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terça-feira, 31 de julho de 2012

O Milagre da Longa Exposição


Se você já tentou fotografar à noite, deve ter descoberto que existem dificuldades particulares quando há pouca luminosidade, e que pode ser muito complicado obter fotos que não estejam tremidas.

Você se lembra da tríade velocidade do obturador/abertura de diafragma/ISO?

Então sabe que, quanto menor for a iluminação ambiente, mais lenta terá de ser a velocidade, maior a abertura e mais alto o ISO, caso desejemos uma fotografia bem exposta.

O que veremos agora é um caso muito especial de fotografia, conhecida como Longa Exposição.

Basicamente ela consiste numa imagem criada com velocidades do obturador bastante lentas, que faz com que o sensor da câmera capture mais luz por muito mais tempo.

O que eu necessito para uma fotografia de longa exposição?


Velocidade do obturador
Antes de tudo, você necessita de uma câmera que possua Modo Manual e que o permita a menor velocidade do obturador possível (por exemplo, 30 segundos), ou com a opção "bulb", quando o obturador fica aberto pelo tempo que você desejar.
A maioria das câmeras Reflex pode ser programada para fotografar em longa exposição, e várias compactas avançadas também.

Tripé
O segundo acessório essencial é um tripé, ou uma superfícia plana onde você possa apoiar sua câmera. Se suas fotos noturnas ficam sempre borradas é porque você não tem respeitado a seguinte regrinha básica: para se fotografar segurando a câmera, a velocidade do obturador mínima deve ser igual ou superior à distância focal de sua lente para se obter uma foto nítida.
Isto quer dizer que, se você estiver fotografando com uma lente de 100mm, a velocidade mínima para a foto não ficar tremida será 1/100 ou superior. 1/50 para uma lente 50mm, ou 1/30 para uma lente 35mm.
No entanto, à noite pode ser difícil encontrar as condições necessárias para uma velocidade do obturador rápida.

Isto não significa que será impossível fotografar uma foto nítida segurando a câmera com velocidades mais lentas, pois alguns fotógrafos tem pulso firme e cada um tem uma técnica própria para que a foto não fique tremida. No entanto, será MUITO difícil que você consiga uma foto nítida numa exposição de 5 segundos, por exemplo.

Existem tripés de todos os tamanhos e preços. Tome cuidado: quando for procurar um tripé, compre um que seja específico para máquinas fotográficas, pois os que são para filmadoras não permitem o ajuste para modo retrato, somente para paisagem. Também evite comprar tripés muito frágeis e que talvez quebrem com facilidade, para não ter de ficar comprando um atrás do outro.

Disparador remoto
Quando se trata de longas exposições, qualquer vibração, mesmo do vento ou a de apertar o botão da câmera, pode fazer com que a imagem fique ligeiramente tremida.
Para evitar isto, um disparador remoto é bastante útil, principalmente porque você pode travá-lo e, em bulb, você pode deixar o obturador aberto por quanto tempo desejar, até por horas, se for o caso.
Agora, se você não possui um disparador remoto, o ideal é usar o timer da câmera para 10 segundos. Assim, você aperta o botão e, depois de 10 segundos, a câmera já terá parado de vibrar.

Entendendo a fotografa de longa exposição


Enquanto houver luz é possível fotografar, mesmo que leve horas para a câmera capturar a exposição correta.
Veja estas duas imagens acima, da vista de minha varanda à noite.
Ambas as fotos foram tiradas em ISO 100 e abertura em f/8.
A primeira, com velocidade do obturador de 1.3 segundos é exatamente como a paisagem se parece ao olhar humano, é aquilo que vemos.
Já na segunda foto, com velocidade do obturador de 918 segundos (ou seja, mais de 15 minutos de exposição), temos uma paisagem tão iluminada que parece como se fosse pouco antes do pôr do sol.
Se você ampliar as imagens, verá uns riscos brancos no céu da segundo foto: aquilo ali são as estrelas em movimento, pois com o obturador aberto por tanto tempo, o sensor capturou o rastro das estrelas em seu percurso, assim como na foto no topo capturamos as luzes dos carros na rua.

