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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Descanse em paz 50mm f/1.4


Despeço-me da minha lente Canon 50mm f/1.4.

Por alguns anos, foi uma das minhas lentes favoritas, utilizada para as mais diversas circunstâncias. Algumas das mais belos fotos que tirei nos últimos tempos foi com ela, sempre com aquele bokeh incomparável, essencial para situações com pouca iluminação.
Se você acompanha este blog, sabe bem como recomendo uma 50mm para qualquer fotógrafo.

Recentemente, fiz uma viagem a Portugal e, no último dia, na cidade costeira de Albufeira, ao entrar numa confeitaria, a porta automática se fechou em mim e acertou a lente.

O problema das 50mm f/1.4

Última foto com a 50mm f/1.4 antes da tragédia
A princípio, depois da cacetada, não percebi nada, pois não tirei mais nenhuma foto naquele dia.

Só fui perceber que havia um problema no dia seguinte, quando no caminho de volta a Madri, passamos por Sevilha e fomos dar uma volta na cidade.

A lente não focava mais
O foco do lente havia travado entre 3 metros e infinito, ou seja, se eu estivesse fotografando paisagens ou pessoas neste intervalo, a lente focava bem, mas se eu tentasse fazer o foco mais perto, mesmo com foco manual, a imagem ficava borrada.

A princípio, pensei que fosse um problema simples de ser resolvido. Foi quando descobri que este é um sério problema de fábrica com as lentes Canon 50mm f/1.4.
Parece que o anel de foco é movimentado por um braço de plástico que se solta facilmente, quase qualquer tipo de impacto, por mais leve que seja, pode fazer com que este braço se desloque e desregule o foco.

Para o conserto, existem duas opções:

1 - mandar para a assistência técnica autorizada e pagar uma taxa fixa de uns 100 dólares/euros para regular o foco; ou

2 - abrir a lente você mesmo e tentar ajustar o braço.

Juro que fiquei tentado a recorrer à segunda opção, mas eu sou daqueles que, se abrir um eletrônico, nunca mais consigo fechar, assim eu teria uma lente desmontada e que não serviria para nada.
Agora, pagar 100 euros para arrumar uma lente com quase 4 anos de uso, correndo o risco de ter o mesmo problema no futuro, não me animou muito.

O que fazer?

Comparação entre as lentes 50mm f/1.4 e f/1.8

Li vários fóruns de fotógrafos que tiveram o mesmo problema que eu e também comentários comparando as lentes 50mm da Canon.

Quase todos foram unânimes em afirmar que a lente 50mm f/1.8 é o melhor negócio possível na fotografia. É uma lente barata, com um bokeh que alguns consideram até superior ao da 50mm f/1.4 e que, por incrível que pareça, não tem os mesmos problemas desta lente mais cara (e supostamente mais bem construída).

Assim, fiz um "downgrade" da f/1.4 para uma f/1.8, que acabou de chegar pelo correio em casa, e que custou 116 dólares nos EUA, praticamente o mesmo preço do conserto da outra lente.

Primeira foto tirada com a nova lente 50mm f/1.8
Já havia tido uma f/1.8 quando comecei a aprender fotografia e é uma lente excepcional.

Hoje, comparando as duas lentes lado a lado, a impressão que dá é que a 50mm f/1.8 parece de brinquedo, com uma fabricação muito inferior e com cara de ser frágil. Agora resta-me confiar que ela aguente alguns anos por diante, para que eu possa fazer algumas belas imagens com ela.

Já a 50mm f/1.4, que me custou a cacetada de quase 400 dólares, tentarei vendê-la a preço de banana para alguém que saiba consertá-la, assim pelo menos consigo pagar a aquisição da lente nova.

