estes quatro elementos, aumentam muito as chances de um desfocado bonito.

Aplicando estes princípios a uma câmera compacta

Numa câmera compacta, não temos controle sobre a abertura de diafragma, aliás, só temos como saber qual foi a abertura utilizada posteriormente, ao conferirmos as propriedades da foto, ou seja, isto está além do nosso poder.

Geralmente, as câmeras compactas possuem lentes de zoom, começando em grande-angular até telefoto, e isto é uma vantagem.
Além disto, alguns modelos possuem a função macro, para fotografar pequenos objetos. Esta função é muito útil para um bom desfocado, pois nos permite aproximar bastante a câmera do primeiro-plano, como veremos nos exemplos abaixo.

Macro

Esta foto foi tirada a uns 4 centímetros do objeto, usando a função macro. Veja como os prédios ao fundo estão desfocados. Não é um bokeh extraordinário, mas já quebra um galho.

Macro Zoom

Nesta outra foto, utilizamos uma outra função, chamada macro zoom, que nos permite aproximarmos ainda mais do objeto.
Se você ampliar a foto, verá que inclusive a parte dianteira da foto ficou um pouco desfocada também, o que é um efeito muito difícil de se obter com uma câmera compacta.

Telefoto - zoom

Nesta outra sequência, nós nos afastamos do objeto um pouco e demos o zoom máximo na câmera.
Fotografar com lentes telefotos são boas maneiras para se obter bons desfocados, mesmo com câmeras compactas.
Veja como os prédios do fundo ficaram menos nítidos.

Macro zoom

Já nesta foto acima, ainda afastados, usamos a função macro zoom. Neste caso, não há diferenças perceptíveis, inclusive parece até que o desfocado da primeira foto havia ficado melhor.

Zoom + Macro

Por fim, ainda com o zoom no máximo, com a função macro habilitada e chegando o mais perto possível do objeto, fizemso esta última série de fotos, obtendo os melhores desfocados de todos.

Telefoto + Macro zoom

E, nesta última foto, com o zoom no máximo e com a função macro zoom habilitada, conseguimos desfocado no segundo-plano e até um pouco de desfocado em elementos do primeiro-plano.

Foi com esta mesma configuração que tiramos a primeira foto deste artigo, no topo, do inseto: zoom máximo, mais a função macro zoom, chegando bem perto do primeiro-plano.

Conclusão

Não é fácil para se obter um bom desfocado (bokeh) com sua câmera compacta. Você terá de testar muito as configurações possíveis, além de experimentar com o zoom e com as distâncias entre o primeiro e segundo-plano.

Às vezes, será possível obter alguns resultados satisfatórios, porém, se você deseja imagens com desfocados incríveis, talvez esteja na hora de considerar a possibilidade de fazer um upgrade em seu equipamento.

Exercícios práticos

1 - com sua câmera compacta, tire três fotos de um objeto com o segundo-plano distante:

a - bem próximo do objeto fotografado;
b - com o zoom máximo;
c - usando a função macro (se houver).

Conseguiu obter um bom desfocado?

Depois, compartilhe conosco o resultado de seus experimentos em nosso grupo do flickr
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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Como fotografar raios e relâmpagos?


Na minha opinião, fotografar relâmpagos e raios, principalmente raios, é uma das coisas mais difíceis na fotografia.

Não porque a técnica para isto seja muito complicada, mas porque você não tem como prever quando haverá as condições propícias para este tipo de fotografia.
Você nunca terá 100% de certeza que trovejará e relampejará num dia de chuva e, o que é pior, que você estará num ângulo bom para tirar as fotos.

Tudo dependerá da natureza.

Ajustando sua câmera para fotografar raios e relâmpagos


Os princípios básicos para se fotografar numa situação com relâmpagos e raios são exatamente os mesmos para a fotografia de longa exposição.

