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domingo, 14 de abril de 2013

Fotografando em condições adversas - quais as recomendações?

Chuva em Nova York

Já falamos sobre os diferentes horários do dia para se fotografar, sobre as "hora douradas" e também sobre algumas condições climáticas especiais.

No entanto, nunca é demais tomar cautela em algumas circunstâncias, assim como saber o que esperar.

Chovendo


Geralmente, chuva é um balde de água fria para qualquer fotógrafo.

Se você pretende fazer retratos, talvez seja obrigado a ir para um ambiente fechado. Se for para fotografar paisagens, então a situação pode ficar bastante complicada.

Por outro lado, dias chuvosos também podem significar belas e interessantes fotos. Se você tiver uma câmera (e uma lente) resistentes à chuva, é só sair por aí clicando sem medo de ser feliz.

No entanto, se sua câmera é daquelas que jamais aguentariam um chuvisco, isto é, a maioria dos modelos de todas as marcas, o recomendável é encontrar algum lugar protegido, de onde você poderá fotografar. Alguns bons refúgios são de dentro de um carro, sob uma marquise ou pela janela.

Como fotografar os pingos da chuva?



Isto não é nada fácil, eu lhe garanto.

Se for uma chuva muito fraca ou fina, será quase impossível fotografar os pingos caindo. Já com chuvas mais fortes, é possível capturar as gotas usando o flash e com uma velocidade do obturador mais rápida, como 1/100, ou mais veloz.

Na imagem acima, é possível observar a chuva caindo no primeiro plano, enquanto os edifícios ficaram nítidos.



Já nesta segunda imagem, que foi um pouco mais complicada de ser obtida, o foco da lente foi obtido manualmente, para uma distância aproximada de uns 3 metros e, usando o flash, foi possível fotografar claramente as gotas mais próximas (aqueles risquinhos brancos).

Sol forte na praia


Um belo dia de sol na praia parece ser a condição ideal para uma boa foto. Contudo, não se engane. O reflexo do sol na areia branca ou no mar pode facilmente enganar o fotômetro de sua câmera, fazendo com que você exponha incorretamente a foto, subexpondo-a (escura demais).

Nestas circunstâncias, você terá duas opções:

1 - tirar duas ou três fotos até obter a exposição correta, o que nem sempre é fácil, pois o sol forte pode atrapalhar na hora de conferir o resultado no visor digital, ou



2 - fiar-se na tabela sol-16. Lembrando que esta tabela prevê que, num dia ensolarado, a exposição deve ser de velocidade do obturador igual a ISO para f/16.
"Credo, isto parece álgebra!", você deve estar gritando. Na prática, é muito mais simples. Se você estiver com a câmera em ISO 100, basta ajustar a velocidade do obturador para 1/125 e a abertura de diafragma para f/16.
Quase nunca falha.
Leia mais sobre o sol-16 aqui.

E não se esqueça que, se sua câmera não for à prova d'água, jamais mergulhe com ela no mar. Também é bom dar uma limpada na câmera e nas lentes depois, para tirar areia do equipamento.

Escuro demais

Situações nas quais você se depara com um cenário escuro demais criam dois problemas principais: 1 - consegui focar corretamente e 2 - decidir-se qual é a exposição correta.

Quando se trata de uma paisagem, como na imagem acima, você ainda terá a opção de fazer uma longa exposição, isto é, deixar o obturador aberto por vários segundos, ou até minutos, até conseguir a exposição desejada.


Contudo, se você estiver fotografando uma pessoa, a solução será usar o flash, alguma lente rápida ou jogar o ISO nas nuvens.
Na foto acima, foi usado um flash direto num salão escuro. Uma velocidade do obturador mais lenta permitiu também que a iluminação ambiente fosse capturada.


Já nesta outra foto, uma lente rápida permitiu obter a imagem mesmo com pouquíssima iluminação. No entanto, neste caso, o problema da focagem continua, às vezes obrigando o fotógrafo a usar o foco manual.

