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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Tudo borrado - Erros de fotografia que todos nós já cometemos um dia


Duas das situações mais desafiadoras para um fotógrafo são: 1 - fotografar bem à noite e 2 - fotografar bem pessoas, animais ou objetos em movimento.

Se você reunir estas duas condições, isto é, fotografar à noite algo em movimento, então você estará diante de uma missão quase impossível.

Todos nós tiramos fotos borradas, por isto, você não deve se martirizar. Com câmeras compactas, é extremamente complicado obter boas imagens em condições de pouca luminosidade, ou em cenas com movimento.
No entanto, mesmo com uma Reflex, ainda mais se estiver em Modo Manual, você terá de ajustar as configurações de velocidade do obturador, abertura de diafragma e ISO até conseguir a exposição correta, e isto pode implicar em alguns quadros de teste.

O que faz com que uma foto fique borrada?

Velocidade do obturador lenta demais


A velocidade do obturador será a função que o permitirá congelar o movimento. Quanto mais lenta ela for, maior serão as possibilidades de sua foto ficar borrada, seja por causa do movimento do sujeito fotografado, como na imagem acima, seja por causa do movimento do próprio fotógrafo, como na imagem abaixo.


Para objetos ou sujeitos estáticos, a velocidade do obturador mínima recomendável caso você esteja segurando a câmera (isto é, sem tripé) é de 1/15.
É possível obter imagens nítidas com velocidades mais lentas, mesmo sem um tripé, no entanto, você precisará de pulso firme.

Além disto, quanto maior for a distância focal da sua lente, maior será a velocidade mínima recomendável para obter uma foto nítida. Por exemplo, com uma lente de 50mm, a velocidade mínima deveria ser 1/50; já para uma lente de 300mm, a velocidade mínina seria de 1/300.

Fora de foco


Outras vezes, mesmo com uma velocidade do obturador bastante rápida, ainda assim você acabará com uma foto borrada.
Nem sempre é culpa da velocidade. Em alguns casos, o problema pode ser o foco.

Repare na imagem acima.
Apesar de ser uma foto de dois cães em movimento, que já poderia estar borrada pelo próprio deslocamento dos animais, mesmo usando uma velocidade alta de 1/400, os dois cachorros estão borrados.
No entanto, se você observar bem o segundo plano, verá que está tudo nítido. O que ocorreu é que o foco ficou no segundo plano, assim, o primeiro plano ficou ligeiramente borrado.

Velocidade lenta + fora de foco


Quando fotografamos à noite, ou em situações com pouca iluminação, sua câmera terá uma dificuldade natural de obter o foco, demorando muito mais do que o habitual.

Além disto, em situações com movimento, também existirá uma dificuldade normal de se obter o foco, pois, às vezes, o sujeito retratado estará mais próximo da câmera, em outras, mais distante.


Agora reúna estas duas situações. Com pouca iluminação, a velocidade do obturador terá de ser mais lenta e será mais demorado obter o foco. Com objeto em movimento, você terá dificuldades para focar corretamente.
Esta é a fórmula para a desgraça.


Sob estas condições, há grandes chances que você obtenha uma foto:

a - borrada, por causa da velocidade lenta do obturador;
b - desfocada; ou
c - borrada e desfocada.

As Soluções

A primeira solução básica para obter uma foto nítida em condições de pouca luminosidade e/ou em movimento é subir o ISO, abrir a abertura de diafragma e tentar manter uma velocidade do obturador mínima equilavente à da distância focal da lente (por exemplo, para uma lente 100mm, velocidade mínima de 1/100, e não se esqueça do crop factor!).

A segunda solução, que nem sempre poderá ser utilizada, é fotografar com flash. Todavia, de nada adianta usar o flash para fotografar um show, por exemplo, se você estiver 50 metros longe do palco.
O alcance do flash é limitado a poucos metros, por isto, é patético ficar fotografando um sujeito lá do outro lado do planeta com flash.


A terceira solução implica em gastar um pouco para comprar uma lente rápida, isto é, com uma grande abertura de diafragma. As lentes 50mm f/1.8 ou f/1.4 são ótimas para quem precisa fotografar em ambientes escuros.
Com uma grande abertura, você poderá jogar a velocidade do obturador lá para cima, garantindo uma foto nítida.