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quinta-feira, 9 de maio de 2013

Como tirar fotos legais do seu cachorro

(1/250 f/8 ISO 100, com iluminação artificial: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6232424442/)

O cão é o melhor amigo do homem, por isto, é natural que queiramos preservar a memória da passagem deles por nossas vidas.
No entanto, assim como com crianças, nem sempre será muito simples obter boas imagens dos cães, pois alguns serão tranquilos e não se importarão em ser fotografados, enquanto outros ficarão inquietos e terão medo do flash.

Abaixo, você encontrará algumas recomendações para obter fotos legais do seu cãozinho, bem como algumas técnicas para distraí-lo e fazê-lo olhar para a câmera, ou para o ponto desejado.

Retratos

Os dois maiores desafios na hora de fazer um retrato de seu cão são:

1 - que ele fique parado olhando para onde deve, e
2 - que a iluminação esteja boa o suficiente para privilegiar os detalhes.

A solução para a primeira dificuldade é pôr o cachorro sobre uma banqueta, ou uma mesa, pois assim ele não ficará andando de um lado para outro. Se ele for um cão obediente, mandar que ele "fique" já deveria bastar.
Já a questão do olhar será necessário ter algum brinquedo que faça barulho, ou um biscoito, para direcioná-lo. Se você não tiver um brinquedo, poderá pedir para que alguém faça ruídos estranhos com a boca. Também ajuda, apesar de ser ridículo!


Sobre a iluminação, o ideal é que você consiga obter o brilho no olhar do cão, se não nos dois olhos, pelo menos em um.
Como muitos cães tem olhos grandes, isto dá uma vivacidade e torna a imagem mais interessante.


Para isto, você tem de fazer o cão olhar em direção à luz, ou utilizar um flash ou outro tipo de iluminação artificial para isto.

Para retratos, sempre preste atenção ao segundo-plano, preferencialmente de uma cor sólida ou que não chame mais atenção do que o tema principal, isto é, o cachorro.

Ponto de vista

Como em qualquer outro tipo de fotografia, decidir-se sobre o ponto de vista é fundamental para transmitir a mensagem de sua imagem.


Fotografar o cão de cima, de uma posição com o fotógrafo de pé, pode passar duas impressões principais:
- de fragilidade, fazendo com o que o cachorro pareça ser menor e mais indefeso,
- outra de curiosidade, pois geralmente é como vemos os cães habitualmente, e como eles nos olham.


Todavia, o recomendável é fotografar os cães a nível dos olhos deles, pois assim você o privilegiará mais, dotando-lhes de maior dignidade.

Dormindo ou descansando

Os momentos de descanso de nossos cãezinhos são sempre maravilhosos para tirar belas fotos.
Como alguns deles estão sempre muito alertas, às vezes qualquer movimento pequeno pode fazer com que despertem.
Por isto, o ideal é usar uma lente longa, como uma telefoto, e tentar ser o mais silencioso possível.


Também não recomendo utilizar flashes para este tipo de imagens, para não correr o risco de assustar o cão e acordá-lo.

Profundidade de campo

O controle de profundidade de campo é uma das maiorias vantagens para você comprar uma Reflex, e com cães você poderá perceber como uma profundidade campo rasa pode tornar a foto muito mais impressionante.


Com lentes com grandes aberturas, como as 50mm, você poderá focar num único ponto, como o focinho do cão, e deixar todo o restante fora de foco.


Outra alternativa é focar no cão e deixar o segundo-plano fora de foco, destacando o tema da imagem.

Ao ar livre

Tirar fotos do cachorro ao ar livre também são ótimas oportunidades para capturar momentos de brincadeiras e alegria.


Paisagens urbanas também proporcionam belos cenários e dramáticos cenários.


Já parques são excelentes locais para deixar seu cão à solta, aprontando.


O maior problema nestas circunstâncias é conseguir fotografar bem seu cão em movimento, correndo ou brincando, e ainda assim com um bom ângulo.
Para isto, você terá de usar uma velocidade do obturador rápida, superior a 1/200.