Quanto mais tempo você deixar o obturador aberto, mais luz o sensor da câmera capturará, e quanto mais alto estiver o ISO, mais ruído digital aparecerá em sua foto. Tenha sempre em mente estes dois fatores, velocidade do obturador e ISO, numa fotografia noturna.

Além disto, você necessitará de um tripé (ou uma superfície plana para apoiar a câmera) e, se possível, de um disparador remoto.


O disparador remoto é um acessório como o da foto acima, que é encaixado na câmera e com o qual você pode disparar o obturador sem precisar pressionar o botão na câmera.
Além disto, o disparador possui uma trava, assim você pode deixar o obturador aberto por quanto tempo desejar, até horas de for o caso.

Um acessório como este custa baratinho no Ebay, basta fazer a busca por "shutter release" e a marca de sua câmera. No entanto, certifique-se que sua câmera possui uma entrada específica para o disparador, pois nem todos os modelos tem esta entrada.

Além disto, você precisará de lentes específicas para as condições e para a distância da tempestade. Nestas fotos, usei uma lente 200mm, pois a chuva estava bem longe, para lá das montanhas.


Assim como com qualquer outra fotografia de longa exposição, os primeiros quadros serão para testar as configurações da câmera e ter uma noção se a foto ficou com a exposição correta.

Por exemplo, nesta imagem acima, em ISO 100, abertura de diafragma de f/8 e 19 segundos de exposição, uma das primeiras que tirei durante a tempestade, a imagem ficou bastante subexposta.


Já nesta segunda imagem, reduzimos ainda mais a velocidade do obturador, para 30 segundos, aumentamos a abertura para f/4 e subimos o ISO para 400, e a foto ficou bastante superexposta.

Conclusão: a exposição correta estaria em algum meio termo.


Mantendo o ISO e a abertura na mesma configuração, só alteramos a velocidade do obturador para 10 segundos e obtivemos a exposição desejada.

A minha técnica principal para fotografar os raios foi a seguinte:

1 - realizo o foco automático em alguma seção distante e iluminada da imagem, travando o foco em manual, assim a câmera não tentará refocar depois.
2 - em modo Bulb, isto é com o obturador aberto pelo tempo que eu desejar (para isto, tem a trava do disparador remoto), eu disparo a câmera, aguardando os relâmpagos e os raios.
3 - destravo o disparador, fechando o obturador.

Nesta tempestade fotografada, o tempo médio entre os relâmpagos era entre quinze e trinta segundos, ou seja, era o intervalo que eu tinha para abrir o obturador e aguardar.

Eu até recomendaria alguns exercícios práticos, mas raios e relâmpagos são condições tão particulares que não há como prever. Precisar ter sorte (ou azar, na opinião de alguns).

Ah, por favor, se sua câmera não for à prova de d'água, não fique esperando o pé d'água alcançá-lo!

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terça-feira, 31 de julho de 2012

O Milagre da Longa Exposição


Se você já tentou fotografar à noite, deve ter descoberto que existem dificuldades particulares quando há pouca luminosidade, e que pode ser muito complicado obter fotos que não estejam tremidas.

Você se lembra da tríade velocidade do obturador/abertura de diafragma/ISO?

Então sabe que, quanto menor for a iluminação ambiente, mais lenta terá de ser a velocidade, maior a abertura e mais alto o ISO, caso desejemos uma fotografia bem exposta.

O que veremos agora é um caso muito especial de fotografia, conhecida como Longa Exposição.

Basicamente ela consiste numa imagem criada com velocidades do obturador bastante lentas, que faz com que o sensor da câmera capture mais luz por muito mais tempo.

O que eu necessito para uma fotografia de longa exposição?


Velocidade do obturador
Antes de tudo, você necessita de uma câmera que possua Modo Manual e que o permita a menor velocidade do obturador possível (por exemplo, 30 segundos), ou com a opção "bulb", quando o obturador fica aberto pelo tempo que você desejar.
A maioria das câmeras Reflex pode ser programada para fotografar em longa exposição, e várias compactas avançadas também.