Por fim, às vezes não conseguimos perceber se a foto ficou completamente nítida no visor da câmera e só descobrimos depois, no computador, que ela está um pouco borrada.
Nestes casos, o pós-processamento não ajuda muito, então só resta deixar estas fotos de lado e selecionar as que ficaram boas.
Além disto, algumas fotos borradas até acabam ficando artísticas, apesar de isto não ser o usual.


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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Vamos invadir sua praia! Você, sua câmera e suas fotos nas férias de verão

Porto de Galinhas - PE

Vem chegando o verão e você está indo para a praia, doido para arrasar nas fotos. Junto com as dicas para fotografar melhor em suas viagens e como fotografar grupos nas festas, este é o terceiro artigo de fotografia para ajudá-lo a tirar fotos mais bonitas em suas férias.

Esteja você indo para o Guarujá, seja para o Nordeste do Brasil, seja para Punta del Este ou até mesmo para a Costa Amalfitana (no verão europeu), as dicas que se seguem servirão para que você exponha suas fotos corretamente e possa retratar melhor seus passeios.

Expondo a imagem com precisão


Suponho que, se você se interessa por fotografia, você esteja usando o Modo Manual da sua câmera Reflex ou da sua compacta avançada e, por isto, que também já saiba como utilizar o fotômetro para expor sua foto.
O que você logo descobrirá ao fotografar na praia é que, se você obedecer cegamente o medidor do fotômetro de sua câmera, muitas de suas fotos ficarão escuras. Isto se deve porque a areia da praia e a água do mar são superfícies mais reflexivas do que o normal, então o medidor de luz da sua câmera identifica a claridade excessiva e indica um ajuste para isto, que quase sempre subexporá a foto.

Como evitar isto?

Maragogi

O mais fácil é você tirar uma primeira foto, ver se ficou escura ou exposta corretamente, e ajustar a velocidade do obturador ou a abertura de diafragma para a exposição adequada.

A segunda opção, se for um dia ensolarado na praia, é ajustar sua câmera meio stop ou até um stop mais claro do que indica o fotômetro, por exemplo:

Se o fotômetro indica que a exposição correta na praia é 1/500 f/8 ISO 100, você pode ajustar para 1/250 f/8 ISO 100 e ver como fica a foto.

A terceira opção é você tirar fotos escuras mesmo e arrumar depois em algum editor de imagens, como o Adobe Ligthroom ou o Photoshop, mas o ideal é tirar a foto bem exposta diretamente na câmera.

Fotografando em movimento ou de algo se movendo

Dunas de Marapé - AL

Se você estiver dentro de um veículo em movimento, seja em um carro, um bugue, um ônibus, ou até mesmo num barco, e quiser fotografar alguma pessoa, paisagem ou objeto, o ideal é que você ajuste a velocidade do obturador o mais rápido possível, para evitar que a foto fique borrada.
Para tanto, você deve configurar a abertura de diafragma para a maior possível que sua lente permita e, se for necessário, subir um pouco o ISO para 200 ou até 400.

A não ser que você queira dar a sensação de movimento, então você pode manter a velocidade do obturador mais lenta, como 1/50 ou até 1/30.

Pipa - RN

No caso da foto acima, do rabo do golfinho, eu estava dentro de um barco em movimento, com o golfinho longe pulando para fora da água e com uma lente telefoto de 300mm, que por si só já necessita de uma velocidade rápida do obturador, além do enjoo!
Conseguir obter uma boa imagem nestas condições era quase um trabalho de franco-atirador.

Lembre-se da Regra dos Terços

Praia do Gunga

Quando você for fotografar paisagens, com a linha do horizonte no fundo, a Regra dos Terços é essencial.
Evite centralizar o horizonte do quadro, o melhor é que o horizonte esteja na metade inferior (como na foto acima), ou na metade superior (como na foto abaixo).

Natal - RN

Esta regra ajuda a criar uma hierarquia de interesse, determinando o que é mais importante no quadro, se é o céu ou se é o que está abaixo.

É óbvio que você poderá aplicar várias das outras regras do nosso Curso de Introdução à Fotografia, mas a Regra dos Terços é essencial nestes casos.

Os melhores horários do dia

Mundau - CE

Os melhores horários para se fotografar no litoral são exatamente os mesmos que em qualquer outro tipo de fotografia: de manhãzinha ou ao cair da tarde.
Meio dia é o pior horário para se fotografar, por causa das sombras fortes e curtas, do contraste fortíssimo e também por causa dos perigos do sol deste horário. Não se esqueça de passar o protetor solar também!