No entanto, se o cão estiver correndo em direção à câmera, geralmente poderá ter dificuldades para obter o foco correto. Nestes casos, você precisará de uma lente que foque rapidamente e talvez usar o modo de focagem AI Servo, que recalcula automaticamente a distância de acordo com o movimento do cão.

Estúdio

Um ambiente controlado como um estúdio é excelente para retratos, pois ali você poderá ajustar a potência das luzes, usar luz de preenchimento, fundos coloridos e outros acessórios.


Só tome muito cuidado na hora de inserir um cão num estúdio, pois há fios para todos os lados, então é fácil que ele saia tropeçando e levando tudo para o chão, ainda mais se for um baita de um cachorrão agitado.

As Engraçadas

Já as fotos engraçadas, bem, estes são aqueles flagras do seu cachorro em momentos constrangedores, cômicos ou em ângulos estranhos.


A vantagem é que seu cachorro não tem o senso do ridículo a ponto de achar ruim que você tire e compartilhe a foto dele nestes momentos inusitados.

Exercícios práticos
Se você tiver um cão, ou puder ir a um parque para fotografá-los, tente os seguintes exercícios:

1 - tire duas fotos:
a - uma com você de pé, fotografando o cão no chão;
b - outra com você agachado, ou até deitado no chão, ao nível dos olhos do cão.

Qual das duas ficou mais interessante em sua opinião?

2 - use diferentes aberturas de diafragma para fotografar seu cão, testando a profundidade de campo.

3 - tente fotografá-lo em movimento, correndo ou brincando. Conseguiu obter o foco correto?

Por fim, compartilhe o resultado de seus exercícios conosco aqui http://www.flickr.com/groups/calabocaeclica/

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sexta-feira, 16 de março de 2012

A câmera fotográfica, este bicho desconhecido


Recentemente, recebi uma pergunta neste blog que me deixou um pouco encafifado. Aparentemente, muita gente, incluindo profissionais de fotografia, não entendem e não conhecem a câmera que utilizam.

É por isto que repito à exaustão que ler o manual da câmera deveria ser o primeiro passo. Mesmo se você já é um profissional experiente, mas trocou de equipamento, modelo ou marca de câmera, você deve sentar-se e ler o manual, descobrir se houve alguma mudança de funções, quais são as possibilidades e recursos dela.

Para alguns, no entanto, basta saber onde fica o botão de liga e desliga, onde fica o Modo Automático, e onde se vê e apaga a foto. Se você NÃO é um destes, então você estará pronto para aprender fotografia pra valer!

Apenas como uma referência para novatos e gente do ramo, segue um checklist de quais funções ou atributos de uma câmera você deve conhecer e saber onde fica (e isto vale para câmeras Reflex e, em alguns casos, para compactas também).

Se você tiver alguma dúvida sobre o que cada uma destas funções quer dizer, talvez devesse conferir o Curso de Introdução à Fotografia do Cala a Boca e Clica!


Botão do obturador

Este é o botão que você aperta para tirar a foto, geralmente fica no topo da câmera, do lado superior direito, mas esta nem sempre é a regra.
Atualmente, este botão também serve para ajustar o foco automático, pressionando-o pela metade.

Dial do obturador

Este é o controle da velocidade do obturador, ou seja, a função que lhe permitirá congelar o movimento ou deixá-lo borrado.
Em algumas Reflex, ele fica um pouco atrás do botão do obturador, em outras para frente, ou em algumas compactas num dial multifuncional nas costas da câmera.

Em câmeras antigas de filme, ou em alguns modelos digitais retrô, há um dial no topo com as diferentes velocidades padrões do obturador já indicadas.

Dial da abertura de diafragma

Para Reflex introdutórias, ou seja, modelos mais simples de Reflex, talvez você utilize o mesmo dial para o obturador, mas pressionando simultaneamente um outro botão nas costas da câmera (Av, nas câmeras Canon).
Para modelos mais avançados, há um outro dial nas costas da câmera para controlar a abertura de diafragma, que também serve para navegar nos menus da câmera.