Nevando

Sei que não neva no Brasil, mas, se por acaso um dia você estiver em algum país que neva, certamente desejará preservar este momento.

Fotografar a neve caindo representa quase os mesmos desafios da chuva. Você precisará de uma velocidade do obturador mais rápida, além de ter de ser uma neve mais gorda.


Se for um dia ensolarado e você estiver fotografando uma paisagem nevada, valem as mesmas regras para um dia de sol na praia. A neve reflete a luz e pode confundir o fotômetro da câmera. Talvez sejam necessários alguns cliques até obter a exposição correta.

Por causa do frio, você também tem de prestar atenção à condensação.
Quando você passa de um ambiente muito frio para outro muito quente, o visor poderá embaçar, portanto, o melhor é guardar o equipamento na mochila, para que a variação térmica não seja muito grande, evitando assim também outros problemas que a condensação pode causar nas câmeras.

Não há porque ter medo de situações adversas, mas sempre preste atenção a estas recomendações. Depois, você se habituará a elas e já saberá como se comportar na chuva, no sol escaldante e até na neve.

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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Como fotografar raios e relâmpagos?


Na minha opinião, fotografar relâmpagos e raios, principalmente raios, é uma das coisas mais difíceis na fotografia.

Não porque a técnica para isto seja muito complicada, mas porque você não tem como prever quando haverá as condições propícias para este tipo de fotografia.
Você nunca terá 100% de certeza que trovejará e relampejará num dia de chuva e, o que é pior, que você estará num ângulo bom para tirar as fotos.

Tudo dependerá da natureza.

Ajustando sua câmera para fotografar raios e relâmpagos


Os princípios básicos para se fotografar numa situação com relâmpagos e raios são exatamente os mesmos para a fotografia de longa exposição.

Quanto mais tempo você deixar o obturador aberto, mais luz o sensor da câmera capturará, e quanto mais alto estiver o ISO, mais ruído digital aparecerá em sua foto. Tenha sempre em mente estes dois fatores, velocidade do obturador e ISO, numa fotografia noturna.

Além disto, você necessitará de um tripé (ou uma superfície plana para apoiar a câmera) e, se possível, de um disparador remoto.


O disparador remoto é um acessório como o da foto acima, que é encaixado na câmera e com o qual você pode disparar o obturador sem precisar pressionar o botão na câmera.
Além disto, o disparador possui uma trava, assim você pode deixar o obturador aberto por quanto tempo desejar, até horas de for o caso.

Um acessório como este custa baratinho no Ebay, basta fazer a busca por "shutter release" e a marca de sua câmera. No entanto, certifique-se que sua câmera possui uma entrada específica para o disparador, pois nem todos os modelos tem esta entrada.

Além disto, você precisará de lentes específicas para as condições e para a distância da tempestade. Nestas fotos, usei uma lente 200mm, pois a chuva estava bem longe, para lá das montanhas.


Assim como com qualquer outra fotografia de longa exposição, os primeiros quadros serão para testar as configurações da câmera e ter uma noção se a foto ficou com a exposição correta.

Por exemplo, nesta imagem acima, em ISO 100, abertura de diafragma de f/8 e 19 segundos de exposição, uma das primeiras que tirei durante a tempestade, a imagem ficou bastante subexposta.


Já nesta segunda imagem, reduzimos ainda mais a velocidade do obturador, para 30 segundos, aumentamos a abertura para f/4 e subimos o ISO para 400, e a foto ficou bastante superexposta.

Conclusão: a exposição correta estaria em algum meio termo.


Mantendo o ISO e a abertura na mesma configuração, só alteramos a velocidade do obturador para 10 segundos e obtivemos a exposição desejada.

A minha técnica principal para fotografar os raios foi a seguinte:

1 - realizo o foco automático em alguma seção distante e iluminada da imagem, travando o foco em manual, assim a câmera não tentará refocar depois.
2 - em modo Bulb, isto é com o obturador aberto pelo tempo que eu desejar (para isto, tem a trava do disparador remoto), eu disparo a câmera, aguardando os relâmpagos e os raios.
3 - destravo o disparador, fechando o obturador.