Maragogi

No entanto, para fotografia subaquática, o horário de meio dia é o melhor, pois a luz entra diretamente na água, iluminando melhor o fundo e os peixes.

O milagre da luz de preenchimento

Eu em Barceloneta
(1/250 f/9 ISO 100, com flash embutido, por Denise Nappi: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6589357667/)

O primeiro grande equívoco dos leigos em fotografia é pensar que flash é apenas para se fotografar à noite.
Na minha experiência, o flash embutido da câmera é muito mais útil durante o dia do que à noite, pois é uma ótima maneira para se obter uma luz de preenchimento.

Mas o que é luz de preenchimento?

Basicamente é uma segunda fonte de luz usada para amenizar as sombras, que pode tanto ser um flash, quanto um rebatedor ou até uma parede branca. Qualquer coisa que sirva para suavizar as sombras de uma luz principal.
A vantagem de utilizar o flash embutido da câmera para isto é que se trata de uma luz tão fraca que dificilmente conseguirá sobrepujar a luz do sol.
No caso da foto acima, o sol estava às minhas costas, ou seja, o meu rosto estaria totalmente nas sombras, mas, com o flash embutido da câmera, foi possível suavizar as sombras, tornando a foto melhor.

Vai por mim: da próxima vez que for fotografar alguém sob sol forte, use o flash de sua câmera e veja o resultado (mas não pode ser muito de longe, pois este tipo de flash não tem tanta potência assim...).

Uma câmera à prova d'água é super legal!

Câmera Compacta - Maragogi

Lembre-se, sua câmera Reflex ou compacta avançada não pode entrar na água! A não ser que você tenha um acessório específico para isto (e que costuma custar mais caro do que a própria câmera).

No entanto, se você tiver a possibilidade de comprar uma câmera à prova d'água, mesmo que seja de filme, eu lhe garanto que é muito legal.

Câmera Compacta - Maragogi

Primeiro, por causa da reação das outras pessoas quando você entra com a câmera no mar. De longe, você já pode ouvir os outros falando: "Putz! Já era a câmera!"

Depois, que é uma maneira diferente para registrar seu passeio, seja no mar ou na piscina, sem preocupar-se em molhar seu equipamento e adeus àquela cacetada de dinheiro que você gastou!

Eu recomendaria os modelos de câmeras compactas à prova d'água da Panasonic, mas a Olympus, a Pentax e Canon também fazem parte deste jogo.

E nunca se esqueça de, assim que sair do mar ou da piscina, lavar bem sua câmera em água corrente e remover quaisquer resíduos de areia.

Carregando uma câmera compacta

Porto de Galinhas

Recomendo que, sempre que você for viajar, além de levar a sua Reflex ou a sua melhor câmera, leve também uma compacta pequena e discreta.

Nem sempre será possível sair fotografando com uma câmera que chame atenção, seja porque algumas cidades ou áreas são perigosas, seja porque você quer capturar uma imagem com discrição.

Você nunca sabe quando encontrará uma imagem interessante para fotografar.

Cuidando de seu equipamento

Dunas de Marapé - AL

Tirar fotos na praia é uma das raras circunstâncias nas quais eu recomendo limpar a câmera diariamente, para remover areia que pode ter entrado na lente ou no sensor da câmera.

Ao final de cada dia, desmonto a câmera e faço uma limpeza geral. Você ficaria impressionado com a quantidade de areia que você encontrará.

Só lembrando que, se sua câmera não for à prova d'água, jamais tente entrar no mar com ela!


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domingo, 26 de junho de 2011

Introdução à fotografia 12 - usos criativos da velocidade do obturador

Intro 12 - Brooklyn Bridge

Já vimos o que é a velocidade do obturador e como ele funciona quase da mesma maneira de nossas pálpebras. Também aprendemos como as diferentes velocidades do obturador influenciam na imagem final, se congelará o movimento ou se deixará a imagem borrada.

Neste artigo, apresentaremos alguns usos criativos da velocidade do obturador, diante de diferentes situações.

Congelando o movimento
Intro 12 - congelando o movimento

Para congelar o movimento, seja de uma criança correndo, de um pássaro voando, de um carro de corridas ou da neve caindo, você precisará fotografar com uma velocidade de obturador rápida.