Nas duas fotos acima, tiradas com ISO 100 e f/4, temos o mesmo cenário com duas velocidades do obturador diferentes.
Na primeira, que é como o olho humano enxerga, em velocidade de 1.3", só vemos alguns pontinhos luminosos num breu quase total.
Na segunda imagem, em velocidade de 90 segundos, todos aqueles pontinhos luminosos se tornaram casas, postes de rua e carros em movimento.


Nesta terceira sequência, todas tiradas em ISO 100 e f/4, temos três fotos tiradas em longa exposição. A primeira em 77 segundos, a segundo em 365 segundos e a última em 619 segundos.
Perceba a diferença de luminosidade entre as fotos e quão clara a última ficou.

A dificuldade da longa exposição é que você não tem como prever como a foto ficará enquanto não houver aguardado todos os segundos ou minutos de exposição, pois o fotômetro da câmera é de pouca serventia em condições de baixa luminosidade.
Além disto, você geralmente optará por fotografar em ISO 100 ou o menor ISO possível, pois terá fotos com pouco ou nenhum ruído digital, extremamente nítidas e belas.

Alguns exemplos de fotografia de longa exposição


Esta imagem do panorama urbano de Nova York foi obtida com uma velocidade de 1 segundo, que já é uma exposição longa, mas, como se tratava de um cenário bastante iluminado, não havia necessidade de um tempo muito prolongado.
Foi usado um tripé e um disparador remoto.


Foto da Ponte do Brooklyn tirada em 1.3 segundos, com tripé e disparador remoto.


Paisagem noturna da Perúgia, na Itália, em 20 segundos, com tripé e disparador remoto. Tempo o suficiente para capturar o brilho das estrelas, mas sem deixar aquele rastro delas.


Foto tirada num lago em Taiwan, em 5 segundos.
Este foi um cenário problemático, pois eu estava sem tripé e tiver de apoiar a câmera numa mureta. Para que os barcos não ficassem borrados por causa do movimento da água, nem que o restante do cenário ficasse tremido pelo meu movimento do braço segurando a câmera sobre a mureta, tive de optar por um ISO alto e uma velocidade do obturador mais rápida.


Torre de uma igreja em Santiago do Chile, tirada em 30". Como eu não tinha tripé, apoiei a câmera numa grade que havia na janela e usei o timer da câmera para dispará-la.

Exercícios práticos

1 - utilizando sua câmera em Modo Manual, ISO 100 e abertura de f/8, usando um tripé ou apoiando sua câmera sobre uma superfície plana, tire três fotos noturnas:

a - em velocidade do obturador em 1 segundo;
b - em velocidade do obturador em 15 segundos; e
c - em velocidade do obturador em 30 segundos.

Qual delas ficou melhor?

2 - se possível, encontre um cenário urbano, com prédios e com ruas movimentadas, e tire três fotos:

a - em velocidade do obturador em 1 segundo;
b - em velocidade do obturador em 15 segundos; e
c - em velocidade do obturador em 30 segundos.

Qual delas ficou melhor? Alguma delas ficou clara de demais? Conseguiu capturar os rastros de luzes dos carros passando?

3 - Compartilhe conosco o resultado de seus experimentos com longa exposição em nosso grupo do flickr
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domingo, 22 de julho de 2012

Henri Cartier-Bresson - O Mestre do Olhar


Dentre todos os grandes mestres da fotografia, há um lugarzinho especial reservado para Henri Cartier-Bresson.
Ele imortalizou algumas das imagens mais extraordinárias de todos os tempos e, neste documentário acima, com legendas em inglês, podemos acompanhar um pouco da trajetória e da visão de Cartier-Bresson sobre a fotografia.

Dois princípios básicos do estilo deste fotógrafo, segundo ele, são a espera pelo momento decisivo e a sorte. Deparar-se com a harmonia perfeita, com o equilíbrio, com uma bela composição depende da sorte, mas capturar aquela cena é um ato de observação, que deriva do olhar do fotógrafo e de sua capacidade em clicar no momento certo.