Nesta tempestade fotografada, o tempo médio entre os relâmpagos era entre quinze e trinta segundos, ou seja, era o intervalo que eu tinha para abrir o obturador e aguardar.

Eu até recomendaria alguns exercícios práticos, mas raios e relâmpagos são condições tão particulares que não há como prever. Precisar ter sorte (ou azar, na opinião de alguns).

Ah, por favor, se sua câmera não for à prova de d'água, não fique esperando o pé d'água alcançá-lo!

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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Filtro UV: usar ou não usar na lente?


Este é um dos pequenos debates polêmicos entre os fotógrafos e que pode até causar inimizades: usar ou não usar o filtro UV em suas lentes?

Tradicionalmente, os filtros UV eram usados para reduzir a incidência de raios ultravioletas, que podiam causar efeitos indesejados em filmes fotográficos.

No entanto, atualmente, apesar de as câmeras digitais não serem afetadas pelos raios UV, muitos fotógrafos ainda utilizam estes filtros com um único propósito: de protegerem suas lentes contra arranhões ou demais danos causados pelo uso.

Quando utilizar o filtro UV?


É difícil julgar pela cabeça do outro, mas desde que comprei minha primeira câmera Reflex e passei a estudar fotografia, praticamente em todas as fotos que tirei o filtro UV estava nas lentes.

Possuo um filtro UV para cada lente minha, de diferentes tamanhos de acordo com o diâmetro de cada lente específica. O ideal é sempre comprar o filtro na mesma loja e no mesmo instante em que você compra a lente e/ou a câmera. Algumas das melhores marcas são Hoya e Tiffen.

A minha lógica, ao usar um filtro, é a seguinte: as boas lentes custam caro, filtros bons são baratos. Se eu riscar uma lente, são algumas centenas ou até milhares de dólares para comprar uma nova. Se eu riscar um filtro, com 30 ou 40 dólares compro um outro.


Particularmente, não percebo nenhuma perda de qualidade ótica que me estimule a me arriscar a fotografar sem os filtros, e como sou um fotógrafo de viagens, sempre em movimento, com a câmera dentro da mochila, na praia, em ruas movimentadas, subindo e descendo escadas, e assim por diante, para mim os filtros são essenciais.

No entanto, sei de vários fotógrafos que não usam e não recomendam o uso.

Mas eu recomendo!

Quando não usar os filtros UV?


Por mais eficaz que um filtro seja na hora de proteger sua lente, em algumas situações ele poderá atrapalhar.
A partir do momento que você adiciona mais um elemento diante de sua lente, você estará sujeito a interferências desagradáveis em sua foto. Por causa de reflexos internos, sua imagem poderá ficar com flare, isto é, alguns círculos luminosos em pontos da foto.

Observe a imagem acima e tente perceber se há alguma coisa de errada com ela.

Está vendo quatro círculos verdes na parte superior direita da foto?


Estes círculos e outros dois reflexos marcados em vermelho nesta segunda imagem demostram o efeito que o filtro UV pode causar em suas fotos, principalmente em fotos noturnas, quando há vários focos de luz, como luzes de postes, faróis de carros, lâmpadas, etc.

Nestas circunstâncias, você terá duas escolhas: 1 - retirar o filtro e fotografar sem ele por alguns instantes, ou 2 - fotografar com o filtro e depois tentar corrigir as imagens no pós-processamento.

No primeiro caso, você estará expondo a sua lente a arranhões (e, não se engane, todo cuidado é pouco!), no segundo, você terá o trabalho de tentar arrumar a foto depois, o que nem sempre é possível.


Quando estou em situações controladas, usando um tripé e/ou sem muita gente por perto (como na imagem acima), não tenho nenhum receio em remover o filtro para fotografias noturnas, mas se for num show ou num ambiente muito movimentado, prefiro tentar corrigir a foto depois.