Em algumas compactas, é o mesmo dial para abertura e obturador, nas costas da câmera.

No entanto, se você estiver utilizando lentes manuais da época de filme, a abertura de diafragma é controlada por um anel diretamente na lente.

Botão do ISO

Em câmeras Reflex, o botão de ISO estará no corpo da câmera, em alguma posição de fácil acesso.
Mas em câmeras compactas, você provavelmente terá de acionar esta função em algum menu, onde você poderá controlar a sensibilidade à luz.

Controle de foco

Em lentes automáticas, o controle de foco pode ser feito de duas maneiras: 1 - pressionando o botão do obturador pela metade até que o elemento desejado esteja nítido, ou 2 - ativando o uso manual na lente e girando o anel de foco na parte dianteira da lente.

No caso de lentes manuais, o ajuste só é possível através do anel na lente.

Distância focal

É importantíssimo saber qual é a distância focal da lente que você utiliza, pois os efeitos óticos das lentes criam imagens muito diferentes. Sua lente é uma grande-angular, uma lente normal ou telefoto?

Para saber isto, primeiro você terá de saber qual é a distância focal da lente e isto pode ser descoberto ao olhar na parte da frente da lente, ou ao redor na parte dianteira dela. Você encontrará um número, como 50mm, 100mm, 18-55mm, e assim por diante.
Esta é a distância focal da sua lente.

Agora, para descobrir qual é a tipo da lente, você tem de saber qual é o crop factor do sensor (que recorta uma parte do campo de visão da lente) de sua câmera, pois os valores de referência de distância focal baseiam-se nas antigas de câmeras de filme (35mm).
A maior parte das Reflex introdutórias possui crop factor de 1.6x ou 1.5x, já os modelos mais avançados podem ter 1.3x ou ser full frame, isto é, sem corte.
Após descobrir isto, você multiplica o valor do crop factor pelo número de distância focal indicado em sua lente e voilá! Você obterá a distância focal daquela lente em sua câmera.

Por exemplo:
Uma lente 50mm (normal) numa Reflex com crop factor 1.6x equivale a uma lente de 80mm (telefoto).
Já uma lente de 35mm (grande-angular) em crop factor 1.6x equivale a uma lente de 56mm (normal).

Já em câmeras compactas, o bagulho fica nervoso, pois são sensores com tamanhos muito diferentes, então fica difícil dizer com certeza a que aquela distância focal se refere.

Valores únicos, como 50mm, 35mm, 80mm, 300mm indicam que são lentes fixas, ou seja, sem zoom. Comumente, são lentes com qualidade ótica superior e mais em conta.
Enquanto que lentes como 18-55mm, 24-105mm, 70-200mm indicam que são lentes de zoom. São lentes mais versáteis, mas boas lentes de zoom costumam custar os olhos da cara.


Abertura de diafragma máxima da lente

Esta também é uma informação que você pode encontar na lente.
Por exemplo, uma lente 50mm f/1.8 tem a abertura máxima de f/1.8, que é uma grande abertura. Uma lente 70-200mm f/4, a abertura de diafragma máxima é de f/4 em todas as distâncias focais.

Contudo, se você encontrar uma numeração como a seguinte, comum nas lentes do kit de Reflex, 18-55mm f/3.5-5.6, isto quer dizer que a abertura máxima varia de acordo com a distância focal. Em 18mm, a abertura máxima é f/3.5, e ela vai reduzindo até f/5.6 em 55mm, ou seja, você JAMAIS conseguirá fotografar, com esta lente, em 55mm com abertura de f/3.5.

Equilíbrio do Branco/White Balance

Em câmeras Reflex, o botão de equilíibrio do branco/white balance será de fácil acesso (WB em câmeras Canon).
Todavia, em câmeras compactas, você talvez tenha de procurar esta função em menus.

Porém, se você fotografar em formato .RAW, ao invés de .JPEG, você pouco utilizará o equilíbrio de branco.