Em nossa época, quando todos tem uma câmera fotográfica no pescoço, o olhar perdeu sua importância?

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segunda-feira, 9 de julho de 2012

A grande responsabilidade do fotógrafo, ou a sua burrada pode estragar tudo


Da primeira vez que fui viajar a Manaus com minha esposa, isto no ano de 2000, não sabíamos como inserir o filme fotográfico na câmera e pedimos para minha irmã nos ajudar.

Fomos, viajamos, passamos a virada do ano às margens do Rio Negro e tiramos muitas fotos. Ao revelarmos o filme, não havia uma única foto no rolo. O filme havia ficado mal encaixado e, por isto, perdemos todas as imagens daquela viagem.

Ficamos tão chateados que queríamos dar com a cabeça na parede de raiva!

Agora, imagine se você paga um profissional para isto - e paga caro! - e, quando você vai conferir o resultado das fotos de seu casamento, festa de quinze anos, batizado de seu filho, você se depara com isto?


Pense na sua decepção e na sensação de ter sido enganado pelo fotógrafo. Pense na raiva que você sentiria.

Esta história ocorreu na Inglaterra. Este casal da foto contratou uma equipe de fotógrafos para retratar o casamento deles e, na hora de ver o resultado: surpresa! Todas as fotos estavam um lixo!


Fotografar casamentos não é fácil, não é uma tarefa para qualquer bocoió com uma câmera na mão.
Se refletirmos sobre a responsabilidade que é a de tirarmos belas fotos de um evento que marcará para sempre a vida de suas pessoas, acho que ninguém se arriscaria neste ramo.

Você não tem duas chances para fazer bem o serviço. Se você perder algum momento importante, como o beijo no altar, a troca das alianças ou o arremesso do buquê, não tem como voltar atrás e pedir para os noivos repetirem a cena.


Fotografia de casamentos é uma prova de fogo, não é para amadores, não é para quem não sabe o que fazer e quando.


Agora, a decepção deste casal foi tão grande que eles optaram por "encenar" novamente a cerimônia, desta vez contratando um fotógrafo de verdade, para poderem preservar a memória deste dia. Veja acima a comparação entre o trabalho do primeiro e do segundo fotógrafo.


Felizmente, este casal tinha bala na agulha para poder pagar novamente para voltar aos mesmos cenários, refazer a festa e contratar um novo profissional. Não são todos que tem esta oportunidade, nem são todos os eventos que podem ser recriados desta maneira.

Você tem alguma história de viagem, evento ou situação que você tentou fotografar e as fotos ficaram imprestáveis depois?

Conte para a gente e, se você tiver coragem, compartilhe algumas fotos deste seu fiasco em nosso grupo do Flickr
http://www.flickr.com/groups/calabocaeclica/

Fontes:
Page not found/O Globo
http://oglobo.globo.com/blogs/pagenotfound/posts/2012/07/03/casados-se-casam-de-novo-para-refazer-fotos-apos-serie-de-borroes-453455.asp

The Telegraph
http://www.telegraph.co.uk/news/picturegalleries/howaboutthat/9216685/Are-these-the-worst-wedding-pictures-ever.html


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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Convertendo fotos coloridas para preto e branco - técnica 1: dessaturação no Photoshop

(1/500 f/11 ISO 400)

Existem várias técnicas diferentes para se obter fotos em preto e branco a partir de fotos coloridas.

Aliás, a recomendação é que você sempre fotografe em cores, para depois realizar a conversão, senão você poderá perder as informações das cores e não há como fazer o caminho inverso, de monocromático a colorido (a não ser que esteja fotografando em .RAW).


A foto acima é o arquivo original, em .JPEG, como saiu da câmera. Como é uma foto com forte contraste entre as regiões iluminadas e as com sombras, talvez se torne uma imagem interessante em preto e branco.

Aplicaremos a técnica mais básica e simples, no Photoshop, para converter uma foto colorida em monocromática: dessaturação.