E você, fotografa com ou sem filtro em suas lentes?


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terça-feira, 31 de julho de 2012

O Milagre da Longa Exposição


Se você já tentou fotografar à noite, deve ter descoberto que existem dificuldades particulares quando há pouca luminosidade, e que pode ser muito complicado obter fotos que não estejam tremidas.

Você se lembra da tríade velocidade do obturador/abertura de diafragma/ISO?

Então sabe que, quanto menor for a iluminação ambiente, mais lenta terá de ser a velocidade, maior a abertura e mais alto o ISO, caso desejemos uma fotografia bem exposta.

O que veremos agora é um caso muito especial de fotografia, conhecida como Longa Exposição.

Basicamente ela consiste numa imagem criada com velocidades do obturador bastante lentas, que faz com que o sensor da câmera capture mais luz por muito mais tempo.

O que eu necessito para uma fotografia de longa exposição?


Velocidade do obturador
Antes de tudo, você necessita de uma câmera que possua Modo Manual e que o permita a menor velocidade do obturador possível (por exemplo, 30 segundos), ou com a opção "bulb", quando o obturador fica aberto pelo tempo que você desejar.
A maioria das câmeras Reflex pode ser programada para fotografar em longa exposição, e várias compactas avançadas também.

Tripé
O segundo acessório essencial é um tripé, ou uma superfícia plana onde você possa apoiar sua câmera. Se suas fotos noturnas ficam sempre borradas é porque você não tem respeitado a seguinte regrinha básica: para se fotografar segurando a câmera, a velocidade do obturador mínima deve ser igual ou superior à distância focal de sua lente para se obter uma foto nítida.
Isto quer dizer que, se você estiver fotografando com uma lente de 100mm, a velocidade mínima para a foto não ficar tremida será 1/100 ou superior. 1/50 para uma lente 50mm, ou 1/30 para uma lente 35mm.
No entanto, à noite pode ser difícil encontrar as condições necessárias para uma velocidade do obturador rápida.

Isto não significa que será impossível fotografar uma foto nítida segurando a câmera com velocidades mais lentas, pois alguns fotógrafos tem pulso firme e cada um tem uma técnica própria para que a foto não fique tremida. No entanto, será MUITO difícil que você consiga uma foto nítida numa exposição de 5 segundos, por exemplo.

Existem tripés de todos os tamanhos e preços. Tome cuidado: quando for procurar um tripé, compre um que seja específico para máquinas fotográficas, pois os que são para filmadoras não permitem o ajuste para modo retrato, somente para paisagem. Também evite comprar tripés muito frágeis e que talvez quebrem com facilidade, para não ter de ficar comprando um atrás do outro.

Disparador remoto
Quando se trata de longas exposições, qualquer vibração, mesmo do vento ou a de apertar o botão da câmera, pode fazer com que a imagem fique ligeiramente tremida.
Para evitar isto, um disparador remoto é bastante útil, principalmente porque você pode travá-lo e, em bulb, você pode deixar o obturador aberto por quanto tempo desejar, até por horas, se for o caso.
Agora, se você não possui um disparador remoto, o ideal é usar o timer da câmera para 10 segundos. Assim, você aperta o botão e, depois de 10 segundos, a câmera já terá parado de vibrar.

Entendendo a fotografa de longa exposição


Enquanto houver luz é possível fotografar, mesmo que leve horas para a câmera capturar a exposição correta.
Veja estas duas imagens acima, da vista de minha varanda à noite.
Ambas as fotos foram tiradas em ISO 100 e abertura em f/8.
A primeira, com velocidade do obturador de 1.3 segundos é exatamente como a paisagem se parece ao olhar humano, é aquilo que vemos.
Já na segunda foto, com velocidade do obturador de 918 segundos (ou seja, mais de 15 minutos de exposição), temos uma paisagem tão iluminada que parece como se fosse pouco antes do pôr do sol.
Se você ampliar as imagens, verá uns riscos brancos no céu da segundo foto: aquilo ali são as estrelas em movimento, pois com o obturador aberto por tanto tempo, o sensor capturou o rastro das estrelas em seu percurso, assim como na foto no topo capturamos as luzes dos carros na rua.

