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sexta-feira, 8 de junho de 2012

Dúvida do leitor - Os ajustes introduzidos (brilho, contraste e saturação) alteram de alguma forma a resolução ou "granulação" da imagem?

No artigo O que é brilho, contraste e saturação?, o leitor Roberto propôs uma série de indagações sobre pós-processamento, então, nos próximos artigos do Cala a Boca e Clica! exploraremos mais a fundo tais questões, começando por:

Os ajustes introduzidos (brilho, contraste e saturação) alteram de alguma forma a resolução ou "granulação" da imagem?

Antes de tudo, temos de fazer uma distinção entre "resolução" e "granulação".

Como já explicamos em Quanto mais megapixels melhor, né?, resolução indica o número de pixels, ou os pontinhos que compõem a imagem.
A princípio, o pós-processamento de uma foto não afeta em nada a resolução da imagem, que depende exclusivamente da resolução da câmera, indicada em megapixels.
Só haverá uma perda de resolução caso haja recortes na foto. Quanto maior for o recorte, maior será a perda da resolução, até um estágio em que a foto começa a ficar pixelada, ou seja, você começa a perceber o pontos.

Já a granulação, ou ruído digital (ler O que é ruído digital e como ele pode afetar minhas fotos?), depende principalmente do ISO utilizado na hora de se fotografar. Quanto maior for o ISO, maior serão os grânulos (se for filme fotográfico) ou mais visível será o ruído digital.

Veja a imagem a seguir, tirada em .JPEG, sem processamento, como saiu diretamente da câmera, tirada em ISO 100.


Como usamos um ISO bastante baixo, mesmo numa situação com pouca luminosidade, o ruído digital é pouco perceptível.

Num recorte em 100% podemos perceber isto melhor.


Se a imagem não parece estar tão nítida, isto se deve a dois fatores: 1 - a lente usada não era das melhores, e 2 - não houve nenhuma correção de nitidez.


Nesta segunda imagem, editada e com pequenos ajustes de contraste, brilho e saturação, podemos perceber que os ponteiros do relógio estão um pouco mais escuros e o lustre mais destacado.


Num recorte em 100%, é evidente que não houve nenhuma perda de resolução, nem alteração na granulação, pois, como foi dito, em ISO 100 o ruído digital é quase imperceptível.
Na comparação, podemos ver as diferenças entre a foto original e a editada após os ajustes de brilho, contraste e saturação.

No entanto, a coisa muda um pouco de figura quando trabalhamos com fotos tiradas com ISO alto, pois o ruído digital pode ser bastante discernível, mesmo quando não realizamos grandes recortes.

Veja a foto abaixo, sem edição, tirada em ISO 800.


Se você prestar bem atenção, poderá reparar, especialmente no metrô em movimento, o ruído digital, mas isto ficará mais claro no recorte em 100%, abaixo.


Como utilizamos um ISO bastante alto, não há como escapar do ruído digital, que pode até ser corrigido um pouco no pós-processamento, quase sempre comprometendo um pouco a nitidez.


Nesta outra foto, fizemos alguns ajustes de brilho, contraste e saturação e você poderá constatar que tanto o trem quanto o pilar da estação ficaram mais destacados.


Na ampliação em 100%, fica muito mais evidente o aumento ruído digital, causado principalmente por causa do ajuste na saturação.


Agora, se puxarmos a barra de saturação ao máximo, obteremos uma imagem como a acima, com as cores bastante artificiais e, por causa do ISO alto, com o ruído digital gritando.


Ao ampliarmos a foto, até se parece com uma pintura moderna e abstrata.


Por fim, fizemos a comparação entre as três fotos: a original, a com processamento leve e a com saturação excessiva.

Então, respondendo a dúvida do Roberto.

Os ajustes de brilho, contraste e saturação não afetam a resolução da foto, mas podem afetar no ruído digital, principalmente em fotos tiradas com ISO alto.


***

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sábado, 5 de maio de 2012

Hoje é noite de fotografar a Lua!

(1/60 f/10 ISO 100, Superlua de 5 de maio de 2012http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/7146061117/)

Estão todos os jornais falando que, neste mês de maio (ou, melhor, na noite de 5 de maio), teremos a mais bela Lua cheia do ano de 2012.

E o óbvio é que todo o mundo, de astrônomos e amadores, estarão apontando suas câmeras para a Lua, querendo capturar a melhor imagem possível deste astro.

Os três equipamentos básicos para tirar uma boa foto da Lua são:

1 - uma câmera fotográfica (dãããã!) com Modo Manual;
2 - uma lente telefoto; e
3 - um tripé.

Além disto, é evidente que o céu tem de estar limpo para você conseguir tirar uma boa foto da Lua.

Escolhendo a melhor velocidade do obturador


Se você já tentou fotografar a Lua anteriormente, principalmente com câmeras compactas automáticas, imagino que deva ter obtido um resultado semelhante a este acima.

Por quê?

Como está de noite, o fotômetro da câmera faz uma medição de todo o quadro, avaliando as partes claras e escuras, e recomenda uma exposição intermediária.
Se você já se arriscou a fazer fotografias noturnas, já deve saber que, às vezes, necessitamos de longas exposições, de 1 segundo ou muito mais, para obter uma bela imagem à noite.