Para isto, basta que você clique no menu "image", no submenu "adjustments" e, quase no final da aba, em "desaturate", isto é, em dessaturar (leia aqui o que é saturação).


Esta é a imagem logo após termos dessaturado-a, sem nenhum retoque adicional.

No entanto, ainda não estamos satisfeitos, por isto, fizemos alguns ajustes de contraste e brilho, além de aumentar a nitidez (sharpness) e reduzir um pouco o ruído digital. Por fim, fizemos um pequeno recorte para diminiu a região das sombras no canto inferior esquerdo da foto.

Abaixo está o resultado final em preto e branco, com os ajustes.




Este é o tipo de conversão que pode ser feito em segundos e, como dissemos, é o mais simples e rápido, o que não quer dizer que seja o melhor método.

Nos artigos seguintes, veremos outras técnicas para converter fotos coloridas para preto e branco.

Exercício prático

1 - selecione uma foto colorida e utilize a técnica de dessaturação para conversão de colorido para preto e branco.

Compartilhe conosco o resultado em nosso grupo do flickr
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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Fotografando um lanche do McDonald's: por que a foto é tão diferente da realidade?


Está rolando na internet um vídeo muito legal, no qual a diretora de marketing do McDonald's do Canadá explica o processo para tirar foto de um lanche para propaganda.

A pergunta que motivou o vídeo é a seguinte: "por que seus lanches parecem ser tão diferentes em propagandas dos que estão nas lanchonetes?"

Antes de tudo, devo dizer que esta pergunta é ligeiramente estúpida, pois ninguém vai a um fotógrafo para parecer mais feio.
Quando contratamos um bom fotógrafo, queremos ficar mais bonitos, as mulheres vão ao cabeleireiro e usam maquiagem, e é preparado todo um set de iluminação que nos privilegia.
E esta lógica não é diferente para um animal, ou para um sanduíche. O McDonald's, ou qualquer outra empresa, não contrata uma empresa de marketing para que seus produtos saiam horrorosos nas fotos ou nos vídeos.

Tendo esclarecido isto, farei um resumo do vídeo para aqueles que não falam inglês e só lerão as figuras.
A diretora de marketing do McDonald's vai até uma lanchonete da rede e compra um quarteirão com queijo, depois se encaminha até o estúdio fotográfico para tirar uma primeira foto deste sanduíche.
Então, com os mesmos ingredientes das lanchonetes (é o que ela diz, pelo menos), eles preparam um sanduíche "cenográfico", montado de uma maneira para que todos os ingredientes, que num sanduíche normal estariam dentro do pão, possam ser visualizados na propaganda, como o picles, a mostarda e ketchup. Eles também dão uma derretidinha no queijo para ficar mais apetitoso.
Esta é a maquiagem do sanduíche.

Por fim, levam a foto para o pós-processamento, onde são feitas pequenas correções para ressaltar as cores e remover pequenos defeitos no pão.

Segundo a diretora de marketing, a foto fica tão diferente do produto das lanchonetes porque a caixa é feita para preservar o lanche quente, e os vapores fazem com que o pão murche um pouco.

Anatomia do vídeo

Além de ser um vídeo bastante interessante para quem curte fotografia, eu gostaria de compartilhar com vocês alguns detalhes que reparei nele.


O primeiro é o set utilizado para tirar as fotos. Podemos observar que há seis luzes neste set, quatro strobes embaixo (um deles está atrás do fotógrafo) e dois outros strobes dentro de softboxes (aqueles modificadores retangulares pretos).

Este é um belo set, ainda mais se pensarmos que se trata a foto de um mero sanduíche.
Podemos perceber também que destas seis luzes, quatro estão ligadas: a do fundo e no topo em softboxes, a do canto esquerdo e, depois, no decorrer do vídeo, veremos que a luz atrás do fotógrafo também está funcionando.
Eu só fiquei na dúvida quanto ao primeiro strobe (com a interrogação) do lado direito, pois ele parece estar desligado, mas depois, mais adiante no vídeo, ele parece estar ligado.