Nas duas fotos acima, tiradas com ISO 100 e f/4, temos o mesmo cenário com duas velocidades do obturador diferentes.
Na primeira, que é como o olho humano enxerga, em velocidade de 1.3", só vemos alguns pontinhos luminosos num breu quase total.
Na segunda imagem, em velocidade de 90 segundos, todos aqueles pontinhos luminosos se tornaram casas, postes de rua e carros em movimento.


Nesta terceira sequência, todas tiradas em ISO 100 e f/4, temos três fotos tiradas em longa exposição. A primeira em 77 segundos, a segundo em 365 segundos e a última em 619 segundos.
Perceba a diferença de luminosidade entre as fotos e quão clara a última ficou.

A dificuldade da longa exposição é que você não tem como prever como a foto ficará enquanto não houver aguardado todos os segundos ou minutos de exposição, pois o fotômetro da câmera é de pouca serventia em condições de baixa luminosidade.
Além disto, você geralmente optará por fotografar em ISO 100 ou o menor ISO possível, pois terá fotos com pouco ou nenhum ruído digital, extremamente nítidas e belas.

Alguns exemplos de fotografia de longa exposição


Esta imagem do panorama urbano de Nova York foi obtida com uma velocidade de 1 segundo, que já é uma exposição longa, mas, como se tratava de um cenário bastante iluminado, não havia necessidade de um tempo muito prolongado.
Foi usado um tripé e um disparador remoto.


Foto da Ponte do Brooklyn tirada em 1.3 segundos, com tripé e disparador remoto.


Paisagem noturna da Perúgia, na Itália, em 20 segundos, com tripé e disparador remoto. Tempo o suficiente para capturar o brilho das estrelas, mas sem deixar aquele rastro delas.


Foto tirada num lago em Taiwan, em 5 segundos.
Este foi um cenário problemático, pois eu estava sem tripé e tiver de apoiar a câmera numa mureta. Para que os barcos não ficassem borrados por causa do movimento da água, nem que o restante do cenário ficasse tremido pelo meu movimento do braço segurando a câmera sobre a mureta, tive de optar por um ISO alto e uma velocidade do obturador mais rápida.


Torre de uma igreja em Santiago do Chile, tirada em 30". Como eu não tinha tripé, apoiei a câmera numa grade que havia na janela e usei o timer da câmera para dispará-la.

Exercícios práticos

1 - utilizando sua câmera em Modo Manual, ISO 100 e abertura de f/8, usando um tripé ou apoiando sua câmera sobre uma superfície plana, tire três fotos noturnas:

a - em velocidade do obturador em 1 segundo;
b - em velocidade do obturador em 15 segundos; e
c - em velocidade do obturador em 30 segundos.

Qual delas ficou melhor?

2 - se possível, encontre um cenário urbano, com prédios e com ruas movimentadas, e tire três fotos:

a - em velocidade do obturador em 1 segundo;
b - em velocidade do obturador em 15 segundos; e
c - em velocidade do obturador em 30 segundos.

Qual delas ficou melhor? Alguma delas ficou clara de demais? Conseguiu capturar os rastros de luzes dos carros passando?

3 - Compartilhe conosco o resultado de seus experimentos com longa exposição em nosso grupo do flickr
http://www.flickr.com/groups/calabocaeclica/



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sábado, 5 de maio de 2012

Hoje é noite de fotografar a Lua!

(1/60 f/10 ISO 100, Superlua de 5 de maio de 2012http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/7146061117/)

Estão todos os jornais falando que, neste mês de maio (ou, melhor, na noite de 5 de maio), teremos a mais bela Lua cheia do ano de 2012.