Tripé
O segundo acessório essencial é um tripé, ou uma superfícia plana onde você possa apoiar sua câmera. Se suas fotos noturnas ficam sempre borradas é porque você não tem respeitado a seguinte regrinha básica: para se fotografar segurando a câmera, a velocidade do obturador mínima deve ser igual ou superior à distância focal de sua lente para se obter uma foto nítida.
Isto quer dizer que, se você estiver fotografando com uma lente de 100mm, a velocidade mínima para a foto não ficar tremida será 1/100 ou superior. 1/50 para uma lente 50mm, ou 1/30 para uma lente 35mm.
No entanto, à noite pode ser difícil encontrar as condições necessárias para uma velocidade do obturador rápida.

Isto não significa que será impossível fotografar uma foto nítida segurando a câmera com velocidades mais lentas, pois alguns fotógrafos tem pulso firme e cada um tem uma técnica própria para que a foto não fique tremida. No entanto, será MUITO difícil que você consiga uma foto nítida numa exposição de 5 segundos, por exemplo.

Existem tripés de todos os tamanhos e preços. Tome cuidado: quando for procurar um tripé, compre um que seja específico para máquinas fotográficas, pois os que são para filmadoras não permitem o ajuste para modo retrato, somente para paisagem. Também evite comprar tripés muito frágeis e que talvez quebrem com facilidade, para não ter de ficar comprando um atrás do outro.

Disparador remoto
Quando se trata de longas exposições, qualquer vibração, mesmo do vento ou a de apertar o botão da câmera, pode fazer com que a imagem fique ligeiramente tremida.
Para evitar isto, um disparador remoto é bastante útil, principalmente porque você pode travá-lo e, em bulb, você pode deixar o obturador aberto por quanto tempo desejar, até por horas, se for o caso.
Agora, se você não possui um disparador remoto, o ideal é usar o timer da câmera para 10 segundos. Assim, você aperta o botão e, depois de 10 segundos, a câmera já terá parado de vibrar.

Entendendo a fotografa de longa exposição


Enquanto houver luz é possível fotografar, mesmo que leve horas para a câmera capturar a exposição correta.
Veja estas duas imagens acima, da vista de minha varanda à noite.
Ambas as fotos foram tiradas em ISO 100 e abertura em f/8.
A primeira, com velocidade do obturador de 1.3 segundos é exatamente como a paisagem se parece ao olhar humano, é aquilo que vemos.
Já na segunda foto, com velocidade do obturador de 918 segundos (ou seja, mais de 15 minutos de exposição), temos uma paisagem tão iluminada que parece como se fosse pouco antes do pôr do sol.
Se você ampliar as imagens, verá uns riscos brancos no céu da segundo foto: aquilo ali são as estrelas em movimento, pois com o obturador aberto por tanto tempo, o sensor capturou o rastro das estrelas em seu percurso, assim como na foto no topo capturamos as luzes dos carros na rua.

Nas duas fotos acima, tiradas com ISO 100 e f/4, temos o mesmo cenário com duas velocidades do obturador diferentes.
Na primeira, que é como o olho humano enxerga, em velocidade de 1.3", só vemos alguns pontinhos luminosos num breu quase total.
Na segunda imagem, em velocidade de 90 segundos, todos aqueles pontinhos luminosos se tornaram casas, postes de rua e carros em movimento.


Nesta terceira sequência, todas tiradas em ISO 100 e f/4, temos três fotos tiradas em longa exposição. A primeira em 77 segundos, a segundo em 365 segundos e a última em 619 segundos.
Perceba a diferença de luminosidade entre as fotos e quão clara a última ficou.

A dificuldade da longa exposição é que você não tem como prever como a foto ficará enquanto não houver aguardado todos os segundos ou minutos de exposição, pois o fotômetro da câmera é de pouca serventia em condições de baixa luminosidade.
Além disto, você geralmente optará por fotografar em ISO 100 ou o menor ISO possível, pois terá fotos com pouco ou nenhum ruído digital, extremamente nítidas e belas.