Esta foto é a que foi tirada do sanduíche preparado na lanchonete. Por ela, e pelo reflexo à direita no queijo, podemos ter a certeza que o strobe da direita estava ligado.

A foto não é ruim, principalmente porque está bem perto da realidade, mas, em comparação ao resultado final, veremos que o trabalho do fotógrafo valeu a pena.


Aqui poderemos dar uma xeretada no equipamento que eles utilizam. A flecha aponta para a câmera usada, uma Mamiya de formato médio, bastante usada em fotos para propaganda, por sua grande qualidade ótica. Sem dúvida, eles devem ter capturado a imagem com um fundo digital de alta resolução. Uma câmera destas com um fundo digital deve estar na casa de 25 mil reais, talvez muito mais dependendo da configuração.


Aqui temos a foto do sanduíche depois da maquiagem, embelezado e preparado para chamar mais atenção.
A diretora de marketing afirma que esta é a foto saída diretamente da câmera, sem retoques, mas acho que houve pequenas correções, pois o pão não aparenta ter os mesmos defeitos que são corrigidos posteriormente no vídeo.


Por fim, aqui está a comparação lado a lado com o sanduíche comprado na lanchonete e o outro preparado para a propaganda.

Há uma grande diferença, inquestionavelmente, assim como há grandes diferenças entre aquela foto de casamento da sua prima e ela na vida real.

Como eu disse, gostaríamos de parecer mais bonitos na fotografia. Sorte do quarteirão com queijo que consegue esta proeza!

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domingo, 17 de junho de 2012

Dúvida do leitor - Essa paixão por Câmeras SLR e Fotografias é apenas Hobby ou é mesmo algo para me profissionalizar? Qual o conselho que você me daria?


Recentemente, o leitor Douglas Jefferson me enviou esta pergunta por e-mail, querendo saber se deveria encarar a Fotografia somente como hobby, ou se existe a possibilidade de profissionalizar-se.

Antes de tudo, isto é muito pessoal, depende do talento e do esforço individual, e também da garra para correr atrás das oportunidades.

Para entendermos se vale a pena tentar a carreira de fotógrafo, precisamos olhar um pouco para uma ou duas décadas atrás e vermos como o cenário da fotografia mudou bastante.

Como era a profissão do fotógrafo antes?


Na era do filme, a fotografia profissional era um ramo bastante especializado.

A maioria das pessoas normais, como eu e você, tinha câmeras automáticas, que faziam todos os ajustes sem intervenção do fotógrafo, assim como com as câmeras compactas digitais de hoje.
Eram raríssimos os amadores que possuíam câmeras profissionais, tanto por causa dos altos custos dos equipamentos, mas também para aquisição e revelação dos filmes.
Certa vez, durante um workshop com um fotógrafo americano de casamento, ele disse que somente com filme e revelação, ele gastava quase 2 mil dólares, ou seja, era um investimento altíssimo para inserir-se no ramo, e nem todos podiam arcar com ele.

Além disto, para se obter boas fotos com câmeras de filme, era necessário um profundo conhecimento técnico, pois não havia a facilidade de conferir na hora se a foto havia ficado boa ou não.
Imagine só você ser pago para cobrir um casamento e, na hora da revelação, descobrir que todas as fotos ficaram fora de foco, sobrexpostas ou queimadas?

Isto é, a profissão do fotógrafo era para quem entendia do assunto e, justamente por isto, era mais valorizada e pagava melhor.

Como é a profissão do fotógrafo hoje?


Estamos na era da popularização da informação, e isto inclui também a fotografia. Todos nós temos câmeras, sejam compactas ou Reflex. Todos os celulares veem com camerazinhas fotográficas e qualquer criança pode clicar e obter imagens razoáveis.

Boa parte do mistério e do fascínio da fotografia se perdeu. Hoje, qualquer um pode comprar uma câmera fotográfica profissional com quatrocentos dólares, sem custo algum com filmes ou revelação. Basta pegar uma câmera destas, sem qualquer conhecimento técnico de fotografia, cobrar 300 reais e cobrir casamentos, ou cobrar 30 reais e fazer um book de 15 anos.
Juro que já vi fotógrafos cobrando estes preços!