E o óbvio é que todo o mundo, de astrônomos e amadores, estarão apontando suas câmeras para a Lua, querendo capturar a melhor imagem possível deste astro.

Os três equipamentos básicos para tirar uma boa foto da Lua são:

1 - uma câmera fotográfica (dãããã!) com Modo Manual;
2 - uma lente telefoto; e
3 - um tripé.

Além disto, é evidente que o céu tem de estar limpo para você conseguir tirar uma boa foto da Lua.

Escolhendo a melhor velocidade do obturador


Se você já tentou fotografar a Lua anteriormente, principalmente com câmeras compactas automáticas, imagino que deva ter obtido um resultado semelhante a este acima.

Por quê?

Como está de noite, o fotômetro da câmera faz uma medição de todo o quadro, avaliando as partes claras e escuras, e recomenda uma exposição intermediária.
Se você já se arriscou a fazer fotografias noturnas, já deve saber que, às vezes, necessitamos de longas exposições, de 1 segundo ou muito mais, para obter uma bela imagem à noite.

Na imagem acima (recorte), com a velocidade do obturador em 1 segundo e usando tripé, temos um disco branco sem nenhum detalhe. É isto que sua câmera pensa que é a melhor exposição neste caso.


Então, aceleramos bastante a velocidade do obturador, para 1/60 e obtivemos a imagem acima (recorte), ainda de um disco branco, mas com alguns detalhes no interior. Agora já está começando a se parecer com a Lua, mas ainda não é a foto que gostaríamos.


Para isto, deixamos o obturador mais rápido, em 1/160 e foi como obtivemos a imagem acima (recorte), já com bastantes detalhes, na qual podemos ver as crateras e mares da Lua.

A Lua e a Distância Focal de sua Lente


Na hora de fotografar a Lua, você desejará utilizar, a princípio, a lente telefoto com a maior distância focal possível.

Quanto mais longa, melhor, não é?

Mais ou menos, eu digo...

Eu tenho duas lentes telefoto longas no meu kit: uma Canon 70-200mm f/4 L, que é uma lente excepcional, e uma Canon 70-300mm f/4-5.6, que é uma lente excepcionalmente ruim.

Olhando na comparação acima, com as fotos originais, vemos que a lente de 300mm aproximou muito mais a Lua, no entanto, o problema está nos detalhes.


Quando recortamos as duas fotos, mesmo após a edição delas, podemos perceber claramente quão rica de detalhes é a imagem da Lua com a lente melhor (200mm), enquanto na telefoto mais longa (300mm) a imagem ficou um pouco menos nítida.

Apesar de ter recortado mais a foto com a lente de 200mm, ainda prefiro ela por causa dos detalhes mais nítidos.

Só lembrando que o uso do tripé é quase imprescindível, pois com uma distância focal longa, à noite, qualquer tremidinha já deixará sua foto bastante borrada.
A opção seria subir o ISO ao máximo, mas isto implicaria em perda de nitidez e, consequentemente, de detalhes.

Já ouvi alguns fotógrafos falando que usam telescópios em combinação com a câmera, mas não tenho ideia de como isto funciona, nem tenho um telescópio para testar.

Pós-processamento


Esta é a foto original da Lua tirada com uma lente 70-200mm, na distância focal máxima. Como você pode reparar, a Lua está bastante nítida, mas um pouco distante para podermos analisar a riqueza de detalhes do satélite.


Nesta situação, pós-processamento digital da foto é inevitável, primeiro recortando a foto.

Contudo, ainda não estamos muito satisfeitos com esta imagem. Ela não tem muito contraste, apesar de já podermos visualizar relativamente bem os acidentes na superfície lunar.


Por fim, no Adobe Lightroom, eu fiz algumas correções reduzindo o brilho (brightness) e aumentando o contraste (contrast) para acentuar as crateras, mares e outros acidentes. Além disto, aumentei o vibrance e também a nitidez (sharpness).