Por exemplo, na foto acima, da água de um chafariz, foi uma usada uma velocidade de 1/1600 de segundo, ou seja, quase dois milésimos de segundo, para obtermos esta sensação de uma água cristalizada, quase como se fossem pedras de gelo. Se houvéssemos utilizado uma velocidade lenta demais, a água teria ficado borrada, dando uma sensação maior de movimento, sem congelar as gotículas que caem e sem capturar os detalhes da água projetando-se no ar.

Intro 12 - Helicóptero

Já na foto acima, a ideia era congelar o movimento das hélices do helicóptero, dando a sensação de ser um brinquedo imóvel suspenso sobre o prédio. Para isto, a velocidade do obturador foi ainda mais rápida, de 1/2500 de segundo.

Blizzard in New York

A velocidade do obturador necessária para congelar os flocos de neve não é tão alta quanto das fotos anteriores, mas, mesmo assim, ainda é bastante rápida, de 1/320 de segundo. Outros fatores determinantes para se obter uma foto como esta são os tamanhos dos flocos, quanto maiores, melhor, e também o contraste com o segundo-plano - se o fundo fosse de branco ou de uma cor clara, o flocos de neve não seriam tão perceptíveis, como você pode notar na chão ou na van à direita.

Longa exposição
Intro 12 - east harlem

Longa exposição é quando o obturador fica aberto durante um longo tempo para poder capturar mais luz.
Quase sempre será necessário utilizar um tripé, caso você não queira que sua foto fique borrada, apesar de nem sempre o tripé ser uma garantia total, pois, se a exposição for muito longa, até o vento que bate em sua câmera pode causar um ligeiro tremor na foto, principalmente com lentes telefoto.
A foto acima, tirada numa rua relativamente escura, utilizou uma velocidade de obturador de 30 segundos. Isto mesmo, 30 segundos! Você aperta o botão da câmera, a cortina do obturador se abre, e você espera, espera e espera... 30 segundos depois, você tem a foto.
Os rastros luminosos na rua são dos faróis dos carros, pois, por ficar com o obturador aberto por tanto tempo, o sensor da câmera registra todas as luzes que passam pelo quadro.

Já a foto no topo, da Brooklyn Bridge, utilizou uma exposição bem mais breve, de 1.3 segundos, tempo necessário para ressaltar a iluminação já existente na paisagem urbana.

Nos primórdios da fotografia, exposições longas era muito mais habituais, às vezes de várias horas, pois a sensibilidade (ISO) dos filmes ou chapas fotográficas eram muito baixas. Mas, com uma câmera Reflex, ainda hoje é possível fotografar com exposição de vários minutos, dependendo da escassez da iluminação ambiente.

Panning
Intro 12 - panning 2

Panning é uma técnica bastante específica para congelar o movimento de um elemento na foto, mas ainda dar a sensação de movimento.
Ela é sempre tirada com a velocidade de 1/15 de segundo e o segredo está em acompanhar o sujeito da foto com a câmera que passa por você numa ângulo de 90 graus, ou seja, alguém que passe pela sua frente da direita para a esquerda (ou vice-versa), e não que venha em sua direção ou que se afaste de você.

Intro 12 - panning 1

Para tanto, você deve ajustar a velocidade do obturador em 1/15, e as demais configurações de abertura e ISO como indicar o fotômetro e aguardar que o sujeito passe diante de você. Você o acompanha com a câmera, aperta o botão para fotografar, e continua acompanhando-o até ouvir o clique.
Você terá o objeto em movimento com nitidez (ou praticamente nítido) e o fundo ficará borrado, dando uma sensação interessante de movimento.

Geralmente, esta técnica funciona melhor com veículos com rodas do que com pessoas ou animais, pois as pernas ou patas tendem a ficar borradas e disformes.

Exercícios práticos
1 - Em modo manual, tire fotos de objetos em movimento - carro, avião, esporte, animais, chafariz, etc - com a velocidade do obturador necessária para congelar o movimento.

2 - Em modo manual, tire fotos à noite em longa exposição (com velocidades do obturador superiores a 1 segundo) e confira o resultado. Se você não possuir um tripé, pode utilizar qualquer superfície plana como suporte, como bancos, muretas ou o próprio chão.

3 - Em modo manual, configure a velocidade do obturador em 1/15 de segundo e tente a técnica de panning, com um sujeito passando por você em ângulo de 90 graus. Tente várias vezes, pois não é muito fácil obter um bom resultado da primeira vez.

Por fim, compartilhe conosco o resultado de seus experimentos, suas dúvidas e comentários.

http://www.flickr.com/groups/calabocaeclica/



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