Estamos vendo a desintegração da profissão de fotógrafo diante da concorrência desleal, mas principalmente por causa da amadorização extrema da fotografia.

Isto é ruim?

Talvez sim, talvez não, dependendo de qual lado você estiver.

O fato é que os fotógrafos profissionais estão se descabelando e vendo o pão sendo tirado de suas bocas dia após dia. Mesmo grandes nomes, fotógrafos que trabalham para grandes revistas como a National Geographic ou Newsweek estão sendo afetados pelo trabalho de amadores que, às vezes, conseguem obter imagens tão extraordinárias quanto os profissionais, e que estão dispostos a distribuir gratuitamente suas fotos na internet.

Devo me tornar um fotógrafo profissional?


Após entendermos qual é o cenário atual, resta-nos responder à questão crucial: é possível profissionalizar-se em fotografia hoje em dia?

É claro que sim! As pessoas ainda continuam se casando, comemorando aniversários, bodas ou festas de 15 anos. Crianças ainda são batizadas. Ainda ocorrem incêndios e catástrofes. Ainda existe espaço para Arte.

A fotografia não está morrendo, pelo contrário, está mais presente em nossas vidas do que jamais foi. Todos estão deslumbrados com a fotografia, mas nem todos são capazes de criar imagens extraordinárias.
Isto ainda depende principalmente dos fotógrafos profissionais, que estudaram e praticaram muito antes de saírem com sua câmera na mão cobrando uma exorbitância por um trabalho.

Quando você for se casar, você prefere um profissional que cobre alguns milhares de reais e será a garantia de um trabalho excelente, ou prefere pagar uns tostões para um amador que mal sabe como usar o equipamento?

Aposto que, nesta situação, você preferirá o profissional.

Ainda não sabemos como será o futuro da fotografia, nem qual será o destino dos poucos grandes profissionais que restam deste ramo, mas, se você deseja se tornar um fotógrafo profissional, não existem atalhos.
É preciso estudar muito, praticar muito, conhecer bem seu equipamento e destacar-se dos demais, criando uma linguagem própria. Estes serão seus diferenciais, e é por isto que alguém o contratará e confiará em você.


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quarta-feira, 13 de junho de 2012

O que é Bokeh e como eu faço isto?

(1/30 f/4.5 ISO 400, por Denise Nappi: http://www.flickr.com/photos/henrybugalho/6380090057/)

Bokeh é um nome bonitinho para designar aquele desfocado nas fotos, geralmente no primeiro ou segundo-plano de retratos.


Este é um efeito poderoso para realçar a tridimensionalidade da imagem, além de ser particularmente charmoso.

Como faço um Bokeh?

Como você já leu no artigo sobre profundidade de campo, a quantidade de elementos em foco numa imagem dependem de quatro fatores principais:

1 - da abertura de diafragma máxima da lente,
2 - da distância focal da lente,
3 - da distância entre o fotógrafo e o primeiro plano e
4 - da distância do primeiro para o segundo plano.

1 - A abertura de diafragma e o bokeh


Quanto maior for a abertura de diafragma da lente, menos elementos estarão em foco e mais acentuado será o bokeh.
Na imagem acima, foi utilizada uma lente bastante rápida, com abertura de f/1.4. Você pode perceber que apenas uma pequena seção da foto está em foco, todo o resto está com um suave desfocado.

2 - A distância focal e o bokeh


Comumente, você obterá um bokeh muito mais bonito com lentes longas, como telefotos, mesmo com aberturas de diafragma menores, como no caso acima, com uma lente de zoom em 75mm e abertura de diafragma em f/5.6.
Observe como somente o setor central da foto está em foco, e todo o restante com um agradável desfocado.


Este é exatamente o mesmo caso desta outra foto, numa distância focal de 176mm, na qual apenas uma pequena parte da imagem está em foco, e todo o restante está borrado.