O único problema é que, por ser um recorte grande da imagem original, não podemos ampliá-la muito, senão haverá perda de resolução.

Fotografando a Lua de dia


Às vezes, mesmo durante o dia, a Lua dá as caras e para fotografá-la nestas situações não há segredo algum.

A única coisa que você deve realmente prestar atenção é, sempre ao usar lentes telefoto, manter uma velocidade do obturador mínima igual à distância focal. Por exemplo, se você estiver usando uma lente de 200mm, a velocidade do obturador mínima deve ser 1/200, preferencialmente mais se você estiver usando uma câmera que não seja full frame.
Esta é a sua garantia que a foto não ficará tremida.

De resto, basta expor a imagem de acordo com o fotômetro de sua câmera e correr pra galera!

Paisagens iluminadas pela Lua


Agora, se você deseja fotografar um cenário iluminado pela Lua, entraremos numa foto de longa exposição convencional, na qual você precisará de uma velocidade obturador mais lenta para capturar a iluminação ambiente.

Uma vez mais, você precisará de um tripé, ou de uma superfície plana para apoiar a câmera e, frequentemente, usar um disparador remoto ou o timer da câmera, pois o mero ato de clicar a câmera já pode fazer com que a foto fique tremida.

No entanto, já adianto, é impossível obter uma imagem nítida da Lua e, ao mesmo tempo, fazer uma foto de longa exposição. Você terá de escolher uma ou outra, ou usar o Photoshop para fazer uma montagem.

Sem filtros

Só lembrando que, ao se fotografar a Lua, o recomendável é retirar todos os filtros da lente, incluindo o UV, para evitar reflexos internos que criam um efeito indesejável na foto.

Mas, logo em seguida, recoloque o filtro.

Exercícios práticos


1 - usando uma lente telefoto (ou superzoom) e um tripé, tire três fotos da Lua, na abertura máxima da lente e ISO 100:

a - com uma velocidade lenta (de 1 segundo ou mais);
b - com uma velocidade intermediária (entre 1/30 e 1/60);
c - com uma velocidade rápida (acima de 1/160).

Conseguiu obter a exposição correta em qual destas velocidades?

Lembrando que, se você optar por uma abertura menor, terá de fazer os ajustes na velocidade.

2 - usando uma lente grande-angular ou normal e um tripé, tire fotos de um cenário iluminado pela Lua. Qual foi a configuração necessária para obter uma boa exposição?

3 - compartilhe conosco suas fotos da Lua no nosso grupo do Flickr.
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domingo, 26 de junho de 2011

Introdução à fotografia 12 - usos criativos da velocidade do obturador

Intro 12 - Brooklyn Bridge

Já vimos o que é a velocidade do obturador e como ele funciona quase da mesma maneira de nossas pálpebras. Também aprendemos como as diferentes velocidades do obturador influenciam na imagem final, se congelará o movimento ou se deixará a imagem borrada.

Neste artigo, apresentaremos alguns usos criativos da velocidade do obturador, diante de diferentes situações.

Congelando o movimento
Intro 12 - congelando o movimento

Para congelar o movimento, seja de uma criança correndo, de um pássaro voando, de um carro de corridas ou da neve caindo, você precisará fotografar com uma velocidade de obturador rápida.

Por exemplo, na foto acima, da água de um chafariz, foi uma usada uma velocidade de 1/1600 de segundo, ou seja, quase dois milésimos de segundo, para obtermos esta sensação de uma água cristalizada, quase como se fossem pedras de gelo. Se houvéssemos utilizado uma velocidade lenta demais, a água teria ficado borrada, dando uma sensação maior de movimento, sem congelar as gotículas que caem e sem capturar os detalhes da água projetando-se no ar.

Intro 12 - Helicóptero

Já na foto acima, a ideia era congelar o movimento das hélices do helicóptero, dando a sensação de ser um brinquedo imóvel suspenso sobre o prédio. Para isto, a velocidade do obturador foi ainda mais rápida, de 1/2500 de segundo.