Alguns exemplos de fotografia de longa exposição


Esta imagem do panorama urbano de Nova York foi obtida com uma velocidade de 1 segundo, que já é uma exposição longa, mas, como se tratava de um cenário bastante iluminado, não havia necessidade de um tempo muito prolongado.
Foi usado um tripé e um disparador remoto.


Foto da Ponte do Brooklyn tirada em 1.3 segundos, com tripé e disparador remoto.


Paisagem noturna da Perúgia, na Itália, em 20 segundos, com tripé e disparador remoto. Tempo o suficiente para capturar o brilho das estrelas, mas sem deixar aquele rastro delas.


Foto tirada num lago em Taiwan, em 5 segundos.
Este foi um cenário problemático, pois eu estava sem tripé e tiver de apoiar a câmera numa mureta. Para que os barcos não ficassem borrados por causa do movimento da água, nem que o restante do cenário ficasse tremido pelo meu movimento do braço segurando a câmera sobre a mureta, tive de optar por um ISO alto e uma velocidade do obturador mais rápida.


Torre de uma igreja em Santiago do Chile, tirada em 30". Como eu não tinha tripé, apoiei a câmera numa grade que havia na janela e usei o timer da câmera para dispará-la.

Exercícios práticos

1 - utilizando sua câmera em Modo Manual, ISO 100 e abertura de f/8, usando um tripé ou apoiando sua câmera sobre uma superfície plana, tire três fotos noturnas:

a - em velocidade do obturador em 1 segundo;
b - em velocidade do obturador em 15 segundos; e
c - em velocidade do obturador em 30 segundos.

Qual delas ficou melhor?

2 - se possível, encontre um cenário urbano, com prédios e com ruas movimentadas, e tire três fotos:

a - em velocidade do obturador em 1 segundo;
b - em velocidade do obturador em 15 segundos; e
c - em velocidade do obturador em 30 segundos.

Qual delas ficou melhor? Alguma delas ficou clara de demais? Conseguiu capturar os rastros de luzes dos carros passando?

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quarta-feira, 13 de junho de 2012

O que é Bokeh e como eu faço isto?

(1/30 f/4.5 ISO 400, por Denise Nappi: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6380090057/)

Bokeh é um nome bonitinho para designar aquele desfocado nas fotos, geralmente no primeiro ou segundo-plano de retratos.


Este é um efeito poderoso para realçar a tridimensionalidade da imagem, além de ser particularmente charmoso.

Como faço um Bokeh?

Como você já leu no artigo sobre profundidade de campo, a quantidade de elementos em foco numa imagem dependem de quatro fatores principais:

1 - da abertura de diafragma máxima da lente,
2 - da distância focal da lente,
3 - da distância entre o fotógrafo e o primeiro plano e
4 - da distância do primeiro para o segundo plano.

1 - A abertura de diafragma e o bokeh


Quanto maior for a abertura de diafragma da lente, menos elementos estarão em foco e mais acentuado será o bokeh.
Na imagem acima, foi utilizada uma lente bastante rápida, com abertura de f/1.4. Você pode perceber que apenas uma pequena seção da foto está em foco, todo o resto está com um suave desfocado.

2 - A distância focal e o bokeh


Comumente, você obterá um bokeh muito mais bonito com lentes longas, como telefotos, mesmo com aberturas de diafragma menores, como no caso acima, com uma lente de zoom em 75mm e abertura de diafragma em f/5.6.
Observe como somente o setor central da foto está em foco, e todo o restante com um agradável desfocado.


Este é exatamente o mesmo caso desta outra foto, numa distância focal de 176mm, na qual apenas uma pequena parte da imagem está em foco, e todo o restante está borrado.