O indicador do fotômetro


Esta a uma das informações mais importantes para quem fotografa em Modo Manual, pois este é o medidor de luz e o ajudará a ajustar sua câmera para uma exposição correta.

Em câmeras Reflex, você avistará o medidor do fotômetro em alguma das laterais do visor ótico, no visor atrás da câmera, e em alguns modelos mais avançados em mostradores no topo da câmera.

Em compactas, você encontrará o medidor do fotômetro no visor digital atrás da câmera, se houver Modo Manual.

Conclusão

Você precisa conhecer bem seu equipamento para utilizá-lo corretamente.
Se você é um fotógrafo amador, o ideal é sempre adquirir sua câmera antes de fazer as viagens, pois o pior que você pode fazer é estragar suas fotos por não saber como utilizá-la.

Se você é profissional, jamais vá a um evento ou trabalho sem antes ter aprendido todas as funções da câmera, bem como os acessórios. Se você está sendo pago, é preciso ser muito mais prudente.

Conhecer seu equipamento é uma obrigação de qualquer fotógrafo, pois somente assim que você poderá explorar todo o potencial dele.


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domingo, 24 de abril de 2011

Introdução à Fotografia 6 - Profundidade de campo e foco

Metropolitan Museum
(Lente 50mm, 1/250 f/1.4 ISO 200, pequena profundidade de campo com poucos elementos em foco. Foto: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/4314437020)

Agora que você já sabe como controlar a abertura de diafragma, vamos aprender qual é sua relação com a profundidade de campo (depth of field) de uma fotografia.

Por um efeito de ótica, quanto maior a abertura de sua lente, mais elementos de sua foto ficarão fora de foco, enquanto que quanto menor for a abertura, mais elementos da foto ficarão em foco.

As lentes de câmeras compactas geralmente possuem aberturas de diafragma muito estreitas, por isto as fotos tendem a ter tanto o primeiro quanto o segundo plano bastante nítidos.
Enquanto que isto é ótimo em fotos de paisagens, nas quais você deseja mostrar claramente todos os elementos visíveis, em retratos pode ser um pouco desinteressante e distrair a atenção de quem vê a foto.

Controlando o foco
Antes de tudo, você precisa determinar o foco de sua lente, isto é feito automaticamente (autofocus) em várias câmeras compactas e em Reflex, mas também pode ser controlado manualmente (manual focus) em compactas avançadas e nas câmeras profissionais (geralmente puxando um botão no corpo da lente).

Autofoco 9 pontos
(Autofoco automático numa câmera Reflex, a câmera seleciona um dos 9 pontos de foco do quadro)

O foco automático costuma ser bastante confiável, na maioria dos casos. Ele funciona avaliando o contraste da foto e seleciona automaticamente o elemento que mais chama atenção, ou que esteja mais próximo da câmera, outra opção é você selecionar na sua câmera quais pontos do quadro deverão estar em foco.

Autofoco 1 ponto
(Seleção de um dos pontos de foco numa câmera Reflex, o foco estará no ponto escolhido)

Para mim, funciona melhor quando eu programo a câmera para focalizar sempre no centro do quadro.
Por exemplo, se eu estou fotografando uma pessoa e quero mostrar a paisagem no fundo, eu foco primeiro no rosto da pessoa pressionando parcialmente o botão do obturador, e sem soltá-lo, recomponho o quadro e termino de pressionar o botão para tirar a foto.

Autofoco, lente Reflex
(Lente de uma câmera Reflex, o botão de foco manual fica no corpo da lente, e o anel do foco na parte dianteira)

Manualmente, é só girar o anel do foco na lente até que o elemento desejado esteja nítido no visor. É particularmente útil em situações com pouco contraste, em imagens muito escuras ou muito claras, quando o autofoco tem dificuldades para funcionar.

Já foco em infinito (∞) é quando você quer que todos os planos do quadro estejam igualmente nítidos.