Blizzard in New York

A velocidade do obturador necessária para congelar os flocos de neve não é tão alta quanto das fotos anteriores, mas, mesmo assim, ainda é bastante rápida, de 1/320 de segundo. Outros fatores determinantes para se obter uma foto como esta são os tamanhos dos flocos, quanto maiores, melhor, e também o contraste com o segundo-plano - se o fundo fosse de branco ou de uma cor clara, o flocos de neve não seriam tão perceptíveis, como você pode notar na chão ou na van à direita.

Longa exposição
Intro 12 - east harlem

Longa exposição é quando o obturador fica aberto durante um longo tempo para poder capturar mais luz.
Quase sempre será necessário utilizar um tripé, caso você não queira que sua foto fique borrada, apesar de nem sempre o tripé ser uma garantia total, pois, se a exposição for muito longa, até o vento que bate em sua câmera pode causar um ligeiro tremor na foto, principalmente com lentes telefoto.
A foto acima, tirada numa rua relativamente escura, utilizou uma velocidade de obturador de 30 segundos. Isto mesmo, 30 segundos! Você aperta o botão da câmera, a cortina do obturador se abre, e você espera, espera e espera... 30 segundos depois, você tem a foto.
Os rastros luminosos na rua são dos faróis dos carros, pois, por ficar com o obturador aberto por tanto tempo, o sensor da câmera registra todas as luzes que passam pelo quadro.

Já a foto no topo, da Brooklyn Bridge, utilizou uma exposição bem mais breve, de 1.3 segundos, tempo necessário para ressaltar a iluminação já existente na paisagem urbana.

Nos primórdios da fotografia, exposições longas era muito mais habituais, às vezes de várias horas, pois a sensibilidade (ISO) dos filmes ou chapas fotográficas eram muito baixas. Mas, com uma câmera Reflex, ainda hoje é possível fotografar com exposição de vários minutos, dependendo da escassez da iluminação ambiente.

Panning
Intro 12 - panning 2

Panning é uma técnica bastante específica para congelar o movimento de um elemento na foto, mas ainda dar a sensação de movimento.
Ela é sempre tirada com a velocidade de 1/15 de segundo e o segredo está em acompanhar o sujeito da foto com a câmera que passa por você numa ângulo de 90 graus, ou seja, alguém que passe pela sua frente da direita para a esquerda (ou vice-versa), e não que venha em sua direção ou que se afaste de você.

Intro 12 - panning 1

Para tanto, você deve ajustar a velocidade do obturador em 1/15, e as demais configurações de abertura e ISO como indicar o fotômetro e aguardar que o sujeito passe diante de você. Você o acompanha com a câmera, aperta o botão para fotografar, e continua acompanhando-o até ouvir o clique.
Você terá o objeto em movimento com nitidez (ou praticamente nítido) e o fundo ficará borrado, dando uma sensação interessante de movimento.

Geralmente, esta técnica funciona melhor com veículos com rodas do que com pessoas ou animais, pois as pernas ou patas tendem a ficar borradas e disformes.

Exercícios práticos
1 - Em modo manual, tire fotos de objetos em movimento - carro, avião, esporte, animais, chafariz, etc - com a velocidade do obturador necessária para congelar o movimento.

2 - Em modo manual, tire fotos à noite em longa exposição (com velocidades do obturador superiores a 1 segundo) e confira o resultado. Se você não possuir um tripé, pode utilizar qualquer superfície plana como suporte, como bancos, muretas ou o próprio chão.

3 - Em modo manual, configure a velocidade do obturador em 1/15 de segundo e tente a técnica de panning, com um sujeito passando por você em ângulo de 90 graus. Tente várias vezes, pois não é muito fácil obter um bom resultado da primeira vez.

Por fim, compartilhe conosco o resultado de seus experimentos, suas dúvidas e comentários.

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