É muito difícil de se obter um bokeh satisfatório usando uma lente grande-angular ou com aberturas pequenas, como no caso da foto acima, com uma lente de 24mm e uma abertura de f/9.

Você pode reparar que, ao contrário das outras fotos, tanto o primeiro plano quanto o segundo estão bastante nítidos e em foco.
Infelizmente, não há como burlar as leis da ótica, a não ser usando o Photoshop.

3 - A distância do fotógrafo para o primeiro plano e o bokeh



Quanto mais próximo você estiver do primeiro plano, maior será o desfocado do segundo plano, principalmente se este segundo plano estiver distante.
Na imagem acima, utilizamos uma abertura de diafragma mediana, de f/3.5, mas, em compensação, estávamos bem próximos da cabeça do Jesus morto. Isto permitiu um leve bokeh no segundo plano, no qual ainda podemos distinguir os traços de Maria, mas sem muita nitidez.


Este outro exemplo parte do mesmo princípio, com a câmera bastante próxima do primeiro plano e, consequentemente, com o segundo plano um pouco (ou bastante) desfocado.



Todavia, se o fotógrafo estiver distante do primeiro plano, mesmo que esteja usando uma telefoto com a abertura máxima, como na situação acima, na qual fotografamos este morro com uma lente em 163mm e abertura de f/4, o bokeh não será tão satisfatório.

Você pode constatar que o segundo plano, com as outras colinas e montanhas, ainda estão bastante em foco, mas isto porque o primeiro plano está muito distante da câmera.

4 - A distância entre o primeiro e o segundo plano e o bokeh


Neste autorretrato, apesar de estar com uma abertura pequena de f/11, por ser uma lente telefoto em 135mm, próxima do primeiro plano e bastante longe do segundo, temos um bokeh muito evidente.


Já nesta outra situação, estávamos distantes do primeiro plano, mas o segundo plano estava mais longe ainda, além de termos usado uma telefoto com a abertura máxima, por isto o desfocado perceptível.

Juntando tudo

O bokeh ideal é quando você consegue reunir estes quatro fatores. Em ordem de relevância, eu diria que em primeiro lugar vem a abertura de diafragma, depois uma lente telefoto, depois a distância entre o primeiro e o segundo plano e, por fim, a distância entre o fotógrafo e o primeiro plano.

Nos quatro exemplos abaixo, você poderá perceber algumas diferenças.





Foto tirada com telefoto, próximo do primeiro plano, distante do segundo plano com abertura pequena em f/8.
O fundo está completamente desfocado.


Foto tirada com grande-angular, próximo ao primeiro plano, distante do segundo com abertura do diafragma máxima em f/4.
Fundo parcialmente desfocado.



Foto tirada com grande-angular, próximo a primeiro plano, distante do segundo com abertura do diafragma pequena em f/8.
Fundo quase nítido.



Foto tirada com telefoto, um pouco distante do primeiro plano, bastante distante do segundo plano com abertura do diafragma máxima em f/4.
O fundo está bastante desfocado.

Conclusão

O bokeh é uma excelente técnica composicional da fotografia, que deixará suas fotos muito mais interessantes.
Ele depende de quatro fatores básicos e, com o tempo, a realização de um bom bokeh se tornará natural, já identificando em quais situações ou com que tipo de equipamento ficará mais agradável.

Exercícios práticos

1 - com uma lente telefoto (51mm ou mais longa) tire as seguintes fotos:

a - com abertura máxima, próximo do primeiro plano e com segundo plano distante;
b - com abertura máxima, distante tanto do primeiro quanto do segundo plano;
c - com uma abertura pequena (por exemplo, f/11),  próximo do primeiro plano e com segundo plano distante; e
d - com uma abertura pequena (por exemplo, f/11), distante tanto do primeiro quanto do segundo plano.



2 - repita estes mesmos exercícios com uma lente grande-angular (49mm ou mais curta).

Em quais destas fotos você reparou que o bokeh ficou mais aparente?

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