Na imagem acima (recorte), com a velocidade do obturador em 1 segundo e usando tripé, temos um disco branco sem nenhum detalhe. É isto que sua câmera pensa que é a melhor exposição neste caso.


Então, aceleramos bastante a velocidade do obturador, para 1/60 e obtivemos a imagem acima (recorte), ainda de um disco branco, mas com alguns detalhes no interior. Agora já está começando a se parecer com a Lua, mas ainda não é a foto que gostaríamos.


Para isto, deixamos o obturador mais rápido, em 1/160 e foi como obtivemos a imagem acima (recorte), já com bastantes detalhes, na qual podemos ver as crateras e mares da Lua.

A Lua e a Distância Focal de sua Lente


Na hora de fotografar a Lua, você desejará utilizar, a princípio, a lente telefoto com a maior distância focal possível.

Quanto mais longa, melhor, não é?

Mais ou menos, eu digo...

Eu tenho duas lentes telefoto longas no meu kit: uma Canon 70-200mm f/4 L, que é uma lente excepcional, e uma Canon 70-300mm f/4-5.6, que é uma lente excepcionalmente ruim.

Olhando na comparação acima, com as fotos originais, vemos que a lente de 300mm aproximou muito mais a Lua, no entanto, o problema está nos detalhes.


Quando recortamos as duas fotos, mesmo após a edição delas, podemos perceber claramente quão rica de detalhes é a imagem da Lua com a lente melhor (200mm), enquanto na telefoto mais longa (300mm) a imagem ficou um pouco menos nítida.

Apesar de ter recortado mais a foto com a lente de 200mm, ainda prefiro ela por causa dos detalhes mais nítidos.

Só lembrando que o uso do tripé é quase imprescindível, pois com uma distância focal longa, à noite, qualquer tremidinha já deixará sua foto bastante borrada.
A opção seria subir o ISO ao máximo, mas isto implicaria em perda de nitidez e, consequentemente, de detalhes.

Já ouvi alguns fotógrafos falando que usam telescópios em combinação com a câmera, mas não tenho ideia de como isto funciona, nem tenho um telescópio para testar.

Pós-processamento


Esta é a foto original da Lua tirada com uma lente 70-200mm, na distância focal máxima. Como você pode reparar, a Lua está bastante nítida, mas um pouco distante para podermos analisar a riqueza de detalhes do satélite.


Nesta situação, pós-processamento digital da foto é inevitável, primeiro recortando a foto.

Contudo, ainda não estamos muito satisfeitos com esta imagem. Ela não tem muito contraste, apesar de já podermos visualizar relativamente bem os acidentes na superfície lunar.


Por fim, no Adobe Lightroom, eu fiz algumas correções reduzindo o brilho (brightness) e aumentando o contraste (contrast) para acentuar as crateras, mares e outros acidentes. Além disto, aumentei o vibrance e também a nitidez (sharpness).

O único problema é que, por ser um recorte grande da imagem original, não podemos ampliá-la muito, senão haverá perda de resolução.

Fotografando a Lua de dia


Às vezes, mesmo durante o dia, a Lua dá as caras e para fotografá-la nestas situações não há segredo algum.

A única coisa que você deve realmente prestar atenção é, sempre ao usar lentes telefoto, manter uma velocidade do obturador mínima igual à distância focal. Por exemplo, se você estiver usando uma lente de 200mm, a velocidade do obturador mínima deve ser 1/200, preferencialmente mais se você estiver usando uma câmera que não seja full frame.
Esta é a sua garantia que a foto não ficará tremida.

De resto, basta expor a imagem de acordo com o fotômetro de sua câmera e correr pra galera!

Paisagens iluminadas pela Lua


Agora, se você deseja fotografar um cenário iluminado pela Lua, entraremos numa foto de longa exposição convencional, na qual você precisará de uma velocidade obturador mais lenta para capturar a iluminação ambiente.

Uma vez mais, você precisará de um tripé, ou de uma superfície plana para apoiar a câmera e, frequentemente, usar um disparador remoto ou o timer da câmera, pois o mero ato de clicar a câmera já pode fazer com que a foto fique tremida.

No entanto, já adianto, é impossível obter uma imagem nítida da Lua e, ao mesmo tempo, fazer uma foto de longa exposição. Você terá de escolher uma ou outra, ou usar o Photoshop para fazer uma montagem.

Sem filtros

Só lembrando que, ao se fotografar a Lua, o recomendável é retirar todos os filtros da lente, incluindo o UV, para evitar reflexos internos que criam um efeito indesejável na foto.

Mas, logo em seguida, recoloque o filtro.

Exercícios práticos


1 - usando uma lente telefoto (ou superzoom) e um tripé, tire três fotos da Lua, na abertura máxima da lente e ISO 100:

a - com uma velocidade lenta (de 1 segundo ou mais);
b - com uma velocidade intermediária (entre 1/30 e 1/60);
c - com uma velocidade rápida (acima de 1/160).

Conseguiu obter a exposição correta em qual destas velocidades?

Lembrando que, se você optar por uma abertura menor, terá de fazer os ajustes na velocidade.

2 - usando uma lente grande-angular ou normal e um tripé, tire fotos de um cenário iluminado pela Lua. Qual foi a configuração necessária para obter uma boa exposição?

3 - compartilhe conosco suas fotos da Lua no nosso grupo do Flickr.
http://www.flickr.com/groups/calabocaeclica/


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