É muito difícil de se obter um bokeh satisfatório usando uma lente grande-angular ou com aberturas pequenas, como no caso da foto acima, com uma lente de 24mm e uma abertura de f/9.

Você pode reparar que, ao contrário das outras fotos, tanto o primeiro plano quanto o segundo estão bastante nítidos e em foco.
Infelizmente, não há como burlar as leis da ótica, a não ser usando o Photoshop.

3 - A distância do fotógrafo para o primeiro plano e o bokeh



Quanto mais próximo você estiver do primeiro plano, maior será o desfocado do segundo plano, principalmente se este segundo plano estiver distante.
Na imagem acima, utilizamos uma abertura de diafragma mediana, de f/3.5, mas, em compensação, estávamos bem próximos da cabeça do Jesus morto. Isto permitiu um leve bokeh no segundo plano, no qual ainda podemos distinguir os traços de Maria, mas sem muita nitidez.


Este outro exemplo parte do mesmo princípio, com a câmera bastante próxima do primeiro plano e, consequentemente, com o segundo plano um pouco (ou bastante) desfocado.



Todavia, se o fotógrafo estiver distante do primeiro plano, mesmo que esteja usando uma telefoto com a abertura máxima, como na situação acima, na qual fotografamos este morro com uma lente em 163mm e abertura de f/4, o bokeh não será tão satisfatório.

Você pode constatar que o segundo plano, com as outras colinas e montanhas, ainda estão bastante em foco, mas isto porque o primeiro plano está muito distante da câmera.

4 - A distância entre o primeiro e o segundo plano e o bokeh


Neste autorretrato, apesar de estar com uma abertura pequena de f/11, por ser uma lente telefoto em 135mm, próxima do primeiro plano e bastante longe do segundo, temos um bokeh muito evidente.


Já nesta outra situação, estávamos distantes do primeiro plano, mas o segundo plano estava mais longe ainda, além de termos usado uma telefoto com a abertura máxima, por isto o desfocado perceptível.

Juntando tudo

O bokeh ideal é quando você consegue reunir estes quatro fatores. Em ordem de relevância, eu diria que em primeiro lugar vem a abertura de diafragma, depois uma lente telefoto, depois a distância entre o primeiro e o segundo plano e, por fim, a distância entre o fotógrafo e o primeiro plano.

Nos quatro exemplos abaixo, você poderá perceber algumas diferenças.





Foto tirada com telefoto, próximo do primeiro plano, distante do segundo plano com abertura pequena em f/8.
O fundo está completamente desfocado.


Foto tirada com grande-angular, próximo ao primeiro plano, distante do segundo com abertura do diafragma máxima em f/4.
Fundo parcialmente desfocado.



Foto tirada com grande-angular, próximo a primeiro plano, distante do segundo com abertura do diafragma pequena em f/8.
Fundo quase nítido.



Foto tirada com telefoto, um pouco distante do primeiro plano, bastante distante do segundo plano com abertura do diafragma máxima em f/4.
O fundo está bastante desfocado.

Conclusão

O bokeh é uma excelente técnica composicional da fotografia, que deixará suas fotos muito mais interessantes.
Ele depende de quatro fatores básicos e, com o tempo, a realização de um bom bokeh se tornará natural, já identificando em quais situações ou com que tipo de equipamento ficará mais agradável.

Exercícios práticos

1 - com uma lente telefoto (51mm ou mais longa) tire as seguintes fotos:

a - com abertura máxima, próximo do primeiro plano e com segundo plano distante;
b - com abertura máxima, distante tanto do primeiro quanto do segundo plano;
c - com uma abertura pequena (por exemplo, f/11),  próximo do primeiro plano e com segundo plano distante; e
d - com uma abertura pequena (por exemplo, f/11), distante tanto do primeiro quanto do segundo plano.



2 - repita estes mesmos exercícios com uma lente grande-angular (49mm ou mais curta).

Em quais destas fotos você reparou que o bokeh ficou mais aparente?

Por fim, compartilhe conosco seus resultados em nosso grupo do Flickr
http://www.flickr.com/groups/calabocaeclica/


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