Por fim, a distância mínima para que um objeto esteja em foco dependerá da lente e de sua distância focal: com grande-angulares, é possível aproximar-se mais do objeto, com telefotos, se o fotógrafo se aproximar muito do objeto, a lente não conseguirá obter um foco adequado.

Profundidade de campo
A profundidade de campo, isto é, a quantidade de elementos em sua foto que estão em foco, dependerá de vários fatores: abertura de diafragma, distância focal da lente, proximidade da câmera do primeiro plano, e a distância entre o primeiro plano e o segundo plano.

Javier, na Plaza de Armas de Santiago
 (Lente 18-55mm, 1/200 f/4.5 ISO 100, o primeiro plano em foco, o segundo plano desfocado. Foto: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/5354972493/)

A profundidade de campo será menor, ou seja, menos elementos da foto estarão em foco quando a abertura de diafragma for grande (f/2.6, por exemplo), quando o objeto fotografado estiver mais próximo da câmera, quando o segundo plano estiver longe do primeiro plano (uma pessoa perto da câmera no primeiro plano, e montanhas no segundo plano) e/ou com lentes telefoto.

Brooklyn Bridge
(lente 50mm, 1/640 f/9 ISO 160, tanto o primeiro plano quanto o segundo estão em foco. Foto: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/5391221589/)

A profundidade de campo será maior, ou seja, mais elementos da foto estarão em foco quando a abertura de diafragma for pequena (f/8, por exemplo), quando o objeto fotografado estiver mais distante da câmera, quando o segundo plano estiver próximo do primeiro plano (uma pessoa logo atrás da outra) e/ou com lentes grande-angulares.

Uso criativo da profundidade de campo
Acredito que o mais interessante da profundidade de campo é a sensação de tridimensionalidade que ela pode dar à foto, principalmente em se tratando de retratos.

Catedral Metropolitana de Santiago, Chile
(Lente 18-55mm, 1/250 f/8 ISO 100, todos os elementos estão em foco. Foto: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/5355551446/)

Via de regra, paisagens, fotos panorâmicas de cidades, retratos de família, costumam ter mais elementos em foco, ou seja, maior profundidade de campo, para que tudo tenha a mesma hierarquia de importância.

Indycar at Macy's
(Pouca profundade de campo com lente telefoto de 70-200mm, 1/125 f/4 ISO 250. Foto: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/4690104122/)

Já retratos, fotografia macro (de objetos pequenos), de detalhes, de objetos, podem ter menos elementos em foco, para salientar o sujeito principal da foto, destacando-o do segundo plano.

Mas nada impede que você experimente com a profundidade de campo e descubra o que lhe agrada mais.

Exercícios práticos

1 - Utilizando os conhecimentos já adquiridos de ISO, velocidade do obturador e abertura de diafragma, tire duas fotos em Modo Manual (M):

a - uma de um objeto ou pessoa em foco perto da câmera, com um segundo plano distante, com uma abertura de diafragma grande (f/3.5 ou maior);

b - uma de um objeto ou pessoa em foco perto da câmera, com um segundo plano distante, com uma abertura de diafragma pequena (f/8 ou menor).

Percebe a diferença na profundidade de campo?

2 - tire outras duas fotos em Modo Manual (M):

a - uma de um objeto ou pessoa em foco longe da câmera com uma abertura de diafragma grande (f/3.5 ou maior);

b - uma de um objeto ou pessoa em foco longe da câmera com uma abertura de diafragma pequena (f/8 ou menor).

Nota alguma diferença entre estas duas fotos?

3 - Por fim, saia com sua câmera e realize vários experimentos de profundidade de campo (depth of field), alternando entre fotos com aberturas grandes e pequenas, entre fotos de objetos pertos e distantes, com lentes telefoto e grande-angulares, e compartilhe conosco os resultados.

Não deixe também de expressar suas dúvidas e conclusões.

http://www.flickr.com/groups/calabocaeclica/



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